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[traduzido por José Lino Grünewald]
(Esboço)
I
Retrato do poeta e da amada. Mistura de corações. Céu sem nuvem. Beatitude.
II
Ciúme do rei. Ele intima o poeta a lhe emprestar sua amante. Recusa do
amado. Ameaças do tirano (Luís-Filipe)! Mensagem real anunciando uma vingança
inaudita.
III
Um mesmo leito reuniu os dois amantes. Sono profundo dos combatentes. Um
rumor imperceptível surgiu ao longe…
IV
(Crescendo dos djins.) Ruídos de espadas. Canhões rodantes, turba
retumbante. Um exército em marcha. Tumulto enorme sobre o cais.
V
O que vem se detém; abre-se a porta em nome do rei! É o exército
inteiro, tambor-mor à frente, que, sob os olhos do amado, paralisado de horror,
vem violar sua amante. Descrição plástica dos executantes da obra infame.
Trajes, gestos, posturas diversas de infantaria, cavalaria e das armas
especiais.
VI
O poeta enlouqueceu. A musa somente lhe envia rimas sem sentido…
Maldição!!
Cauchemar
(Canevas)
I
Portrait du poète et de la bien-aimée. Mélange des cœurs. Ciel sans
nuage. Béatitude.
II
Jalousie du roi. Il somme le poète de lui prêter sa maîtresse. Refus du
bien-aimé. Menaces du tyran (Louis-Philippe)! Message royal annonçant une
vengeance inouïe.
III
Une même couche a réuni les deux amants. Sommeil profond des lutteurs.
Une rumeur imperceptible surgit dans le lointain…
IV
(Crescendo des djinns.) Bruit d’épées. Canons roulants, foule grondante.
Une armée en marche. Tumulte énorme sur le quai.
V
Ce qui vient s’arrête; la porte s’ouvre au nom du roi! C’est l’armée
tout entière, tambour-major en tête, qui, sous les yeux du bien-aimé, paralysé
d’horreur, vient souiller sa maîtresse. Description plastique des exécuteurs de
l’œuvre infâme. Costumes, gestes, attitudes divers de l’infanterie, de la
cavalerie et des armes spéciales.
VI
Le poète est devenu fou. La muse ne lui envoie plus que des rimes
insensées… Malédiction!!
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Poetas Franceses do Século XIX
— Seleção, Organização, Tradução e Nota Introdutória de José Lino Grünewald, 1991,
Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Charles-Pierre Baudelaire (1821 — 1867), francês e parisiense, estudou no Liceu Louis-le-Grand, levou vida boêmia
no Quartier Latin (região no entorno da Universidade de Sorbonne), foi
poeta, crítico de arte, tradutor e literato; considerado um dos precursores do Simbolismo
e reconhecido internacionalmente como um dos fundadores da tradição moderna em poesia,
sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX; obras: As Flores do Mal (poemas, 1857), Os Paraísos Artificiais (ensaios,
1860), O Spleen de Paris: pequenos poemas em prosa (edição póstuma, 1869) e outros.



















