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Do taquaral à sombra, em solitária
furna,
(Para onde, com tristeza, o olhar, curioso, alongo),
Sonha o negro, talvez, na solidão noturna,
Com os límpidos areais das solidões do Congo...
(Para onde, com tristeza, o olhar, curioso, alongo),
Sonha o negro, talvez, na solidão noturna,
Com os límpidos areais das solidões do Congo...
Ouve-lhe a noite a voz plangente e
taciturna,
Num profundo suspiro, entrecortado
e longo...
E o rouco, surdo som, zumbindo na
cafurna,
É o urucungo a gemer na cadência do jongo...
É o urucungo a gemer na cadência do jongo...
Bendito sejas tu, a quem, certo,
devemos
A grandeza real de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,
A grandeza real de tudo quanto temos!
Sonha em paz! Sê feliz! E que eu fique de joelhos,
Sob o fúlgido céu, a relembrar,
magoado,
Que os frutos do café são glóbulos vermelhos
Do sangue que escorreu do negro escravizado!
Do sangue que escorreu do negro escravizado!
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Os Mais Belos Sonetos
Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de
Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora
Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Ciro Costa (1879 — 1937), paulista de
Limeira, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP — Largo São Francisco), foi
poeta, cronista e conferencista; teve seus poemas divulgados em revistas paulistas da época — A Cigarra e A Vida Moderna; não publicou livro em vida; postumamente, publicou-se Terra Prometida (1938), volume em que foram reunidos todos os seus versos; pertenceu à Academia
Paulista de Letras (cadeira nº 4).