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segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Vinicius de Moraes: Desaparição de Tenório Júnior

 
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Sei que agora estás só. Não ouço nada
Do som do teu piano.
Sei que estás só, apenas respirando
O branco pó da madrugada
E indefinidamente caminhando
Caminhando sem fim por uma estrada
Ninguém sabe por quê, como nem quando.

Sei somente que vieram e te levaram
Para um grande vazio
O céu te pareceu desmesurado
Cheio de estrelas que faziam frio.
Tinhas os olhos brancos das estátuas
e os zigomas contraídos
Havia pó e sangue em tua barba
E o tempo de um sorriso.

Sei que estás muito só, muito em silêncio
Como dentro de um túnel.
Mas caminhas, no branco trip imenso
Do princípio e do fim que se confundem.
Do pó vieste, ao pó voltaste enfim
Amigo terno e puro...
Dize-me agora, apenas para mim:
A morte é branca assim, Tenório Júnior?

Buenos Aires, 25 de março de 1976: uma semana depois de sua misteriosa e total desaparição

[Poema inédito — extraído de documentos do Arquivo-Museu
de Literatura Brasileira (AMLB) da Fundação Casa de Rui Barbosa]

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50 poemas macabros [inclui poemas inéditos]: Vinicius de Moraes, Organização e Posfácio de Daniel Gil, Ilustrações de Alex Cerveny, 2023, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Vinicius de Moraes (1913 1980), carioca, estudou no Colégio Santo Inácio, na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford Inglaterra; foi poeta, crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu da Conceição, que serviu de roteiro para o filme Orfeu Negro, que se tornaria premiado), letrista concorrido da Música Popular Brasileira e diplomata; seus principais parceiros na música: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque, Carlos Lyra ...; como crítico de cinema, trabalhou no jornal A Manhã; foi colaborador da revista Clima e dirigiu o suplemento literário de O Jornal; obras poéticas: O caminho para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.; produção musical, discografia: Orfeu da Conceição (1956), Vinicius e Odette Lara (1963), Vinicius e Caymmi (1965), Os Afro-Sambas: Baden e Vinicius (1966), Vinicius: poesia e canção (volumes I e II, 1966), Vinicius em Portugal (1969), Como dizia o poeta: Vinicius, Marilia Medalha e Toquinho (1971), Vinicius, Bethânia e Toquinho: En La Fusa — Mar del Plata (1971), Poeta, moça e violão: Vinicius, Clara Nunes e Toquinho (1973), O Poeta e o Violão: Toquinho e Vinicius (1975), A Arca de Noé (músicas para crianças, 1980), Um pouco de ilusão: Toquinho e Vinicius (1980) ...; como diplomata, atuou em Los Angeles Estados Unidos, Paris França, Roma Itália e Montevidéu Uruguai; em 1968, período de ditadura militar, foi afastado da carreira diplomática e aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional nº 5, com a alegação de ter comportamento boêmio, e que isso o impedia de cumprir funções diplomáticas; em 1998, o poeta foi anistiado (post-mortem) pela Justiça brasileira.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Vinicius de Moraes: O poeta Hart Crane* suicida-se no mar

 
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Quando mergulhaste na água
Não sentiste como é fria
Como é fria assim na noite
Como é fria, como é fria?
E ao teu medo que por certo
Te acordou da nostalgia
(Essa incrível nostalgia
Dos que vivem no deserto...)
Que te disse a Poesia?

Que te disse a Poesia
Quando Vênus que luzia
No céu tão perto (tão longe
Da tua melancolia...)
Brilhou na tua agonia
De moribundo desperto?

Que te disse a Poesia
Sobre o líquido deserto
Ante o mar boquiaberto
Incerto se te engolia
Ou ao navio a rumo certo
Que na noite se escondia?

Temeste a morte, poeta?
Temeste a escarpa sombria
Que sob a tua agonia
Descia sem rumo certo?
Como sentiste o deserto
O deserto absoluto
O oceano absoluto
Imenso, sozinho, aberto?

Que te falou o Universo
O Infinito a descoberto?
Que te disse o amor incerto
Das ondas na ventania?
Que frouxos de zombaria
Não ouviste, ainda desperto
Às estrelas que por certo
Cochichavam luz macia?

Sentiste angústia, poeta
Ou um espasmo de alegria
Ao sentires que bulia
Um peixe nadando perto?
A tua carne não fremia
À ideia da dança inerte
Que teu corpo dançaria
No pélago submerso?

Dançaste muito, poeta
Entre os véus da água sombria
Coberto pela redoma
Da grande noite vazia?
Que coisas viste, poeta?
De que segredos soubeste
Suspenso na crista agreste
Do imenso abismo sem meta?

Dançaste muito, poeta?
Que te disse a Poesia?

