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domingo, 17 de janeiro de 2021

João Cabral de Melo Neto: O poema e a água *

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As vozes líquidas do poema
convidam ao crime
ao revólver.
Falam para mim de ilhas
que mesmo os sonhos
não alcançam.

O livro aberto nos joelhos
o vento nos cabelos
olho o mar.

Os acontecimentos de água
põe-se a se repetir
na memória.

João Cabral de Melo Neto

Le poème et l’eau

Les voix liquides du poème
invitant au crime
au revolver.
Elles me parlent d’iles
que même les rêves
n’ atteignent pas.

Le livre ouvert sur mes genoux
le vent dans mes cheveux
je regarde la mer.

Les événements d’eau
se mettent à se répéter
dans la mémoire.

Nota da edição: Poema compilado por Henrique Alves / Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; João Cabral de Melo Neto (1920 1999), pernambucano de Recife, serviu na carreira diplomática em vários países e foi poeta, considerado como um dos maiores autores de poesia brasileira; obra poética: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), A educação pela pedra (1966), Morte e vida Severina e outros poemas em voz alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla andando (1989) etc; em prosa, publicou O Brasil no arquivo das Índias de Sevilha, uma pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das Relações Exteriores, Considerações sobre o poeta dormindo (1941) e Juan Miró (1952); por diversas vezes recebeu prêmios literários no Brasil e no exterior.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Francisco de Carvalho: Canção diante do mar *

 
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Nuvem que passa, pássaro veloz
   rumo ao horizonte esguio.
   (Há um vento, um vento frio).

As penas da nuvem foram levadas
   pela correnteza do rio.
   (Há um vento, um vento frio).

Nuvem que lembra as aves de rapina
   com seu esporão em cio.
   (Há um vento, um vento frio).

Nuvem que passa, mas fica a memória
   do seu galopar sombrio.
   (Há um vento, um vento frio).

Esta nuvem é um rinoceronte negro
   pastando a alma do estio.
   (Há um vento, um vento frio).

Esta nuvem arrebatou meu pai
   no alazão do desvario.
   (Há um vento, um vento frio).


Chanson devant la mer

Nuage qui passe, oiseau rapide
   vers l’horizon efflanqué.
   (Il y a un vent, un vent froid).

Les plumes du nuage ont été emportées
   par le courent de la rivière.
   (Il y a un vent, un vent froid).

Nuage que rapelle les oiseaux de proie
    avec son éperon en rut.
    (Il y a un vent, un vent froid).

Nuage qui passe, mais il reste la mémoire
    de son galop sombre.
    (Il ya a un vent, un vent froid).

Ce nuage est un rhinocéros noir
    paissant l’âme de l’été.
    (Il y a un vent, un vent froid).

Ce nuage a enlevé mon père
    sur un alezan de délire.
    (Il y a un vent, un vent froid).

* Nota da edição: Poema compilado por Henrique Alves / Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; Francisco de Oliveira Carvalho (1927 2013), cearense de Russas, estudou no Ateneu São Bernardo, foi escritor e poeta; ainda em Russas, publicou seus primeiros versos, numa pequena tipografia; depois, mudando-se para Fortaleza, fez carreira profissional como assessor na Universidade Federal do Ceará, participou da vida intelectual da capital do estado e envolveu-se com os movimentos literários do seu tempo; bibliografia: Cristal da memória (1955), Canção atrás da esfinge (1956), Do girassol e da nuvem (1960), O tempo e os amantes (1966), Dimensão das coisas (1967), Memorial de Orfeu (1969), Quadrante solar (Prêmio Nestlé de Literatura, 1982), Barca dos sentidos (1989), Rosa geométrica (1990), Exercícios de literatura (ensaio, 1990), Crônica das raízes (poesias, 1992), Galope de Pégaso (1994), Textos e contextos (ensaio, 1995), Girassóis de barro (Prêmio da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 1997), Romance da nuvem pássaro (1998), A concha e o rumor (2000), Memórias do espantalho (2004), e outros títulos em verso e prosa, além de ter participado em antologias publicados no Brasil, Portugal, França e Alemanha; o poeta teve parte de sua obra traduzida para o búlgaro; pertenceu à Academia Cearense de Letras.

sábado, 26 de dezembro de 2020

Lêdo Ivo: A chuva sobre a cidade *

 
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Chove sobre a cidade
e a chuva inunda o asfalto, difunde o desastre e o desencontro
e procura abater as palmeiras que do fim da tarde
queriam apenas graça plena as estrelas.

Os trovões reboam, espantando os pássaros
que vieram refugiar-se no meu quarto.
Os relâmpagos, fotógrafos do absoluto, iluminam as pessoas que
passam
são outros rostos, minha irmã, são as faces
revoltadas porque as divindades impossibilitaram os idílios,
a chegada pontual a uma casa, o já adiado trespasse com o inefável.

As sarjetas recebem finalmente a Poesia. Como são belos
e nítidos os barcos de papel
que navegam buscando os reinos fantásticos, os inacessíveis!

