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domingo, 15 de março de 2026

Emilio Kemp: Hora da morte

 
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Morre, e morrendo vai ouvindo a espaços,
Raros momentos de mistérios magos
Vagas dolências de luares vagos,
Sons magnéticos, insondáveis, baços...

Mãos de veludos de invisíveis braços,
Roçam-lhe a face em cândidos afagos...
Doces, suaves quietações de lagos
Os seus gemidos vão tornando escassos.

Agora escuta um remexer macio
De asas o voo rápido sustendo...
Cobre-lhe as faces um palor sombrio...

E a alma entrando no vácuo ouve, absorta,
Os sons intraduzíveis, refervendo
Na harmonia feral da carne morta!...

(Poesia. Editores: Cunha, Rentzsch & C., Livraria
Americana, pág. 76, Porto Alegre, 1920.)

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Panorama da Poesia Brasileira, Volume IV — Simbolismo, por Fernando Góes, 1959, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro — RJ; Emilio Kemp Larbeck Filho (1874 1955), nascido no Rio de Janeiro, formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Paraná, tendo exercido a profissão, mas também foi pedagogo, poeta, romancista, comediógrafo, crítico literário e jornalista; no jornalismo, trabalhou como redator no Cidade do Rio [jornal de José do Patrocínio], foi co-fundador de O Comércio e redator da Gazeta de Petrópolis, ambos em Petrópolis RJ; fundou a revista Avenida (Rio de Janeiro), redigiu O Fluminense (Niterói RJ), colaborou n’A Gazeta da Tarde, n’O Malho, n’A Imprensa, todos do Rio de Janeiro, e em outros periódicos; a partir de 1910, já em Porto Alegre RS, dirigiu e foi redator do Correio do Povo, dirigiu O Diário e Norte-Sul, fundou o jornal A Manhã, foi diretor da Imprensa Oficial, todos na capital gaúcha; ocupou cargos técnicos e administrativos em instituições ligadas à saúde pública e ao magistério, lecionou na Escola Superior de Comércio, na Escola Normal e na Escola Médico-Cirúrgica, dirigiu o Museu Julio de Castilhos, sempre em Porto Alegre; como poeta e literato, participou do simbolismo, colaborou na Revista Vera-Cruz [órgão simbolista], e ali subscreveu suas obras com o próprio nome e também com os pseudônimos Acúrcio Benigno e Baianave; escreveu e publicou: Matinal (teatro, em versos, 1898, 2ª edição em 1918), Poesia (1900, 2ª edição 1920), O Senhor Ministro (teatro, 1906), Pobre amor, o amor de Dona Amanda (romance ou novela, 1908), A Defesa da Saúde Pública no Rio Grande do Sul (tese acadêmica, 1916), Gente Alegre (comédia, teatro, 1918), Enciclopédia Brasileira de Educação — 6 volumes (compilação de trabalhos pedagógicos, 1922-1934), Luz Suprema (versos, 1938), Cantos de Amor ao Céu e à Terra (versos, 1943), A Boneca de Sofia e o Batizado (literatura infantil, 1950) e outros títulos, além de operetas e outros textos dispersos em folhetins e colunas de jornais e revistas da época.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Emilio Kemp: Almas Negras

 
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Abram-se as portas lôbregas do inferno,
Para as almas sem crença e sem bondade,
Para as almas forradas de maldade,
Escuras, negras, de um negror supremo.

Almas frias, de gelo, sempiterno,
Que um só raio de amor jamais invade
Pelos que sofrem fome e soledade,
Pelos que vivem sempre em pleno Inverno.

Sejam malditas, essas almas vesgas
Que a terra sujam de execráveis manchas...
Répteis cruzando pelo chão, de borco,

Não vislumbram, do céu, nem dúbias nesgas,
E só terão, na morte, amplas ensanchas
De entrar, uivando, nas entranhas do orco...

(Luz Suprema, págs.  55, 57-58. — 1938)

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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 2 (Coleção de Literatura Brasileira 12), Pesquisa, Prefácio, Introdução, Organização e Notas, por Andrade Muricy, 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Emilio Kemp Larbeck Filho (1874 1955), nascido no Rio de Janeiro, formou-se médico pela Faculdade de Medicina do Paraná, tendo exercido a profissão, mas também foi pedagogo, poeta, romancista, comediógrafo, crítico literário e jornalista; no jornalismo, trabalhou como redator no Cidade do Rio [jornal de José do Patrocínio], foi co-fundador de O Comércio e redator da Gazeta de Petrópolis, ambos em Petrópolis RJ; fundou a revista Avenida (Rio de Janeiro), redigiu O Fluminense (Niterói RJ), colaborou n’A Gazeta da Tarde, n’O Malho, n’A Imprensa, todos do Rio de Janeiro, e em outros periódicos; a partir de 1910, já em Porto Alegre RS, dirigiu e foi redator do Correio do Povo, dirigiu O Diário e Norte-Sul, fundou o jornal A Manhã, foi diretor da Imprensa Oficial, todos na capital gaúcha; ocupou cargos técnicos e administrativos em instituições ligadas à saúde pública e ao magistério, lecionou na Escola Superior de Comércio, na Escola Normal e na Escola Médico-Cirúrgica, dirigiu o Museu Julio de Castilhos, sempre em Porto Alegre; como poeta e literato, participou do simbolismo, colaborou na Revista Vera-Cruz [órgão simbolista], e ali subscreveu suas obras com o próprio nome e também com os pseudônimos Acúrcio Benigno e Baianave; escreveu e publicou: Matinal (teatro, em versos, 1898, 2ª edição em 1918), Poesia (1900, 2ª edição 1920), O Senhor Ministro (teatro, 1906), Pobre amor, o amor de Dona Amanda (romance ou novela, 1908), A Defesa da Saúde Pública no Rio Grande do Sul (tese acadêmica, 1916), Gente Alegre (comédia, teatro, 1918), Enciclopédia Brasileira de Educação — 6 volumes (compilação de trabalhos pedagógicos, 1922-1934), Luz Suprema (versos, 1938), Cantos de Amor ao Céu e à Terra (versos, 1943), A Boneca de Sofia e o Batizado (literatura infantil, 1950) e outros títulos, além de operetas e outros textos dispersos em folhetins e colunas de jornais e revistas da época.