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[traduzido por Marco Lucchesi]
Oculta seu rosto o dia,
desce a noite fantasmal,
sombras pela serrania,
já dormiu o astro real,
abre-se o abismo sem fundo,
quantas estrelas no fundo!
Grão de areia sobre o mar,
nas geleiras fogaréu,
pluma que se vê passar
como poalha no céu.
Eis o que sou nessa altura,
que me abrasa e me tortura.
Lá, dizem as lumeeiras,
há mundos em profusão,
mais de mil sóis as fogueiras,
e seus povos são legião.
E para a glória eternal
sua força é toda igual.
Onde a tua lei, Natura?
Alba além do setentrião!
Habita o sol, por ventura,
lá onde nasce Aquilão?
Fogo frio nos envia
e da noite faz o dia.
Homens de vista atrevida,
descobristes plenamente
as profundas leis da vida,
que rege o menor dos entes
como todos os planetas,
dizei, quanto nos inquieta?
Quem, de noite, o raio
inflama?
Quem tira o fogo da terra?
Que relâmpagos, que chama
dos torrões o céu descerra?
Por que gélido vapor
engendra invernal fulgor?
Passam as ondas e a bruma
ou Febo raios envia
pelo ar, e não ressuma?
Ou arde a montanha fria?
Ou se acalma o doce vento
e o mar beija o firmamento?
Eis a sombra e o profundo,
que recai nos circundantes.
Dizei, pois, se é grande o
mundo?
Que guardam astros distantes?
Os viventes conheceis?
Do Criador, que sabeis?
Вечернее
размышление о Божием величестве при
случае великого северного сияния
Лице свое скрывает день:
Поля покрыла мрачна ночь;
Взошла на горы чорна
тень;
Лучи от нас склонились
прочь;
Открылась бездна, звезд полна;
Звездам числа нет,
бездне дна.
Песчинка как в морских
волнах,
Как мала искра в вечном льде,
Как в сильном вихре
тонкой прах,
В свирепом как перо огне,
Так я, в сей бездне
углублен,
Теряюсь, мысльми утомлен!
Уста премудрых нам гласят:
Там разных множество светов;
Несчетны солнца там горят,
Народы там и круг веков:
Для общей славы Божества
Там равна сила естества.
Но где ж, натура,
твой закон?
С полночных стран встает
заря!
Не солнце ль ставит
там свой трон?
Не льдисты ль мещут
огнь моря?
Се хладный пламень нас
покрыл!
Се в ночь
на землю день вступил!
О вы, которых быстрый
зрак
Пронзает в книгу вечных
прав,
Которым малый вещи знак
Являет естества устав,
Вы знаете пути планет;
Скажите, что наш
ум мятет?
Что зыблет ясный ночью луч?
Что тонкий пламень
в твердь разит?
Как молния без грозных туч
Стремится от земли
в зенит?
Как может быть, чтоб мерзлый
пар
Среди зимы рождал пожар?
Там спорит жирна мгла
с водой;
Иль солнечны лучи блестят,
Склонясь сквозь воздух
к нам густой;
Иль тучных гор верхи горят;
Иль в море дуть престал
зефир,
И гладки волны бьют
в эфир.
Сомнений полон ваш ответ
О том, что окрест ближних
мест.
Скажите ж, коль
пространен свет?
И что малейших дале
звезд?
Несведом тварей вам конец?
Кто ж знает, коль велик
Творец?
1743 г.
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Bizâncio: Marco Lucchesi [mais traduções — bilíngue — de poetas russos], Prefácio de Foed Castro Chamma e Apresentação de Ivan Junqueira, 1997, Editora Record, Rio de Janeiro — RJ; Mikhail Vasilyevich Lomonosov (1711 — 1765), russo de Denisovka,
atual Lomonosov, graduado na Universidade da Academia Imperial de Ciências, em São
Petersburgo, e com formação acadêmica completada nas universidades de Marburg e
Freiberg, na Alemanha, foi físico, químico, astrônomo, professor, gramático, escritor,
poeta, ... um autêntico polímata; após estudos na Alemanha, foi nomeado professor
de química da Academia de Ciências de São Petersburgo, e também recebeu a missão
de construir um laboratório de pesquisas; Lomonosov é considerado pioneiro em muitas
áreas do conhecimento, tais como física, filosofia, literatura e criador da formação
da cultura russa moderna; textos do polímata Lomonosov: Pismo o pravilakh rossiyskogo stikhotvorstva (Carta
sobre as regras da versificação russa), 276 zametok po fizike i korpuskulyarnoy
filosofi (276 Notas sobre Filosofia e Física Corpuscular), Slovo o polze
khimi (Слово о пользе химии, Discurso sobre a utilidade da química, 1751), Pismo
k II Shuvalovu o polze stekla (Carta a II Shuvalov sobre a utilidade do vidro, 1752),
Rossiyskaya grammatika (Gramática Russa), Kratkoy rossiyskoy letopisets (Crônica
Russa Curta), Slovo o proiskhozhdeni sveta (Origem da Luz e das Cores, 1756), etc.,
etc...; escreveu, em latim, as Meditationes
de Caloris et Frigoris Causa (Causa do Calor e Frio, 1747), o Tentamen Theoriae
de vi Aëris Elastica (Força Elástica do Ar, 1748) e Theoria Electricitatis (Teoria
da Eletricidade, 1756) e traduziu para o russo as Institutiones philosophiae experimentalis,
de Christian Wolff (Estudos de filosofia experimental); teve a originalidade de
vários de seus artigos reconhecidos pelo amigo e célebre matemático suíço Leonhard
[Paul] Euler [1707 — 1783], os quais, a seu conselho, foram publicados pela Academia
Russa no Novye kommentari; em 1937, estudiosos soviéticos publicaram uma biografia
do polímata e, depois, vieram à luz os 11 volumes de Polnoye sobraniye sochineny
(Полное собрание сочинений, Obras Completas, 1950—1983); em 1940, a Universidade
de Moscou passou a se chamar Universidade Lomonosov.