domingo, 30 de novembro de 2025

Batista Cepelos: O trem de ferro

 
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Um fino apito, estrídulo sibila,
rangem as rodas num arranco perro,
e, lentamente, a se arrastar, desfila,
fumegante e luzente, o trem de ferro.

Soa no espaço um derradeiro berro
e tão rápido corre que horripila,
esse monstro a rolar de cerro em cerro,
apavorando a solidão tranqüila.

Vence choupanas, matagais tristonhos,
despenhadeiros, báratros medonhos,
nada lhe amaina o rábido furor.

Corre, corre veloz, nada o embaraça,
desfraldando a bandeira de fumaça,
como um bravo guerreiro vencedor!


* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: Sergio Faraco, organizador do livro 60 Poetas Trágicos, ali registrou acerca do poeta Batista Cepelos:
De origem humilde e paternidade que desconhecia, teve seu curso de Direito custeado pelo advogado e professor Francisco de Assis Peixoto Gomide, senador e governador de São Paulo. O poeta, então promotor público, frequentava a casa do benfeitor e começou a namorar uma de suas filhas. De início não houve oposição familiar, mas quando os namorados resolveram se casar, o senador se opôs com inaudita veemência e, às vésperas da cerimônia, exigiu um rompimento. A moça se negou a obedecer, e então o pai, fora de si, matou-a com um tiro de revólver, suicidando-se em seguida. Com o tresloucado gesto, quisera evitar uma relação incestuosa: Batista Cepelos era seu filho natural. Chocado com tamanha insânia, mudou-se o ex-noivo para o Rio de Janeiro, onde se tornou conhecido como poeta simbolista e tradutor de Mallarmé, Verlaine e Gôngora. Nove anos após a tragédia, foi encontrado morto aos pés de um penhasco no Catete. Ignora-se se foi suicídio ou acidente, pois [o poeta] era míope.
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Manuel Batista Cepelos (1872 1915), ou Baptista Cepellos, paulista de Cotia, formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo, foi soldado, advogado, promotor público, poeta, romancista, tradutor e teatrólogo; escreveu e publicou A Derrubada (poesia, 1896), O Cisne Encantado (poesia, 1902), Os Bandeirantes (poesia, obra prefaciada por Olavo Bilac, 1906, e 3ª edição refundida e modificada em 1911), Os Corvos (prosa, 1907), Vaidades (poesia, 1908), O Vil Metal (romance e novela, 1910), Maria Madalena (drama bíblico, em versos); como tradutor, Batista Cepelos é tido como o primeiro autor brasileiro a verter para a língua portuguesa, em livro, o poema ‘Azul’, da obra de Stéphane Mallarmé; traduziu também Gôngora, Baudelaire, Paul Verlaine e Lorenzo Stecchetti; como promotor público, Batista Cepelos trabalhou em Apiaí SP, Itapetininga SP e Cantagalo RJ.

sábado, 29 de novembro de 2025

Heine: Diz que outrora um cavalheiro Adorava uma donzela, . . .

 
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[traduzido por Ary de Mesquita]

XXXIX.

Diz que outrora um cavalheiro
Adorava uma donzela,
Que amava outro, e que, um dia,
Foi saber que não a ela,
Mas a outra este queria.

De rancor e de despeito,
Ao primeiro namorado
Ela aceita o casamento,
E o cavalheiro, coitado!
Vai morrer de sofrimento.

* * *

Tais histórias são antigas,
Antigas como as estrelas,
Mas sempre novas serão,
E a quem sucede uma delas
Se lhe parte o coração.

(Livro das Canções [inclui Intermezo Lírico] — 1827)

Heinrich Heine

Ein Jüngling liebt ein Mädchen

Lied XXXIX.

Ein Jüngling liebt ein Mädchen,
Die hat einen andern erwählt;
Der andre liebt eine andre,
Und hat sich mit dieser vermählt.

