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(Á minha amiga Lourdes Palmer)
Ser mulher não é ter nas formas de escultura,
No traço do perfil, no corpo fascinante,
A beleza que um dia o tempo transfigura
E um olhar deslumbrado atrai a cada instante...
Ser mulher não é só ter a graça empolgante,
O feitiço absorvente, a lascívia e a ternura;
Ser mulher não é ter na carne provocante
A volúpia infernal que arrasta e desfigura...
Ser mulher é ter na alma essa imortal beleza
De quem sabe pensar com toda a sutileza
E no próprio ideal rara virtude alcança...
É ter, simples e pura, os sentimentos francos...
E ainda no fulgor dos seus cabelos brancos,
Sonhar como mulher, sentir como criança!
A beleza que um dia o tempo transfigura
E um olhar deslumbrado atrai a cada instante...
Ser mulher não é só ter a graça empolgante,
O feitiço absorvente, a lascívia e a ternura;
Ser mulher não é ter na carne provocante
A volúpia infernal que arrasta e desfigura...
Ser mulher é ter na alma essa imortal beleza
De quem sabe pensar com toda a sutileza
E no próprio ideal rara virtude alcança...
É ter, simples e pura, os sentimentos francos...
E ainda no fulgor dos seus cabelos brancos,
Sonhar como mulher, sentir como criança!
Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros (segunda série, 1ª edição), selecionados por Edgard Rezende, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ, 1950; Carmen Cinira (1905 —1933), carioca, nascida Cinira do Carmo Bordini Cardoso em 1905, foi poeta; consta, de sua bibliografia: "Primeiros vôos", Rio, 1928; "Grinalda de Violetas", Rio, 1929; "Sensibilidade" (últimos versos), póstumo, 1934; "Crisálida" (prefácio de Osório Duque Estrada), póstumo, Rio, 1935.