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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Alfonsina Storni: Bem pode ser

Resultado de imagem para Antologia Poética — Alfonsina Storni capitulo 34
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[traduzido por José Jeronymo Rivera]

Bem pode ser que tudo o que em meu verso hei sentido
Não seja mais que aquilo que nunca pôde ser,
Não seja mais do que algo vedado e reprimido
De família em família, de mulher em mulher.

Dizem que nos solares dos meus, sempre medido
Estava tudo aquilo que se tinha a fazer...
Silenciosas dizem que as mulheres hão sido
Em meu materno lar. Ah, sim, bem pode ser...

Às vezes minha mãe terá sentido o anseio
De liberar-se, e logo viu subir-lhe do seio
Uma funda amargura, e na sombra chorou.

E tudo de mordaz, vencido, mutilado,
Tudo o que se encontrava em sua alma guardado,
Creio que sem querer fui eu quem libertou.

Alfonsina Storni

Bien pudiera ser...

Pudiera ser que todo lo que en verso he sentido
No fuera más que aquello que nunca pudo ser,
No fuera más que algo vedado y reprimido
De familia en familia, de mujer en mujer.

Dicen que en los solares de mi gente, medido
Estaba todo aquello que se debía hacer...
Dicen que silenciosas las mujeres han sido
De mi casa materna... Ah, bien pudiera ser...

A veces en mi madre apuntaron antojos
De liberarse, pero, se le subió a los ojos
Una honda amargura, y en la sombra lloró.

Y todo eso mordiente, vencido, mutilado,
Todo eso que se hallaba en su alma encerrado,
Pienso que sin quererlo lo he libertado yo.
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Antologia Poética  Alfonsina Storni, Selección por Alfredo Veirave (Biblioteca Argentina Fundamental, Capitulo 34), 1968, Centro Editor de America Latina, Buenos Aires Argentina; Alfonsina Storni Martignoni (1892 1938), nascida em Sala Capriasca Suíça, filha de pais argentinos, foi poeta, atriz e professora; aos 4 anos de idade retornou à Argentina, levou uma vida com dificuldades financeiras e, para o sustento familiar, trabalhou como costureira e operária; colaborou com seus textos nas revistas Caras y Caretas, Fray Mocho, e nos jornais La Nota e La Nacion; escreveu e publicou La inquietud del rosal (1916), El dulce daño (1918), Irremediablemente (1919), Languidez (1920), Ocre (1925), Poemas de amor (em prosa, 1926), Dos farsas pirotécnicas Cimbellina en 1900 y pico e Polixena y la cenicienta (peças teatrais, 1931), Mundo de siete pozos (1934) e outros títulos em verso, prosa e para teatro; consta que a poeta suicidou-se caminhando para dentro do mar, e tal ato foi registrado poeticamente na canção ‘Alfonsina y el mar’ gravada por Mercedes Sosa; seu corpo foi resgatado do oceano no dia 25 de outubro de 1938; três dias antes de suicidar-se envia para publicação em um jornal o soneto ‘Voy a dormir’.