Das Mädchen heiratet aus Ärger
Den ersten besten Mann,
Der ihr in den Weg gelaufen;
Der Jüngling ist übel dran.

Es ist eine alte Geschichte,
Doch bleibt sie immer neu;
Und wem sie just passieret,
Dem bricht das Herz entzwei.

[1822]

(Buch der Lieder [+ Lyrisches Intermezzo] — 1827)
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Clássicos Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º. Volume [vários autores e tradutores] — Selecção e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Christian Johann Heinrich Heine (1797 1856), alemão de Dusseldorf, formou-se em Direito, estudou nas universidades de Bonn, Göttingen e Berlim, sempre se interessou mais pela literatura, foi poeta, ensaísta, jornalista e crítico literário; em 1817, teve poemas publicados pela primeira vez na revista Hamburgs Wächter; frequentou salões e círculos literários berlinenses, traduziu obras de Lord Byron; teve boa parte de sua obra lírico-poética musicada por renomados compositores: Franz Schubert, Robert Schumann, Felix Mendelssohn, Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner, e, já no século XX, por José Maria Rocha Ferreira, Hans Werner Henze e Lord Berners; Heine, devido a suas posições político-progressistas e críticas à Alemanha, sofreu censura, seus livros estiveram proibidos de circular no país e, em 1831, o poeta foi forçado a se mudar para Paris; viveu no exílio até a morte parte deste período esteve “permanentemente acamado devido a uma doença espinhal” que o paralisou; suas obras: Gedichte (Poesias, 1821), Reisebilder (Quadros de Viagem, 4 volumes, prosa, 18261831), Buch der Lieder [+ Lyrisches Intermezzo] (Livro das Canções [inclui Intermezo Lírico 20 poemas], poesias, 1827), Neue Gedichte (Novos Versos, 1844), Hebraïsche Melodien (Melodias Hebraicas), Lyrische und Spruchwitz-Dichtung (Poesia Lírica e sarcástica), Deutschland. Ein Wintermärchen (Alemanha. Um Conto de Inverno, poema satírico, 1844), Atta Troll — Ein Sommermachtstraum (Atta Troll — sonho de uma noite de verão, 1847), Romanzero (Romanceiro, poesias, 1851), Der Doktor Faust — Ein Tanzpoem (Doutor Fausto — um poema-dança, 1851), Die Götter im Exil (Os deuses no exílio, 1853), Letzte Gedichte (Últimos Versos, publicação póstuma, 1869), entre outros títulos, inclusive prosa.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

William Blake: A Resposta da Terra

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[traduzido por Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho]

A face da Terra é surgida
Do breu, funesta e temida;
Sua lua fugida,
Espavorida!
Trancada, aflita, escondida:

“Na praia, entocada;
Pelo Ciúme do Céu confinada;
Cinza e gelada,
Angustiada,
Ouço o Pai de eras passadas.

Vaidoso pai da criação!
Cruel e ciumenta aflição!
Poderia a satisfação,
Cativa na escuridão,
Às virgens dar concepção?

A primavera oculta seu deleite
Quando os botões são florescentes?
Pode quem planta a semente
Fazê-lo à noite somente?
E há quem are ao sol poente?

Rompei este grilhão,
Egoísta e vão,
Que meus ossos congela em sua ação!
Eterna maldição,
Que fez do livre Amor escravidão!”

(Canções da Experiência — 1794)

William Blake

Earth’s Answer

Earth rais'd up her head,
From the darkness dread & drear.
Her light fled,
Stony dread!
And her locks cover'd with grey despair.

“Prison'd on wat’ry shore,
Starry Jealousy does keep my den:
Cold and hoar,
Weeping o'er,
I hear the Father of the ancient men.

Selfish father of men!
Cruel, jealous, selfish fear!
Can delight,
Chain'd in night,
The virgins of youth and morning bear?

