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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Luís Carlos: sobre um motivo de António Nobre

Apraz-me ver, à tarde, as andorinhas
Nos fios de telégrafo pousadas,
Como, por entre a pauta das artinhas,
As notas musicais encarceradas.

Sinto, ao vê-las, que, ao longo das estradas,
São nervos da distância aquelas linhas
Com as agonias hiperestesiadas
De António Nobre, que também são minhas.

Por que não trissam no ar? Por que nem bolem,
Se o Sol, ainda esplendendo moribundo,
Esparze no Éter um clarão de pólen?

É que naqueles fios, com certeza,
Elas compreendem, mudas de tristeza,
As queixas que lá vão por este mundo...

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Poesias Escolhidas — Luís Carlos, Preâmbulo de Luís Carlos Junior e Apresentação/Prefácio de Lasinha Luís Carlos, 1970, Livraria São José, Rio de Janeiro — RJ; Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros (1880 1932), nascido no Rio de Janeiro RJ, formado pela Escola Politécnica no Rio, foi engenheiro civil e poeta; publicou seus versos em jornais e revistas; congregado a um grupo de intelectuais, fundou a Hora Literária; obras: Colunas (poesias, 1920), Encruzilhada (prosa, 1922), Astros e Abismos (poesias, 1924), Rosal de Ritmos (resumo histórico sobre a poesia brasileira, 1924), Amplidão (poesias, edição póstuma, 1933); pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Mário de Sá-Carneiro: O poste telegráfico


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Era alto, muito alto. Outrora verdejante,
Viveu num pinheiral; foi um pinheiro. Tinha
No tronco erguido ao ar, ramagem, muita pinha,
E a seiva percorria o corpo do gigante.

Se o rapazio da vila, a chilrear, trepava
Pelos seus ramos, ele  avô bonacheirão 
Em vez de se zangar, até os ajudava,
De forma que nenhum vinha parar ao chão.

Em suma era feliz. Robusto, resistia
Ao vento, ao sol, à chuva, à neve, à tempestade;
Mas como nunca é eterna a felicidade,
A golpes de machado ele tombou um dia.

Hoje é um poste liso. É esguio, é feio e forte,
Não tem vida nem seiva. Imóvel está ali
À beira dum trigal... Que triste a sua sorte
A árvore tornou-se em um imenso I...

No topo ele sustenta os fios da longa meada
Que, entrelaçando o mundo, ao mundo as novas leva:
«Paris 8, manhã:  Rostand doente. Neva.»
«Belgrado 22:  A Sérvia revoltada.»

As notícias banais e as novas de importância;
Inventos, revoluções, catástrofes e guerras;
Nos fios circula tudo. Os homens, numa ânsia,
Informam-se e assim estão perto as longes terras.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

*

Humildes postes, sois os fortes sustentáculos
Do aéreo condutor da vida universal;
A cobra gigantesca, o polvo colossal
Que mesmo no deserto alastra os seus tentáculos.

Se para vós eu olho, esvai-se o horizonte,
A terra não tem fim... Caminho para a frente...
Um monte está ali... A vista salta o monte...
Percorro todo o mundo imaginariamente!...

Transporto-me a Paris. Passeio no boulevard;
Num cabaret qualquer, pândego com cocottes...
Em Petersburgo estou. Niilistas aos magotes,
Escoam-se na sombra e tramam contra o Czar...

Atenas visitei... Nos ringues de Viena,
Me pavoneio agora... A Roma chego já...
Mas a Europa a mim parece-me pequena...
Vou a Jerusalém... Diviso o Sahará...

Ah! como te agradeço, ó rede telegráfica!
Viajo sem vintém, graças a ti somente...
Em menos dum minuto e muito facilmente,
Eu sei-me transportar da Oceania à África!...

*
Os fios não servem só p’ra minha fantasia
Por eles encanada, absorta viajar;
Também não servem só de noticiosa via:
Os pássaros nos fios costumam descansar.

E então que belo quadro! À luz do sol poente
Esfuma-se no ar uma fileira alada...
Num voo lasso desce e ei-la empoleirada
Entoando num cicio um cântico dolente.

