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[traduzido
por Renato Janine Ribeiro]
Thomas Mowbray,
Duque de Norfolk, acaba de ser sentenciado pelo rei ao desterro perpétuo.
Pesada é
a pena, Senhor meu suserano,
E tão
inesperada na boca de Vossa Alteza!
Melhor recompensa,
que a profunda mutilação
De ver-me
exposto ao ar vago do mundo.
Merecera eu
das mãos de Vossa Alteza.
A fala
que aprendi estes quarenta anos
O meu
inglês nativo, devo agora abjurar,
E minha
língua só me valerá
De viola
ou harpa sem cordas,
Ou será
como sutil instrumento em sua caixa guardado,
E, se
aberto, tomado em mãos
De quem
com sua harmonia não sabe atinar.
Em minha
boca foi trancafiada a língua,
Sob dupla
trava, de lábios e dentes;
E Ignorância — aborrecida, insensível, estéril —
Cuidará de
mim feito carcereira.
Sou velho
demais, para uma babá afagar,
Avançado em
anos, para tornar a aluno.
Que é tua
sentença, sendo muda morte
Que rouba
à minha língua o seu ar nativo?
(do Ato 1, cena 3, de “Ricardo 2º”)
[suplemento
dominical de cultura] Folhetim*, 13.03.83
A heavy sentence, my most sovereign
liege,
And all unlook'd for from your
highness' mouth:
A dearer merit, not so deep a maim
As to be cast forth in the common
air,
Have I deserved at your highness'
hands.
The language I have learn'd these
forty years,
My native English, now I must
forego:
And now my tongue's use is to me no
more
Than an unstringed viol or a harp,
Or like a cunning instrument cased
up,
Or, being open, put into his hands
That knows no touch to tune the
harmony:
Within my mouth you have engaol'd
my tongue,
Doubly portcullis'd with my teeth
and lips;
And dull unfeeling barren ignorance
Is made my gaoler to attend on me.
I am too old to fawn upon a nurse,
Too far in years to be a pupil now:
What is thy sentence then but
speechless death,
Which robs my tongue from breathing
native breath?
* Nota do
blogue Verso e Conversa: o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página
registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de
São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro, trazia como objetivo inicial
ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura
modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de
Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem
carioca.
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Folhetim:
Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr.
e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São
Paulo, São Paulo — SP; William Shakespeare (1564 — 1616), nascido em Stratford-upon-Avon,
poeta e dramaturgo inglês, é tido como o mais influente dramaturgo do mundo; de
Shakespeare, consta que restaram até nossos dias 38 peças, 3154 sonetos, dois longos
poemas narrativos e diversos outros poemas; suas peças foram traduzidas para os
principais idiomas do globo e são revisitadas e interpretadas frequentemente pelo
teatro, televisão, cinema e literatura — que o digam Romeu e Julieta e Hamlet, por
exemplo; principais obras: escreveu comédias (Sonho de Uma Noite de Verão, O Mercador
de Veneza, A Comédia de Erros, A Megera Domada, A Tempestade, Cimbelino, e tantas
outras), tragédias (Tito Andrônico, Romeu e Julieta, Júlio César, Macbeth, Coriolano,
Rei Lear, Otelo — O Mouro de Veneza, Hamlet etc.), dramas históricos (Rei João,
Ricardo II, Ricardo III, Henrique IV — partes 1 e 2, Henrique V, Henrique VI — partes
1, 2 e 3, Henrique VIII e Eduardo III).