Does spring hide its joy
When buds and blossoms grow?
Does the sower
Sow by night,
Or the plowman in darkness plow?

Break this heavy chain
That does freeze my bones around.
Selfish! vain!
Eternal bane!
That free Love with bondage bound.”

(Songs of Experience — 1794)
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William Blake — Canções da Inocência e Canções da Experiência, Edição bilíngue comentada, Tradução e Textos Introdutórios e Comentários de Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho, 2005, Disal Editora, São Paulo — SP; William Blake (1757 1827), inglês e londrino, foi tipógrafo, escritor, poeta, gravurista e artista plástico do pré-romantismo na Inglaterra; consta de sua biografia que, por decisão paterna, o poeta esteve alheio às escolas, não cumpriu a pedagogia oficial de então e foi incentivado a trilhar seu próprio caminho e desenvolver seus dotes artísticos; aprendeu técnicas de gravura e iniciou-se como gravurista; associou-se ao tipógrafo James Parker, abriu um atelier de impressão e passou a imprimir seus livros e suas gravuras; em 1779, foi admitido na Academia Real londrina, “a quem produziu gravuras para romances e catálogos em troca de instrução”; William Blake pode ser considerado um dos fundadores do movimento romântico, o Romantismo, na literatura inglesa; suas obras: Poetical Sketches (Esboços Poéticos, 1783), Songs of Innocence (Canções da Inocência, 1789), The French Revolution: A Poem in Seven Books (A Revolução Francesa, 1791), The Marriage of Heaven and Hell (O Casamento do Céu e do Inferno, 1793), Songs of Experience (Canções da Experiência, 1794), Milton (1804), Jerusalem (1820), “Rossetti” Manuscript (Manuscrito “Rossetti", publicação póstuma) e outros títulos, além de ilustrações e pinturas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

João Guimarães Rosa*: Lunático

 
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Vou abrir minha janela sobre a noite.
E já bem noite, a lua,
alta a um terço do seu arco,
terá de deslizar pelo meu quarto adentro,
e passear sobre o meu rosto, adormecido e lívido,
quando eu sair a sonhar pelas estradas noturnas,
sem fim, sem marcos, nem encruzilhadas,
que levam à região dos desabrigos…
Sonharei com mares muito brancos,
de águas finas, como um ar dos cimos,
onde o meu corpo sobrenada solto,
por entre nelumbos que passam boiando…
Ouvirei a rainha do País do Suave Sonho,
cantando no alto sempre o mesmo canto,
como a sereia do sempre mais alto…
E a janela se fecha, prendendo aqui dentro
o raio suave que prendia a lua…
Para que eu soçobre no mar dos nenúfares grandes,
onde remoinham as formas inacabadas,
onde vêm morrer as almas, afogadas,
e onde os deuses se olham como num espelho...