Na intenção genial, o que aprecio mais
Não é o que aproveita ao monstro «Humanidade»,
No socorro prestado a pobres animais,
Só nisso, é que eu encontro alguma utilidade.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

O fio serve de pouso à ave fatigada,
E o poste com saudade e com melancolia,
Recorda o pinheiral: Na sua ramaria
Pousava muita vez então a passarada.

Começa a recordar... Recorda toda a vida:
A terra em que nasceu... o velho rachador...
A sua netazinha, esperta e tão garrida...
O grande amor que teve a essa rósea flor...
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

... Por isso quando vejo em noites de luar,
No macadame da estrada, a esguia silhueta
Dum poste magricela, eu sinto-me poeta
E dos meus versos bano o chocho verbo «amar»...

Lisboa, julho de 1910.

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Poesia Reunida — Mário de Sá-Carneiro — Texto Integral, Organização e Apresentação de Alexei Bueno, Edições Saraiva de Bolso, 2014, Nova Fronteira — Rio de Janeiro — RJ; Mário de Sá-Carneiro (1890 1916), português lisboeta, cursou Direito em Coimbra, sem concluir os estudos, e foi poeta, contista e ficcionista, sendo considerado um dos expoentes do Modernismo em Portugal; foi responsável pela edição da revista literária Orpheu, causadora de escândalo nos meios literários à época; seus textos foram registrados, nas revistas Alma Nova e Contemporânea, parte em vida, e, depois, postumamente, também nas revistas Pirâmide e Sudoeste; são de sua autoria Amizade (peça teatral, 1912), Princípio (novelas, 1912), A Confissão de Lúcio (romance, 1914), Dispersão (poesias, 1914), Céu em Fogo (novelas, 1915); publicações póstumas: Indícios de Oiro (textos mais significativos de sua obra, 1937), Cartas a Fernando Pessoa (correspondências, 2 volumes, 1958 e 1959) e outros títulos; cometeu suicídio, não sem antes revelar tal intenção em correspondência a seu amigo e poeta Fernando Pessoa.

sábado, 24 de outubro de 2015

Genésio dos Santos: Iperó — 21.03.2015 — Cinquentenário de emancipação

História de Iperó | Câmara Municipal de Iperó
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Crônica um tanto autobiográfica

