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o poeta que há em mim
não é como o escrivão que há
em ti
funcionário autárquico
o profeta que há em mim
não é como a cartomante que há
em ti
cigana fulana
o panfleta que há em mim
não é como o jornalista que há
em ti
matéria paga
o pateta que há em mim
não é como o esteta que há em
ti
cana a la kant
o poeta que há em mim
é como o voo no homem
pressentido
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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa
Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Chacal,
nascido em 1951, carioca, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, é poeta, cronista,
letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação
Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo
e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia,
Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa,
editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas
gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro
livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou
com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu
crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil,
foi letrista parceiro de compositores e músicos — Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes
Moreira; obras: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986),
Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002),
Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Murundum
(2012), Tudo e mais um pouco (2016), Alô, poeta (2016) etc.; o poeta, que também
trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações
do Futuro ...