* Nota do blogue Verso e Conversa: sobre o livro Magma e seu autor, o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página, expõe que em Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos, o organizador Manuel Bandeira escreveu sobre Guimarães Rosa, à guisa de minitraços biobibliográficos:
Pouca gente sabe que Guimarães Rosa estreou nas letras com um livro de versos — Magma (1936), aliás premiado pela Academia Brasileira de Letras. Mas o grande Rosa só se iria revelar na prosa, onde se tornou um inovador e personalíssimo: Grande Sertão: Veredas é um dos mais altos cumes de nossa literatura de ficção. O poeta porém não morreu em Rosa. Digo o poeta formal, o poeta autor de poemas, porque em tudo o que escreve há sempre poesia e da melhor. O poeta formal continuou, mas enquadrado na categoria dos bissextos. Com efeito, em 61, apareceram n'O Globo, na crônica semanal assinada por ele, alguns poemas de um certo Soares Guiamar, e o apresentador advertiu: "Ser poeta, aliás, é já estar adiante, em muita experimentada sorte de velhice." Mas quem atentar no nome de Soares Guiamar, descobrirá que ele é anagrama de Guimarães Rosa’; em alguns poemas (inéditos ou publicados em colunas nos jornais, em 1961), Guimarães Rosa, ou J. Guimarães Rosa, faz uso de nomes anagramáticos (Soares Guiamar, Sá Araújo Ségrim, Meuriss Aragão, Romaguari Sães) para dar autoria à sua criação. Tais menções constam em textos de Ave, palavra — Guimarães Rosa, Nota Introdutória de Paulo Rónai, 1970, Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro — RJ.
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Magma — João Guimarães Rosa, Parecer — a título de prefácio — de Guilherme de Almeida e desenhos de Poty, 1997, 2ª impressão em 2006, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; João Guimarães Rosa (1908 1967), mineiro de Cordisburgo, estudou no Colégio Santo Antônio [São João del-Rei] e no Colégio Arnaldo [Belo Horizonte], formou-se médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de Minas Gerais (atual UFMG), foi diplomata, contista, novelista, romancista e também poeta; em 1929, fez sua estreia na literatura com o conto O mistério de Highmore Hall, à época publicado em O Cruzeiro; em 1936, seu único livro de poesias, Magma, foi inscrito e participou de um concurso poético promovido pela Academia Brasileira de Letras, e, embora tenha sido premiado com louvor em primeiríssimo lugar, permaneceu inédito até a década de 90, sessenta anos após; Guimarães Rosa, o poeta de Magma, é ampla e exemplarmente re-conhecido por seus contos, novelas e romances; escreveu e publicou Sagarana (contos, 1946), Corpo de Baile (ciclo novelesco, 2 volumes, 1956), Manuelzão e Miguilim (1964), Noites do Sertão (1965), Grande sertão: Veredas (romance, 1956), Primeiras estórias (contos, 1962), Campo geral (1964), Tutameia — Terceiras estórias (contos, 1967), os postumamente editados Estas estórias (contos, 1969) e Ave, palavra (diversos escritos: crônicas, poemas, 1970) etc.; colaborou no Correio da Manhã, no suplemento Letras e Artes de A Manhã, n’O Globo e na revista Pulso; seus livros foram traduzidos no exterior (França, Itália, Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Espanha, Polônia, Holanda e Checoslováquia); recebeu premiações por suas obras; como servidor diplomático, exerceu funções na Alemanha (Hamburgo), Colômbia (Bogotá) e França (Paris).

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Adélia Prado: Episódio

 
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Ele tinha o costume de gesticular seu pensamento,
de sorte que estar parado era já ter compreendido
ou não ter dúvidas. Foi um abalo enorme quando se deu o que conto,
porque ultimamente ocupava a compreensão em tomar os remédios,
não comer sal, medir cor e volume de sua urina difícil.
Sem que ninguém suspeitasse ficou em pé na sala
e começou a cantar, pondo e tirando da jarra o galhinho de flor,
a voz como antes, firme, alta, grossa, anterior
a qualquer debilidade do seu corpo.
Um susto às avessas do susto foi o nosso,
porque a barriga dele continuava altíssima e alagava a mina
rompida de sua perna. Fugimos como nas guerras.
Um de nós foi chorar na privada, outro no quintal,
eu inventei uma barata pra matar com um chinelo.
A alegria dele desertava, quase, do que fosse
uma alegria humana e não estávamos à altura de entendê-la.
Sofrer era muito mais fácil.