                    Parabéns, Iperó, pelos seus cinquenta anos de emancipação municipal. Parabéns iperoenses nativos e/ou de coração!
                    Em 21 de março de 1965, Iperó, que deixara de ser distrito de Boituva, passaria a ter um governo recém-nascido com prefeito e vereadores da própria cidade. Para mim, não era uma cidade qualquer. Não foi e não é uma cidade qualquer.
                    Em junho de 1963, meu pai  Paulino Ferreira  fora removido da Turma 34 (Itapeva) para a Turma 1 (km 141 da EFS, início do ex-Ramal de Itararé). Pai, mãe e irmãos, vivíamos e continuaríamos vivendo por um bom tempo à beira da linha do trem. Íamos à vila só quando necessário, fosse pra fazer alguma compra no comércio, para ir à missa, ao futebol, a alguma festa ou desfile em data comemorativa. A ida à escola, porém, era compulsória de segunda a sexta. Estudei o quinto ano do antigo grupo escolar (segundo semestre de 1963) no “Gaspar”, àquela época ali só havia o ensino primário. Mas foi lá também que, em 1969, estudei a quarta série do ginásio. E, entre 1964 e 1968, estudei séries ginasiais no Mário Vercellino, em Boituva. Interrompendo-se o ginásio, fiz o Curso de Telegrafista, em outro “Gaspar”, escola técnica da ferrovia, em Sorocaba. Sabemos que no ensino educacional de hoje, primário e ginásio se fundiram e compõem os nove anos do fundamental. Meus irmãos e irmãs, em diferentes momentos, também passaram por essa rotina.
                    Continuando as reminiscências, foi em 67 ou 68 que deixamos a Turma 1 e fomos morar na cidade. Qualquer dia eu conto esta história da saída da Turma 1. Dá uma novela ou quase um conto... de terror.
                    Viemos pra Vila Moraes (era nome oficial?), moramos por dois ou três meses de aluguel na Rua Constantino Pastini, próximo da confluência com a hoje Avenida Paulo Antunes Moreira; depois, meu pai construiu a casa, em dois lotes adquiridos na antiga Rua Dois (Rua Aparecida?), atual Rua José de Moraes, 222. Ali moramos por um bom tempo, em casa com poço dentro da cozinha, inicialmente sem reboco, sem vidros em janelas, sem forro no teto. Também cheguei a construir uma casa, no fim da década de 70, junto ao trevo de saída para Bacaetava/Sorocaba e Tatuí. Quanto às casas, tanto a alugada quanto as adquiridas e depois vendidas, ainda estão lá, com modificações. No entanto, das residências da Turma 1, que pertenciam à EFS, não há nem vestígio. Tenho fotos dos locais.
                    Para aquela criança de calças curtas e para todas as crianças, dois ou três anos a mais ou a menos com relação à idade de outros guris ou gurias, pareciam ser quilômetros a serem percorridos e quase que intransponíveis nas relações de amizade e de brincadeiras com os demais coleguinhas. Daquele tempo, eu que tinha onze anos, me recordo da “Escola Gaspar”, onde fiz o quinto ano do Grupo Escolar. E me lembro do professor Benvindo Jacob e, da quarta série do ginásio, a recordação é do Paulo Mazulquim, professor de Matemática, da Célia Mioni, professora de Português, do Ipojucan, professor de Artes, e de alguns outros dos quais me fogem os nomes.
                    Comunitariamente, convivíamos, eu, meus pais e irmãos, com uns poucos moradores da Turma  o Sêo Fernando e Dona Cristina, com os filhos Fião, Tuim; o Seu Ico e Dona Dita (Benedito e Benedita), com os filhos Adão, Gusto e Nenê; com a Dona Detinha, Sêo Gino e filhos, do sítio vizinho à Turma, junto à várzea do outro lado da linha do trem. Vivíamos num ambiente quase que apartado do das pessoas da cidade. Éramos um pouco bichos do mato. Só de vez em quando éramos “visitados” por algum mascate ou um e outro andarilho que perambulava no caminho dos trens.
                    Como já disse acima, foi após a mudança para a Vila Moraes, que passamos a conviver com os “da cidade”. A minha ligação forte com Iperó, que se deu inicialmente com a ferrovia e sua gente (minha gente!), depois fortaleceu-se muito mais na convivência com a vila, seus lugares e ocasiões, e suas gentes (minhas gentes!). Tantas coisas passam pela mente: a inauguração da caixa d’água municipal, na Rua Constantino Pastini; as festas de Santo Antonio e de Santa Rita e suas procissões, quermesses e leilões; os desfiles e a bandinha Santa Cecília; a sinuca e discussões sobre futebol no Bar do Santista (que era palmeirense!), no Bar do Felício e no Bar do Giba, o Copa 70; o carrinho de doces do Zé Pequeno; as serenatas com o Zé Augusto e outros violonistas e/ou violeiros; a ida ao “Escadão” ou à plataforma da estação para ver, apreciar (e conferir!) a chegada e saída dos trens e seus passageiros; os jogos de malha e de bocha; as ‘composições japonesas’ (trens!), nossas conduções para as escolas em Boituva e Sorocaba; a convivência nas escolas; o cinema em seu “Barracão”; os serviços na “cata” de algodão, no corte de cana, nas plantações dos japoneses Mauri e Kandi, no plantio de gramas na Rodovia Castelo Branco ainda não inaugurada, no açougue do Zeca Calixto, no escritório contábil do Marcos Andrade; o futebol (que não joguei, por ser um absoluto perna de pau!) nos campos do Sorocabana e as peladas nas ruas de terra da Vila Moraes; o estágio do Curso de Telegrafista, na estação; os vizinhos da Rua Dois (hoje Rua José de Moraes); os jogos de xadrez na casa do Zé Lopes e do ‘Vanusa’ e irmãos; e tantas outras situações, gentes e lugares que fizeram parte de minha infançolescência e que não cabem numa só postagem.
                    No livro Eu, a ferrovia e o tempo, de Benedicto Peixoto Filho, há a reprodução de uma foto da turma de ginasianos formandos de 1969. Lá estão, entre outros, o Peixoto, o Zé Fogaça, o Hélio ‘Saúva’, o Zé Roberto ‘Tiguera’, as irmãs que tocavam clarina (não me lembro do nome delas), as irmãs Vera e Márcia Andrade, as ‘georgeoetterenses’ Iraci e Ana Nilce, algumas professoras e professores, as meninas e meninos de Tatuí, e eu inclusive. Eu tinha esta foto e a perdi em minhas andanças (este livro do Peixoto me foi emprestado recentemente pelo Zé Roberto e ainda está comigo, preciso devolvê-lo). Não há como não recordar do período em que fiz estágio do Curso de CFT (telegrafista!) na Estação. Fizeram parte disso, como instrutores e monitores, os ferroviários Osmar, Dito Galvão, Jaime Vilhena, Adilson Nóbrega, Peixoto, Telo, Zé Fogaça e outros, alguns deles também estavam na turma de formandos de 1969.
                    E como esquecer da minha “fuga” para Osasco, rumo ao Bradesco, meu primeiro registro em carteira, e que para onde também, logo depois, partiram algumas dezenas de iperoenses em busca de emprego? Chegamos até a formar um time de futebol, com titulares e segundões, e de uniforme completo, o CAJU (Clube Atlético Juventude Unida), que teve vida curtíssima. Afinal, eu nunca servi para cartola e muitos dos futebolistas “bradesquianos” já eram jogadores do Sorocabana ou do SACI. Tenho fotos dos times.
                    Tudo isso me vem em torrentes neste dia em que Iperó está completando seus cinquenta anos de emancipação. As pessoas todas estão vivas. Em Iperó, em outras praças, em minha memória. Mas fica pra amanhã, ou depois, um relato mais organizado e pormenorizado disso tudo.
                    Um carinho especial ao Hugo, ao Zé Roberto e demais colaboradores e incentivadores desta página * sobre Iperó e suas gentes.
                    Sintam-se contemplados, também, todos os que não foram citados nominalmente neste texto (e são muitos e muitas!) e que de alguma forma conviveram comigo à época.
                    Beijos e abraços aos nativos e aos de coração.
                    Fui.

