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[traduzido
por Augusto de Lima]
Das velhas impressões da infância a
ideia grata
Perdura-nos fiel, volvam embora os
anos;
Em vão do nosso abril as flores
sofrem danos,
A imagem delas fica indelével,
exata.
Ao contrário, ai de nós! — ninguém
conserva intata
A memória, apesar de esforços
sobre-humanos,
Das novas emoções, efêmeros
enganos,
Cujo traço se apaga apenas se
retrata.
Como esperto escanção que no
banquete a taça
Entretém sempre cheia, a cada vez
que passa,
Passa o tempo e nos enche a memória
também.
A lembrança mais nova é a gota
derradeira,
Que ao choque mais sutil,
transborda e cai; porém
No fundo permanece a primitiva —
inteira.
(Tradução colhida na Antologia
organizada
por Magalhães Júnior.)
Les souvenirs — Sonnet
A Madame Marthe Guéroult.
De nos émois d’enfantt le lointain souvenir
Nous est fidèle encore, en dépit des années;
Les fleurs de notre avril en vain se sont fanées,
Leurs images en nous ne se peuvent ternir.
Mais au contraire, hélas! voulons-nous retenir
De nos impressions les plus récemment nées,
Elles s’effacent vite et meurent, condamnées,
Moins anciennes dans l’âme, à plus tôt y finir.
Comme un prompt échanson qui, sans reprendre haleine,
Passe devant la coupe et la tient toujours pleine,
Le temps passe et remplit la mémoire à plein bord.
Le souvenir nouveau, c’est la dernière goutte
Qui sous le moindre heurt s’en échappe d’abord,
Tandis que la première au fond demeure toute.
(Le Prisme, poésies diverses — 1886)
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully
Prudhomme [+ ‘Poemas de Sully Prudhomme em Traduções Brasileiras’],
Apresentação ‘Prefácio’ de Anders Österling, Tradução e Notas de Mello Nóbrega,
Estudo Introdutivo de Gabriel D’Aubarède, Ilustrações de André Hambourg e
Pequena História da atribuição do Prêmio Nobel a Sully Prudhomme, por Gunnar
Ahlström — Biblioteca dos Prêmios Nobel de Literatura, 1973, Editora Opera
Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme ou René Armand François Prudhomme (1839
— 1907), francês e parisiense, ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser
engenheiro, desistiu, trabalhou como escriturário em fábrica, estudou Direito,
foi pensador, ensaísta e poeta; pertenceu ao grupo de poetas parnasianos que foram
responsáveis pela publicação de Parnasse Contemporain; elegeu-se para a Academia
Francesa (1881) e foi o primeiro autor literato a receber o recém-criado Prêmio
Nobel de Literatura (1901); obras poéticas: Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves
(1866), Les Solitudes (1869), Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872),
La France (1874), Les Vaines tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies
diverses (1886), Le Bonheur (1888) e outros escritos (diário e pensamentos); o
pensador Sully Prudhomme deixou publicado ensaios filosóficos e prosa variada
na Bibliothèque de philosophie contemporaine e nos periódicos Revue de deux
Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de Métaphysique et de Morale e
Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua biografia, consta que o poeta,
desde 1870, teve “a saúde abalada”, sofreu paralisia em “toda parte inferior do
corpo” e após a qual “nunca mais recobraria integralmente sua capacidade [motora].