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Bagagem — Adélia Prado, edição revisada, 27ª edição, 2008, Editora Record, São Paulo — SP; Adélia Luzia Prado de Freitas, nascida em 1935, mineira de Divinópolis, fez seus estudos iniciais no Grupo Escolar Padre Matias Lobato e no Ginásio Nossa Senhora do Sagrado Coração, cursou o magistério na Escola Normal Mário Casassanta e fez filosofia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, professora e filósofa, é contista e poetisa; como professora, começou a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho em 1955; exerceu o ofício no magistério por 24 anos, em várias instituições de ensino de sua Divinópolis; na publicação de seu livro de estréia (Bagagem: poemas), em 1976, teve Carlos Drummond de Andrade como seu padrinho poético; suas obras: em poesia, Bagagem (Imago, Rio de Janeiro, 1976), O coração disparado (agraciado com o Prêmio Jabuti, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1978), Terra de Santa Cruz (Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1981), O pelicano (Guanabara, Rio de Janeiro, 1987), A faca no peito (Rocco, Rio de Janeiro, 1988), Poesia reunida (Siciliano, São Paulo, 1991), Oráculos de maio (Siciliano, São Paulo, 1999), A Duração do Dia (2010) etc., em prosa, Solte os Cachorros (contos, 1979), Cacos para um Vitral (1980), Os Componentes da Banda (1984), Manuscritos de Filipa (1999), Filandras (2001); a poetisa participou de várias antologias e teve obras vertidas para os idiomas espanhol, inglês e italiano, entre os quais The Headlong Heart (O Coração Disparado, inclui também poemas de Terra de Santa Cruz e Bagagem), The Alphabeth in the Park (O Alfabeto no Parque: seleção de poemas), El Corazón Disparado, Bagaje (Bagagem) e Poesie (Poesia: antologia em italiano); premiações recebidas: além do Prêmio Jabuti (por O Coração Disparado, 1978), a poetisa foi agraciada em 2024, com o Prêmio Camões (por sua obra em língua portuguesa) e o Prêmio Machado de Assis (da ABL Academia Brasileira de Letras); Adélia Prado permanece morando em Divinópolis, sua cidade natal.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Lêdo Ivo: Ode à Permanência

 
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          Repilo a voz iracunda que condena antecipadamente os sinais da vida e do mundo.
          Não me agradam os passantes que, contemplando os arranha-céus e os mendigos que se lavam nos lagos imundos das praças, as arquibancadas dos estádios e as luzes dos aeroportos, os transeuntes e as estátuas, as escadas rolantes dos centros comerciais e as inscrições obscenas dos mictórios dos botequins, as brancas represas murmurantes e o chão industrial que esconde os gasodutos, os cemitérios de automóveis e os paletós pendentes como espantalhos decepados na porta das lavanderias, os motéis ajardinados e os cartazes dilacerados dos outdoors, advertem que este presente haverá de desfazer-se, e será menos que cinza espalhada pelo vento do mundo.
          Incomoda-me a agressão dessa voz rancorosa que, apontando para o passado esvaído, desde já argumenta que o futuro, embora ainda seja uma promessa suspensa no ar como um balão invisível, também passará, e esse monótono rumor dos homens espremidos nos bancos das estações rodoviárias ou caminhando pelos corredores ministeriais se dissipará, tornado nada, a exemplo das grandes cidades milenares convertidas em relva.
          Que a permanência, e não o pó, seja o exemplo  e a memória, e não o esquecimento, seja o argumento de nossas vidas e a consolação de nossas mortes.

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Antologia Poética — Coleção Prestígio, Lêdo Ivo, Seleção de Walmir Ayala e Introdução de Antônio Carlos Villaça, 1990, Ediouro — Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, fez o primário no Grupo Escolar D. Pedro II e o secundário no Colégio Diocesano, bacharelou-se pela Faculdade Nacional de Direito (hoje UFRJ) e não exerceu a profissão, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1938, deu início à colaboração na imprensa local [Maceió] e teve textos publicados na revista Carioca [Rio de Janeiro]; em 1940, transferindo-se para Recife, cursou o Colégio Carneiro Leão e também colaborou na imprensa; em 1942, de volta a Maceió, concluiu o curso “complementar” no Liceu Alagoano, trabalhou como repórter e, em 1943, já no Rio de Janeiro, formou-se em Direito, passou a colaborar em suplementos literários e trabalhou como jornalista; em 1944, estreou na vida poética com a publicação de As Imaginações; suas obras: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Finisterra (poesia, 1972, laureado com o Prêmio Luísa Cláudio de Sousa), A Noite Misteriosa (1982), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance [recebeu o Prêmio Graça Aranha], 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; Lêdo Ivo, que obteve diversas premiações na área da literatura, teve obras vertidas para os idiomas espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski; viajou por diversos países das Américas e da Europa.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Haroldo de Campos: brinde (mallarmeano) a vasko popa

