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[traduzido por Agmar Murgel Dutra]
Queixo pendido sobre a rude mão,
pensa na carne, feita de fraqueza.
Carne que odeia a morte e ama a beleza
e que há de um dia apodrecer no chão...
Vibrou, na Primavera, de paixão,
mas agora, no Outono, com tristeza,
de que a carne é mortal, sente a certeza
no agudo bronze, ao vir da solidão...
A angústia põe-lhe os músculos retesos,
rompem-se os sulcos pelas dores presos
como folhas de Outono, a um Senhor forte
que o chama... E não existe criatura
cujos nervos se crispem na tortura
como os deste homem a pensar na morte...
El
Pensador de Rodin
[A Laura Rodig]
Con el mentón caído sobre la
mano ruda,
el Pensador se acuerda que es carne de la huesa,
carne fatal, delante del destino desnuda,
carne que odia la muerte, y tembló de belleza.
Y tembló de amor, toda su
primavera ardiente,
ahora, al otoño, anégase de verdad y tristeza.
El "de morir tenemos" pasa sobre su frente,
en todo agudo bronce, cuando la noche empieza.
Y en la angustia, sus músculos
se hienden, sufridores.
cada surco en la carne se llena de terrores.
Se hiende, como la hoja de otoño, al Señor fuerte
que le llama en los bronces...
Y no hay árbol torcido
de sol en la llanura, ni león de flanco herido,
crispados como este hombre que medita en la muerte.
(Desolación — 1922)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto,
de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho,
1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ; Gabriela Mistral (1889 —
1957), pseudônimo de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga,
chilena de Vicuña, educada por sua meia irmã, Ermelina Molina Alcayaga, em sua
cidade natal — a família não tinha dinheiro para custear sua formação em
pedagogia —, foi ajudante de professora, professora, poeta, educadora,
diplomata e feminista; em 1904, começou a trabalhar como professora ajudante em
La Serena, e também deu início a seus primeiros textos, os quais foram
publicados no jornal serenense El Coquimbo e, depois, no La Voz de Elqui, de
Vicuña; em 1908, deu aulas em La Cantera e em Los Cerritos; só em 1910, validou
seus conhecimentos na Escola Normal nº 1 de Santiago e obteve o título oficial
de Professora do Estado, passando a desenvolver a docência no nível secundário;
posteriormente, mesmo sem ter frequentado o Instituto Pedagógico da
Universidade do Chile, foi contratada pelo governo do México “para assentar as
bases de seu novo modelo educacional, modelo que atualmente se mantém vigente
quase em sua essência ...”; em 1914, depois de obter a primeira premiação em
concurso de literatura, por seus Sonetos de la Muerte, passou a fazer uso do
pseudônimo Gabriela Mistral; como educadora, visitou o México, os Estados
Unidos e a Europa, e foi professora convidada nas universidades de Barnard,
Middlebury e Porto Rico; suas obras: em poesia: Sonetos de la Muerte (1914),
Desolación (1922), Ternura (1924), Tala (1938), Lagar (1954), Poema de Chile
(1967), em prosa: Lecturas para Mujeres (1923), Recados Contando a Chile
(1957), e outros títulos em verso e prosa; Gabriela Mistral trabalhou como
cônsul de seu país em diversas cidades da Europa e da América e teve sua poesia
traduzida para o inglês, francês, italiano, alemão, sueco e também por autores
brasileiros; por sua obra, entre outras premiações, foi laureada com o Prêmio
Nobel de Literatura, em 1945.