Iperó e o trem” – Cidade de Iperó

* Clique no título lá em cima e acesse a página www.cidadedeipero.com.br, pilotada por Hugo Augusto Rodrigues, iperoense, jornalista...
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Genésio dos Santos Ferreira, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade; veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e hoje é um bicho urbano adaptado; até agorinha mesmo foi bancário, hoje aposentado; poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro e iperoense de coração.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Genésio dos Santos: Proseando com navegantes

Telegrafista tentando novas tecnologias

Navegadores e navegadoras,

Apesar da convicção que tenho de que a maioria dos que acessam a Internet acabam se familiarizando com essa incrível ferramenta que tem a pretensão (e não só pretensão!) de, ao ser acionada através de um simples toque no 
mouse, fazer explodir na telinha à nossa frente um mundo de informações, etc,  tudo isso sem que seja preciso que tiremos a bunda da cadeira, não resisto e exponho o que se segue:
  •  vá lá que parte dessas informações possam ser falaciosas, impertinentes, reticentes, mentirosas e de cujas abordagens podemos até discordar frontalmente;
  •  vá lá que o nosso espírito curioso e investigativo junto a este mundo virtual (mas nem tanto!) nos conduza a um sedentarismo e aos prejuízos que este comportamento nos traz;
  •  vá lá, ainda, que esta enxurrada de páginas, blogues, sites, e-mails, canais sociais, tudo isso nos deixe, por vezes, feito baratas tontas defronte à telinha;
  •  vá lá, inclusive, que eu, neste momento, possa estar falando apenas de mim  do meu comportamento defronte à telinha  e de mais ninguém;
  •  vá lá também que, com esse lero-lero, talvez eu esteja apenas abordando o que seja óbvio para todos;
  • faço, porém, a ressalva (necessaríssima!): eu sou do tempo do telégrafo. Isso mesmo, t e l é g r a f o ;
  • aliás, sou telegrafista formado, com diploma e tudo, pela antiga e extinta Estrada de Ferro Sorocabana (exFepasa), isso antes mesmo de eu completar o antigo ginásio, lá pelos idos da década de 60 do último século do milênio passado;
  • ainda criança, eu queria seguir as pegadas de meu pai que, vindo da roça, tornou-se ferroviário pra sempre. Novidade isso de seguir ou tentar seguir as pegadas do pai, né!
Ah..., mas porque eu estou escrevendo isso mesmo?