 
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[traduzido por Aleksandar Jovanović,
com a colaboração de Vasko Popa]

um monumento ao ar
                                       brasília
para o olhar flamante de vasko
popa
        meu amigo à proa
de vidro do sonho que voa.

entre o mármore passivo e o oxigênio
móvel
         preferir este último
que enraíza nas veias o mais íntimo
reduto do homem: o seu pulso.

no livro ler além do livro
ler na arquitetura o espaço livre
leciona esse olhar.

poetariado: à senha da poesia
circula um verso subversivo
e em teu nome vasko eu saúdo
os carbonários desse verso vivo.

São Paulo, 16 de abril de 1987.

Haroldo de Campos

zdravica (malarmeovska) vasku popi

spomenik vazduhu
                                        brazilskom
za sjajno oko vaska
pope
                  mog prijatelja na staklenom
pramcu sna koji leti.

izmedju neotpornog mermera i pokretnog
kiseonika
                 više voleti ovaj poslednji
koji ukorenjuge u venama najprisnijem
čovekovom strovištu: njegov damar.

u knjizi čitati spoljašnost-knjigu
čitati i neimarstvu slobodan prostor
pogled ovaj naš uči.

poetarijat: pod znamenjem pesništva
kruži prevratnički jedan korak
i u tvoje ime vasko ja pozdravljam
karbonare živog ovog stiha.

(publicada no jornal diário iugoslavo Politika,
em 1987, juntamente com reportagem
sobre a visita de Vasko Popa ao Brasil.)
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Vasko Popa: Osso a Osso, Tradução, Organização e Notas de Aleksandar Jovanović [+ 2 poemas com traduções de Nelson Ascher e Haroldo de Campos], Imprólogo de Octavio Paz, Texto da contra-capa, por Haroldo de Campos, 1989, Editora Perspectiva — Coleção Signos, São Paulo — SP; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (USP), foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), A educação dos cinco sentidos (1985), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), Crisantempo no espaço curvo nasce um (1998), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

domingo, 23 de novembro de 2025

Henrique de Resende: O Canto da Terra Verde

 
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Leva de negros.

Fuzila o sol tinindo nas cacundas nuas.

No ar o lampejo metálico das enxadas e das picaretas.

(A quando e quando
estrala a dinamite, estrondando e rebom-
                                  bando no seio bruto
                                    da pedreira bruta.)

E as estradas de rodagem, a custo, lentamente,
                                                     se entrelaçam,
como um cordame de veias,
no corpo adusto
da terra inóspita.

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Verde (Revistas do Modernismo 1922 — 1929), edição fac-similar, Prefácio / Ensaio de Júlio Castañon Guimarães e Organização de Pedro Puntoni e Samuel Titan Jr., 2014 — Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, São Paulo — SP; Enrique de Rezende ou Henrique de Resende ou Henrique Vieira de Resende (1899 1973), mineiro e cataguasense, fez seus estudos iniciais na Fazenda do Rochedo, Cataguases, cursou o Colégio Anglo-Brasileiro [Rio de Janeiro], estudou Matemática em Ouro Preto MG, formou-se engenheiro civil pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora [hoje Faculdade de Engenharia da UFJF Universidade Federal de Juiz de Fora MG], exerceu o ofício de engenheiro, foi escritor e poeta; [H]Enrique de Rezende fez parte da geração modernista mineira, participando ativamente da criação da modernistíssima revista Verde (19271929), editada em Cataguases, tendo sido um dos signatários do Manifesto do Grupo Verde, o qual deu origem à verdejante revista; suas obras: Turris Eburnea (poemas simbolistas, 1923), Poemas Cronológicos (com Rosário Fusco e Ascânio Lopes, 1928), Cofre de Charão (poemas, 1933), Retrato de Alphonsus de Guimaraens (ensaio, 1938), Rosa dos Ventos (coletânea: poemas escolhidos + 16 trabalhos originais, 1957), A Derradeira Colheita (reunião de sua obra poética, 1964), Pequena história sentimental de Cataguases (ensaio histórico, 1969), Estórias e memórias (crônicas memorialísticas, 1971), Obras Completas, ...; foi eleito membro da Academia Mineira de Letras em 1966.

