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quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Chacal: o poeta que há em mim . . .

 
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o poeta que há em mim
não é como o escrivão que há em ti
funcionário autárquico

o profeta que há em mim
não é como a cartomante que há em ti
cigana fulana

o panfleta que há em mim
não é como o jornalista que há em ti
matéria paga

o pateta que há em mim
não é como o esteta que há em ti
cana a la kant

o poeta que há em mim
é como o voo no homem pressentido

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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Chacal, nascido em 1951, carioca, pseudônimo de Ricardo de Carvalho Duarte, é poeta, cronista, letrista e produtor cultural; literariamente, o poeta, que foi aluno de Comunicação Social da UFRJ, veio à luz com os grupos dos anos 70, denominados Geração Mimeógrafo e Poesia Marginal, e que se esparramavam por Sampa, Rio de Janeiro, Brasília, Bahia, Minas e outras praças; tais grupos se viam esquecidos ou marginalizados pela imprensa, editoras e estudiosos da literatura; Chacal é tido como um dos precursores daquelas gerações; em 1971, em edição mimeografada de cem exemplares, publica seu primeiro livro, Muito Prazer, Ricardo, depois reeditado como Muito Prazer (1997); colaborou com a revista Navilouca, junto aos poetas Waly Salomão e Torquato Neto; escreveu crônicas para os jornais Correio Braziliense, Folha de São Paulo e Jornal do Brasil, foi letrista parceiro de compositores e músicos Jards Macalé, Lulu Santos, Moraes Moreira; obras: Drops de Abril (1983), Comício de Tudo (crônicas, 1986), Letra Elétrika (1994) Posto Nove (1998), A Vida é curta pra ser pequena (2002), Belvedere (2007), Uma História à margem (romance autobiográfico, 2010), Murundum (2012), Tudo e mais um pouco (2016), Alô, poeta (2016) etc.; o poeta, que também trabalhou com grupos teatrais, escreveu, para eles, Aquela Coisa Toda, Recordações do Futuro ...