Rio, 1953

(Novos Poemas II — 1959)


* Nota do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, registra o contido no ‘tag’ ‘Hart Crane’ desta página:
Harold Hart Crane (1899 — 1932), estadunidense de Garretsville, Ohio, foi poeta e escritor; de sua biografia, por seus principais estudiosos, ficamos sabendo que o poeta, que em parte de sua infância e juventude morou com a avó, nunca superou seu problema psicológico originado pelos desentendimentos com o pai e, deste, com a mãe, problema de resto não resolvido, e talvez daí derivasse a raiz de seu homossexualismo e também de seu alcoolismo incontrolável; bibliografia: White Buildings (Edifícios Brancos, 1926), The Bridge (A Ponte, 1930), The Collected Poems of Hart Crane (Os poemas coletados de Hart Crane, 1933); o poeta, depois de ter obtido uma bolsa de estudos no México e lá ter permanecido por algum tempo, em sua viagem de retorno por via marítima, cometeu suicídio atirando-se às águas.
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50 poemas macabros [inclui poemas inéditos]: Vinicius de Moraes, Organização e Posfácio de Daniel Gil, Ilustrações de Alex Cerveny, 2023, Companhia das Letras, São Paulo — SP; Vinicius de Moraes (1913 1980), carioca, estudou no Colégio Santo Inácio, na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford Inglaterra; foi poeta, crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu da Conceição, que serviu de roteiro para o filme Orfeu Negro, que se tornaria premiado), letrista concorrido da Música Popular Brasileira e diplomata; seus principais parceiros na música: Tom Jobim, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque, Carlos Lyra ...; como crítico de cinema, trabalhou no jornal A Manhã; foi colaborador da revista Clima e dirigiu o suplemento literário de O Jornal; obras poéticas: O caminho para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.; produção musical, discografia: Orfeu da Conceição (1956), Vinicius e Odette Lara (1963), Vinicius e Caymmi (1965), Os Afro-Sambas: Baden e Vinicius (1966), Vinicius: poesia e canção (volumes I e II, 1966), Vinicius em Portugal (1969), Como dizia o poeta: Vinicius, Marilia Medalha e Toquinho (1971), Vinicius, Bethânia e Toquinho: En La Fusa — Mar del Plata (1971), Poeta, moça e violão: Vinicius, Clara Nunes e Toquinho (1973), O Poeta e o Violão: Toquinho e Vinicius (1975), A Arca de Noé (músicas para crianças, 1980), Um pouco de ilusão: Toquinho e Vinicius (1980) ...; como diplomata, atuou em Los Angeles Estados Unidos, Paris França, Roma Itália e Montevidéu Uruguai; em 1968, período de ditadura militar, foi afastado da carreira diplomática e aposentado compulsoriamente pelo Ato Institucional nº 5, com a alegação de ter comportamento boêmio, e que isso o impedia de cumprir funções diplomáticas; em 1998, o poeta foi anistiado (post-mortem) pela Justiça brasileira.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

terça-feira, 18 de junho de 2019

Vinicius de Moraes: Soneto de separação

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De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

VINICIUS DE MORAES
Vinicius de Moraes

[translated by Ashley Brown]

Sonnet on separation

Suddenly laughter became sobbing
Silent and white like the mist
And united mouths became foam
And upturned hands became astonished.

Suddenly the calm became the wind
That extinguished the last flame in the eyes
And passion became foreboding
And the still moment became drama.

Suddenly, no more than suddenly
He who'd become a lover became sad
And he who'd become content became lonely

The near became the distant friend
Life became a vagrant venture
Suddenly, no more than suddenly.
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An Anthology of Twentieth-Century Brazilian Poetry — Edited, with Introduction, by Elizabeth Bishop and Emanuel Brasil, 1972, Wesleyan University Press, Middletown, Connecticut — USA; Vinicius de Moraes (1913  1980), carioca, estudou no Colégio Santo Inácio, na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford Inglaterra; além de poeta, foi crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu da Conceição, que serviu de roteiro para Orfeu Negro, e que se tornaria um filme premiado), letrista concorrido da Música Popular Brasileira e diplomata; obra poética: O caminho para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.

sábado, 25 de agosto de 2018

Vinicius de Moraes: Soneto de intimidade

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Nas tardes de fazenda há muito azul demais.
Eu saio às vezes, sigo pelo pasto, agora
Mastigando um capim, o peito nu de fora
No pijama irreal de há três anos atrás.

Desço o rio no vau dos pequenos canais
Para ir beber na fonte a água fria e sonora
E se encontro no mato o rubro de uma amora
Vou cuspindo-lhe o sangue em torno dos currais.

Fico ali respirando o cheiro bom do estrume
Entre as vacas e os bois que me olham sem ciúme
E quando por acaso uma mijada ferve

Seguida de um olhar não sem malícia e verve
Nós todos, animais, sem comoção nenhuma
Mijamos em comum numa festa de espuma.

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Sonnet of intimacy

[translated by Elizabeth Bishop]

Farm afternoons, there’s much too much blue air.
I go out sometimes, follow the pasture track,
Chewing a blade of sticky grass, chest bare,
In threadbare pajamas of three summers back,

To the little rivulets in the river-bed
For a drink of water, cold and musical,
And if I spot in the brush a glow of red,
A raspberry, spit its blood at the corral.