sábado, 22 de novembro de 2025

Antero de Quental: Evolução

 
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Fui rocha, em tempo, e fui no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onde, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquíssimo inimigo...

Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo...

Hoje sou homem e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade...

Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente á liberdade.

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Clássicos Jackson, Volume XXXIX — Poesia, 2º. Volume [vários autores e tradutores] — Selecção e Notas de Ary de Mesquita, 1958, W. M. Jackson Editores, Rio de Janeiro — RJ; Antero Tarquínio de Quental (1842 1891), natural de Ponta Delgada, Ilha de São Miguel [Arquipélago dos Açores] Portugal, formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, foi poeta, escritor e tipógrafo; publicou seus primeiros sonetos em 1861 e, quatro anos após, influenciado pelo socialismo experimental de Pierre J. Proudhon, publicou Odes Modernas, na qual enalteceu a revolução e cuja obra esteve na origem da Questão Coimbrã, polêmica vivida pelo poeta e outros autores da época por instigarem a revolução intelectual; em 1866, indo viver em Lisboa, experimentou a vida de operário ao trabalhar como tipógrafo; foi um dos fundadores do Partido Socialista Português; em 1869, ajudou a fundar o jornal A República; em 1872, participou da edição da revista O Pensamento Social, colaborando igualmente em diversas outras publicações periódicas; escreveu e publicou Sonetos de Antero (1861), Odes Modernas (na origem da polêmica Questão Coimbrã, 1865), Bom Senso e Bom Gosto (opúsculos, 1865), A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais (também na origem da Questão Coimbrã, 1865), Portugal perante a Revolução da Espanha (1868), Primaveras Românticas (1872), Considerações sobre a Filosofia da História Literária Portuguesa (1872), A Poesia na Actualidade (1881), Sonetos Completos (1886), A Filosofia da Natureza dos Naturistas (1886) entre outros títulos; suicidou-se com dois tiros de revólver, em 11 de setembro de 1891.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Jean Richepin: Analyse

 
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[Análise]

[III]

[traduzido por Lúcio de Mendonça1]

Ó lágrimas, em que se vão nossos rancores,
Qual proceloso céu, fuliginoso, troante,
Elétrico, e que em chuva esvaece num instante;
Ó lágrimas, ó mais suave dos licores,

Quando vos bebe o amante a berijos vencedores,
Qual bebe o sol, passado o chuveiro, anhelante,
Pelas nuvens que enxuga, o arco-íris brilhante;
Ó lágrimas, que assim cais de nossas dores,

Como o orvalho, da flor cai do quebrado cálice;
Vauquelin2 e Foureroy3 fizeram-vos a análise,
Ó lágrimas, e os dois, no crisol, afinal,

Encontraram, por junto, o que aqui vai escrito:
Água, sal, soda, muco, e fósforo de cal.
Ó lágrimas, ideal rócio d’alma!... Bonito!