Sim, lembrei...! Se são tantas as fantasias que nos movem nessa viagem virtual, são tantos também os procedimentos que visam facilitar a que voemos cada vez mais. Cada página, além de conter os recursos básicos disponíveis pela tecnologia de comunicação de ponta do mundo virtual, também tem uma cara, digamos assim, um tanto personalizada. É disso que eu quero falar objetivamente. Da cara deste blogue, pô!

Preciso deixar claro que sou apenas um aprendiz de blogueiro. Não raras vezes me comporto como se estivesse teclando em uma máquina de escrever Olivetti, Remington ou Olympia, das quais só se lembra quem tem mais de quarenta primaveras. Daí que a minha capacidade e/ou disposição de apreender/absorver os recursos oferecidos por esta ferramenta internética é bem baixa, se não quase nula.

O que eu quero dizer é que se o/a internauta que acessa este  verso e conversa clicar no título de cada matéria postada, ele/ela acessará, quase sempre, outra página referente ao assunto abordado. Eu disse "quase sempre", pelo fato de eu ainda estar moldando a cara do blogue. É isso!

Pronto. Apenas no parágrafo imediatamente acima relatei o que precisava dizer ao iniciar esta postagem. Só que acabei gastando uma penca de outros parágrafos em tal empreitada. Pra quê?! Ah..., deixa pra lá...! É assim que eu funciono.

Abraços pros manos e beijos pras minas.

Genésio dos Santos,
um aprendiz de blogueiro.
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Genésio dos Santos, caipira, nascido em 1952 em Itapetininga  SP, filho de ferroviário, tem diploma de Curso de Telégrafo, é poeta e cronista e, acrescente-se, hoje é também um bicho urbano adaptado e aprendiz de blogueiro.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Genésio dos Santos: veredas (03.03.2011)



telegrafista

cambaleia e se descaminha

na infovia




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Genésio dos Santos, poeta, cronista e aprendiz de blogueiro, nasceu em 1952 (Itapetininga — SP), no século e milênio passados, e viveu sua infância e adolescência, até os seus dezenove anos, à beira da linha do trem nas localidades de Buri (Turma 29, Eng. Bacelar), Itapeva (Turma 34) e Iperó (Turma 1), todas interligadas pela antiga EFS  Estrada de Ferro Sorocabana (posteriormente FEPASA); à época, um pouco movido por desejo de filho que se espelha no pai (ferroviário!) e outro pouco movido por vontade paterna, interrompeu os estudos ginasianos e formou-se telegrafista por escola pertencente àquela ferrovia; depois, enquanto exercia o ofício de bancário por mais de três décadas, virou um bicho urbano adaptado; publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981), além de contribuir com jornais sindicais do Sindicato dos Bancários de São Paulo, escrevendo crônicas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Genésio dos Santos: TELEGRAMA EM TEMPOS DE TWITTER (25.03.2010)

AMOR VG
NAO TEM MAIS MAE
NAO TEM MAIS PAI
NAO TEM MAIS TREM PT

DINHEIRO ANDA ESCASSO
AMIGOS ESTAO ESCASSOS
DEMAIS RECURSOS TAMBEM PT

POLITICA MUDOU INTERROGACAO
VIDA CONTINUA
AGUARDO NOTICIAS PT

FILHA ESTA BEM

ESTOU FELIZ
AMO VOCE PT

(DIOGENES SEM LANTERNA)
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Genésio dos Santos, nascido em Itapetininga  SP, é caipira, filho de ferroviário e passou a sua infância e adolescência à beira da linha do trem, nas localidades de Buri (Turma 29, Eng. Bacelar), Itapeva (Turma 34) e Iperó (Turma 1), todas interligadas pela antiga e extinta EFS  Estrada de Ferro Sorocabana (posteriormente FEPASA); na década de sessenta do século e milênio passados, formou-se telegrafista por escola pertencente àquela ferrovia; hoje, após ter sido bancário por mais de três décadas, também se vê como um bicho urbano adaptado; é poeta e cronista; ah... e tem mais!, está completando exatos cinqüenta e oito anos, dois meses, vinte e dois dias, algumas horas e uns tantos minutos de vida nesta oca a qual chamamos genericamente Terra.