The smell of cow manure is delicious.
The cattle look at me unenviously
And when there comes a sudden stream and hiss

Accompanied by a look not unmalicious,
All of us, animals, unemotionally
Partake together of a pleasant piss.
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An Anthology of Twentieth-Century Brazilian Poetry  Edited, with Introduction, by Elizabeth Bishop and Emanuel Brasil, 1972, Wesleyan University Press, Middletown, Connecticut  USA; Vinicius de Moraes (1913  1980), carioca, estudou no Colégio Santo Inácio, na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford  Inglaterra; além de poeta, foi crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu da Conceição, que serviu de roteiro para Orfeu Negro, e que se tornaria um filme premiado), letrista concorrido da Música Popular Brasileira e diplomata; obra poética: O caminho para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Vinicius de Moraes: Soneto do maior amor

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Maior amor nem mais estranho existe 
Que o meu, que não sossega a coisa amada 
E quando a sente alegre, fica triste 
E se a vê descontente, dá risada. 

E que só fica em paz se lhe resiste 
O amado coração, e que se agrada 
Mais da eterna aventura em que persiste 
Que de uma vida mal-aventurada. 

Louco amor meu, que quando toca, fere 
E quando fere vibra, mas prefere 
Ferir a fenecer  e vive a esmo 

Fiel à sua lei de cada instante 
Desassombrado, doido e delirante 
Numa paixão de tudo e de si mesmo.

Oxford, 1938
Antologia Poética — 1954

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Roteiro da Poesia Brasileira — Anos 30, Seleção e Prefácio de Ivan Junqueira, Direção de Edla Van Steen, 2008, Editora Global, São Paulo —  SP; Vinicius de Moraes (1913  1980), carioca, estudou no Colégio Santo Inácio, na Faculdade Nacional de Direito (atual UFRJ) e língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford  Inglaterra; além de poeta, foi crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu da Conceição, que serviu de roteiro para Orfeu Negro, e que se tornaria um filme premiado), letrista concorrido da Música Popular Brasileira e diplomata; obra poética: O caminho para a distância (1933), Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor  (1964) etc.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Vinicius de Moraes: Soneto de fidelidade

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De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama


Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

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Antologia da Poesia Brasileira, por José Valle de Figueiredo — Mestres da Literatura Contemporânea, sem data, Editorial Verbo, Lisboa — Portugal; Vinicius de Moraes (1913 1980), carioca, além de poeta, foi crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu Negro, que se tornaria um filme premiado) e letrista concorrido da Música Popular Brasileira; obra poética: Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Balada (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Vinicius de Moraes: O falso mendigo

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Minha mãe, manda comprar um quilo de papel almaço na venda
Quero fazer uma poesia.
Diz a Amélia para preparar um refresco bem gelado
E me trazer muito devagarinho.
Não corram, não falem, fechem todas as portas à chave
Quero fazer uma poesia.
Se me telefonarem, só estou para Maria
Se for o Ministro, só recebo amanhã
Se for um trote, me chama depressa
Tenho um tédio enorme da vida.
Diz a Amélia para procurar a "Patética" no rádio
Se houver um grande desastre vem logo contar
Se o aneurisma de dona Ângela arrebentar, me avisa
Tenho um tédio enorme da vida.
Liga para vovó Neném, pede a ela uma idéia bem inocente
Quero fazer uma grande poesia.
Quando meu pai chegar tragam-me logo os jornais da tarde
Se eu dormir, pelo amor de Deus, me acordem
Não quero perder nada na vida.
Fizeram bicos de rouxinol para o meu jantar?
Puseram no lugar meu cachimbo e meus poetas?
Tenho um tédio enorme da vida.
Minha mãe estou com vontade de chorar
Estou com taquicardia, me dá um remédio
Não, antes me deixa morrer, quero morrer, a vida
Já não me diz mais nada
Tenho horror da vida, quero fazer a maior poesia do mundo
Quero morrer imediatamente.
Fala com o Presidente para fecharem todos os cinemas
Não agüento mais ser censor.
Ah, pensa uma coisa, minha mãe, para distrair teu filho
Teu falso, teu miserável, teu sórdido filho
Que estala em força, sacrifício, violência, devotamento
Que podia britar pedra alegremente
Ser negociante cantando
Fazer advocacia com o sorriso exato
Se com isso não perdesse o que por fatalidade de amor
Sabe ser o melhor, o mais doce e o mais eterno da tua puríssima carícia.

(Novos Poemas  1938)

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Roteiro da Poesia Brasileira — Modernismo, Seleção e Prefácio de Walnice Nogueira Galvão, Direção de Edla Van Steen, Editora Global, 2008, São Paulo — SP; Vinicius de Moraes (1913 1980), carioca, além de poeta, foi crítico de cinema, autor teatral (escreveu Orfeu Negro, que se tornaria um filme premiado) e letrista concorrido da Música Popular Brasileira; obra poética: Forma e exegese (1935), Ariana, a mulher (1936), Novos Poemas (1938), Poemas, Sonetos e Baladas (1946), Novos Poemas II (1959), Para viver um grande amor (1964) etc.