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[traduzido por Kurt Scharf e Armindo Trevisan]
Este não é Dante.
Esta é uma fotografia de Dante.
Este é um filme, no qual figura um ator, que pretende ser Dante.
Este é um filme, no qual Dante faz o papel de Dante.
Este é um homem que sonha com Dante.
Este é um homem que se chama Dante, mas não é Dante.
Este é um homem que imita Dante.
Este é um homem que se faz passar por Dante.
Este é um homem que sonha ser Dante.
Este é um homem que se parece tanto com Dante que parece ele
mesmo.
Esta é uma figura de cera de Dante.
Esta é uma criança substituída, um gêmeo, um sósia.
Este é um homem que se toma por Dante.
Este é um homem que todos, salvo Dante, tomam por Dante.
Este é um homem que todos tomam por Dante, só ele mesmo não
acredita.
Este é um homem que ninguém, salvo Dante, toma por Dante.
Este é Dante.
Erkennungsdienstliche Behandlung
Das is nicht Dante.
Das ist eine Photographie von Dante.
Das ist ein Film, in dem ein Schauspieler suftritt, der vogibt, Dante zu
sein.
Das ist ein Film, in dem Dante Dante spielt.
Das ist ein Mann, der von Dante träumt.
Das ist ein Mann, der Dante heisst, aber nicht Dante ist.
Das ist ein Mann, der Dante nachäfft.
Das ist ein Mann, der sich für Dante ausgibt.
Das ist ein Mann, der träumt, er sei Dante.
Das ist ein Mann, der Dante zum Verwechsein ähnlich sieht.
Das ist eine Wachsfigur von Dante.
Das ist ein Wechselbalg, ein Zwilling, ein Doppelgänger.
Das ist ein Mann, der sich für Dante hält.
Das ist ein Mann, den alle, ausser Dante, für Dante halten.
Das ist ein Mann, den alle für Dante halten, nur er selber glaubt nicht
daran.
Das ist ein Mann, den niemand für Dante hält ausser Dante.
Das ist Dante.
(Der Untergang der Titanic — 1978)
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Eu falo dos que não falam — Antologia, Poesia de Hans Magnus Enzensberger,
edição bilíngue, Seleção dos Textos: Kurt Scharf, com tradução de Kurt Scharf e
Armindo Teixeira, Prefácio: Bärbel Gutzat, com tradução de Betty Margarida Kunz,
1985, Editora Brasiliense e Instituto Goethe, São Paulo — SP; Hans Magnus Enzensberger
(1929 — 2022), alemão de Kaufbeuren, Baviera, estudou literatura (com doutorado)
e filosofia nas universidades de Erlangen, Freiburg, Hamburgo, além da Sorbonne,
em Paris, foi poeta, ensaísta, tradutor, escritor e editor; foi ainda redator na
rádio Süddeutscher Rundfunk, em Stuttgart, e docente para Arte Poética na Universidade
de Frankfurt; criou a revista Kursbuch e editou a série literária Die andere Bibliothek;
suas obras: Verteidingung der Wölfe (Defendendo os Lobos, poemas, 1957), Landessprache
(Fala Nacional, poesia, 1960), Allerleirauh (poemas, 1961), Gedichte, wie entsteht
ein Gedicht (1962), Blindenschrift (Braille — escrita para cegos, poesia, 1964),
Deutschland, Deutschland unter anderm (Alemanha, Alemanha, entre outros, ensaio,
1967), Der kurze Sommer der Anarchie: Buenaventura Durrutis Leben und Tod (O curto
verão da anarquia: Buenaventura Durrutis vida e morte, prosa, 1972), Palaver (Bajulação,
ensaio, 1974), Mausoleum (Mausoléu, poemas, 1975), Der Untergang der Titanic (O
naufrágio do Titanic, poema épico, 1978), Die Furie des Verschwindens (A fúria do
sumiço, poesias, 1980), Zukunftsmusik (Futuro Música, poesia, 1991), Die Tochter
der Luft (A filha do ar, ficção, 1992) e outros títulos; em seus escritos também
fez uso dos pseudônimos Linda Quitt, Andreas Yhalmayr, Elisabeth Ambras e Serenus
M. Brezengang; recebeu premiações por sua obra.