(Minas, 1885)
[Murmúrios e Clamores —  ‘agrupamento Musa Peregrina:
traduções’ — poesias completas, de Lúcio de Mendonça, 1902,
pág. 304, H. Garnier, Livreiro-Editor, Rio de Janeiro — RJ]

Jean Richepin

Analyse

[Sonets Amers III]

O larmes, où s'en vont se noyer nos rancœurs,
Comme un ciel orageux, grondant, couleur de suie,
Chargé de foudre, et qui soudain se fond en pluie;
O larmes, ô la plus suave des liqueurs,

Quand un amant vous boit sous ses baisers vainqueurs
Ainsi que le soleil après l'averse enfuie
Boit l'arc-en-ciel dans les nuages qu'il essuie;
O larmes, diamants qui tombez de nos cœurs

Comme l'eau du matin tombe des fleurs brisées;
Vauquelin et Fourcroy vous ont analysées,
O larmes; et dans leurs creusets, sur leurs réchauds,

Ils ont trouvé ceci, tel que je vais écrire:
Eau, sel, soude, mucus et phosphate de chaux.
O larmes, diamants du cœur!... Laissez-moi rire!

(Les Blasphemes [groupement Sonets Amers], 1884)

Nota de R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida de Augusto dos Anjos:
1. A tradução de Lúcio de Mendonça foi incluída na “Musa Peregrina [traduções]”, na parte final do volume Murmúrios e clamores, publicado em 1902. Várias outras saíram em jornais e revistas.
Notas do blogue Verso e Conversa: O atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página destaca:
2. Louis Nicolas Vauquelin, cientista francês, assistente e sucessor de Fourcroy na Universidade de Paris [cfe. R. Magalhães Júnior, autor deste Poesia e Vida ...]
3. Conde Antoine François de Fourcroy, cientista francês da Universidade de Paris, foi responsável pela análise da “composição química das lágrimas humanas” [assistido por Vauquelin], no início do século 19. [idem item 2, acima]
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Poesia e Vida de Augusto dos Anjos: R. Magalhães Júnior, 2ª edição corrigida e aumentada, 1978, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro RJ, e Instituto Nacional do Livro — MEC, Brasília DF; Auguste-Jules Richepin, ou Jean Richepin (1849 1926), franco-argelino nascido em Medeia Argélia, à época departamento francês no norte da África, diplomou-se em Literatura na École Normale Supérieure, Paris, foi poeta, romancista, dramaturgo, marinheiro, estivador, porteiro, professor ...; frequentador do Quartier Latin a Montmartre, bairros parisienses, sua vida boêmia e marginal acabou por inspirá-lo na criação das primeiras e provocativas poesias, as quais, já na estréia com sua obra La chanson de Gueux (poemas, 1876), tal como o ocorrido com Baudelaire (na publicação de Les Fleurs du Mal), lhe renderam uma condenação à prisão, além do pagamento de 600 francos de multa, pelo fato de alguns dos poemas terem sido considerados ofensivos e terem causado escândalo social; suas obras: coleções de poemas: Chanson des gueux (1876), Les Caresses (groupements: Floréal, Thermidor, Brumaire et Nivôse, 1877), Les Blasphemes (1884), La Mer (1886), Les Litanies de la mer (1894), Mes Paradis (1894), La Bombarde (1899), Poèmes durant la guerre: 1914-1918 (1919), Les Glas (1922) ..., romances: Les Morts bizarres (1876), Madame André (1878), La Glu (1881), Le Pave (1883), Miarka la fille à l'ours (1883), Les braves gens (1886), Césarine (1888) ..., e peças teatrais: Nana Sahib (drame en vers en 7 tableaux, 1883), Le Chemineau (drame en 5 actes, 1897), etc.; o poeta também compôs textos para músicos, colaborou em vários jornais, pertenceu à Académie Française (Academia Francesa); um “viajante incansável”, andejou por Londres, viajou pela Itália, Espanha, Alemanha, Escandinávia, Norte da África, ocasiões em que proferia conferências e redigia artigos para a imprensa parisiense.