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metrificar não é estranha lida
pra este cujo ofício é escrever
sem nem ao dicionário recorrer
pois busco o metro e a rima pela vida.
se a frase já vier pronta, de saída
tudo fica mais simples, reconheço,
e mesmo que ocorra algum tropeço,
confesso, não desisto da investida.
assim vou rabiscando os meus versos
que vêm aos borbotões ou bem dispersos
mas plenos de armadilhas e segredos.
palavras são tão dóceis de domar,
nem bem as acomodo no lugar
silabo uma a uma com os dedos.
* Notas deste aprendiz de blogueiro: este ‘fazer sonetos!’, gestado em 12 de janeiro de 2007, recebeu alteração deste atrevido
poeta neste janeiro de 2021 — o primeiro verso da primeira estrofe, ‘metrificar
não é inglória lida’, passa para ‘metrificar não é estranha lida’; já o ‘Apartheid soneto’, poema visual que ilustra esta página, é de autoria do poeta concreto
Avelino de Araújo (* 1963); é isso...
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga,
caipira e filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana,
escreve desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante
de açougueiro, faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios
de contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado; poeta
e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e Cinco
Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas para
o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 — 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato
dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.


