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Orgânica matéria começada
na existência de um germe, que mui breve
a larvas bem vorazes talvez leve,
adube a terra e seja outra vez nada;
arcabouço de vísceras enfermas,
em que bilhões de células debalde
tentam reproduzir-se, embora escalde
nos vasos quente sangue a refazer-mas;
eu, que sinto no cérebro os remorsos,
no batuque de vil coreografia,
vencerem da razão os vãos esforços;
que irei caber no espaço exíguo, enfim,
dos sete palmos duma cova fria,
acho o mundo pequeno para mim!
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Antologia
de Poetas Fluminenses — Rubens Falcão, Carta-Prefácio de
Agripino Grieco, 1968, Gráfica Record Editora, Rio de Janeiro — RJ; Arípio Rodrigues Fortes
(1897 — 1962), fluminense de Niterói, formado em Farmácia e Odontologia e Ciências
Sociais e Jurídicas, foi escritor, poeta e prosador; escreveu e publicou, em 1951, Flores
Secas (seleção de trabalhos dos anos de 1918 a 1949) e deixou-nos vários inéditos:
Carapuças (contos), Espelho de Minh’Alma, Cantando e Chorando (trovas),
Ligeiras Considerações sobre a Trova — Coincidência e Plágio, e um estudo sobre
o valor medicinal das águas de Guarapari.