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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ciro Costa: Pai João

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Do taquaral à sombra, em solitária furna,
(Para onde, com tristeza, o olhar, curioso, alongo),
Sonha o negro, talvez, na solidão noturna,
Com os límpidos areais das solidões do Congo...

Ouve-lhe a noite a voz plangente e taciturna,
Num profundo suspiro, entrecortado e longo...
E o rouco, surdo som, zumbindo na cafurna,
É o urucungo a gemer na cadência do jongo...

Bendito sejas tu, a quem, certo, devemos
A grandeza real de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,

Sob o fúlgido céu, a relembrar, magoado,
Que os frutos do café são glóbulos vermelhos
Do sangue que escorreu do negro escravizado!
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª  edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Ciro Costa (1879 1937), paulista de Limeira, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP Largo São Francisco), foi poeta, cronista e conferencista; teve seus poemas divulgados em revistas paulistas da época A Cigarra e A Vida Moderna; não publicou livro em vida; postumamente, publicou-se Terra Prometida (1938), volume em que foram reunidos todos os seus versos; pertenceu à Academia Paulista de Letras (cadeira nº 4).