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abandonou tudo o que até então fizera parte do seu mundo: deixou de lado
o limão verde que às vezes se fazia de bola, jogos de botões se aquietaram na
gaveta.
até mesmo a bola feita de meias que fora moldada com carinho pelas mãos da mãe costureira ficou esquecida no seu cantinho.
o guri já não se imaginava jogador de futebol. trazia consigo o pressentimento de que um dia fosse crescer e que se
faria adulto tal como o pai ferroviário quase pela vida toda.
desatou então a montar palavras, encadeou frases e fez com que delas brotassem
incríveis histórias reais ou imaginárias. uma pequena estante de livros da
escola, segregada à chave pela secretaria, era o seu santuário.
tudo o mais teria que ficar empedrado e acorrentado no tempo.
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Genésio dos Santos, nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e
filho de ferroviário, quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve
desde os treze anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro,
faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de contabilidade;
veio pra São Paulo no início da década de setenta do século e milênio passados e
hoje é um bicho urbano adaptado; até um dia destes foi bancário, hoje aposentado;
poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e
Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu crônicas
para os jornais O Espelho — SP, Folha Bancária, participou no jornal Brinque (do
coletivo cultural do SeebSP, 1983 — 1985) e pilotou o devezenquandário Na Moita
(1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do Sindicato dos Bancários de São
Paulo; é aprendiz de blogueiro.