A chuva tem uma canção. Jamais uma elegia
para saudar sua gentileza. Jamais uma ode,
um himeneu, uma écloga deploratória.

Meu irmão, deixa que a goteira molhe tuas últimas
poesias. Pouco importa que amanhã te reconcilies com os grandes
temas poéticos.
O amanhã é inconsumível. A chuva te ensina
a ser invariável sem se repetir.


La pluie sur la ville

Il pleut sur la ville
et la pluie inonde la chaussée, répand le désastre
et le manque de rencontre
et elle cherche à abattre les palmiers qui à la fin de l’aprés-midi
voulaient à peine — grâce pleine — les étoiles.

Le tonerre retentit, em épouvantant les oiseaux
qui sont venus se réfugier dans ma chambre.
Les éclairs, photographes de l’absolu, illuminent les gens qui passent
— ce sont d’autres visages, ma soeur, ce sont les faces
révoltées parce que les divinités ont rendu impossibles les idylles,
l’arrivée à l’heure dans une maison, le dejà ajourné transperce
l’ineffable.

Les rigoles d’écoulements reçoivent finalement la Poésie. Comme ils sont beaux
et nets les bateaux en papiers
qui naviguent en cherchant les règnes fantastiques, les inaccessibles!

La pluie a une chanson. Jamais une élégie
pour saluer sa gentillesse. Jamais une ode,
un hyménée, une églogue qui déplore.

Mon frère, laisse la gouttière tremper tes dernières
poésies. Peu importe que demain tu te reconcilies avec les grands
thèmes poétiques.
Le lendemain n’est pas consommable. La pluie t’enseigne
à  être invariable sans se répéter.

* Nota da edição: Poema compilado por Henrique Alves / Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; Lêdo Ivo (1924 2012), alagoano de Maceió, foi jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e tradutor; em 1943, mudando-se para o Rio de Janeiro, formou-se em Direito na Faculdade Nacional de Direito hoje UFRJ , passou a colaborar com suplementos literários e a trabalhar como jornalista; bibliografia: em poesia, As Imaginações (1944), Ode e Elegia (1945), Acontecimento do Soneto (1948), Ode ao Crepúsculo (1948), Calabar (1985), Mar Oceano (1987), Crepúsculo Civil (1990), Curral de Peixe (1997) e outros; em prosa, As Alianças (romance, 1947), O Caminho Sem Aventura (romance, 1948), Lição de Mário de Andrade (ensaio, 1951), O Preto no Branco. Exegese de um poema de Manuel Bandeira (ensaio, 1955), A Cidade e os Dias (crônicas, 1957), Raimundo Correia: poesia (ensaio apresentação, seleção e notas, 1958), Use a Passagem Subterrânea (contos, 1961), O Sobrinho do General (romance, 1964), O Flautim (contos, 1966), O Navio Adormecido no Bosque (crônicas, 1971), Ninho de Cobras (romance, 1973), Modernismo e Modernidade (ensaio, 1972), Teoria e Celebração (ensaio, 1976), Confissões de um poeta (autobiografia, 1979), A Ética da Aventura (ensaio, 1982), O Canário Azul (infanto-juvenil, 1990), O aluno relapso (autobiografia, 1991), O Menino da Noite (infanto-juvenil, 1995), e tantos outros títulos em verso ou prosa, além de ter seus poemas e contos editados em muitas antologias literárias; o autor, que obteve diversas premiações literárias, teve obras vertidas para o espanhol, italiano, inglês, holandês, francês e sueco e, por sua vez, traduziu Austen, Maupassant, Rimbaud e Dostoievski.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

João Cabral de Melo Neto: A viagem *

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Quem é alguém que caminha
toda a manhã com tristeza
dentro de minhas roupas, perdido
além do sonho e da rua?

Das roupas que vão crescendo
como se levassem nos bolsos
doces geografias, pensamentos
de além do sonho e da rua?

Alguém a cada momento
vem morrer no longe horizonte
de meu quarto, onde esse alguém
é vento, barco, continente.

Alguém me diz toda a noite
coisas em voz que não ouço.
Falemos na viagem, eu lembro.
Alguém me fala na viagem.

João Cabral de Melo Neto

Le voyage

Qui est-ce quelqu’un qui marche
tout le matin avec tristesse
au-dedans de mes vêtements, perdu
au-delà du rêve et de la rue?

Des vêtements qui grandissent
comme s’ils portaient dans les poches
de douces geographies, des pensées
de l’au-delà du revê et de la rue?

Quelqu’un à chaque instant
vient mourir au lointain horizon
de ma chambre, où ce quelqu’un
est vent, bateau, continent.

Quelqu’un me dit toute la nuit
des choses dans une voix que je n’entends pas.
Parlons du voyage, je me souviens.
Quelqu’un me parle du voyage.

Nota da edição: Poema compilado por Henrique Alves / Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilíngue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França; João Cabral de Melo Neto (1920 1999), pernambucano de Recife, serviu na carreira diplomática em vários países e foi poeta, considerado como um dos maiores autores de poesia brasileira; obra poética: Pedra do sono (1942), O engenheiro (1945), O cão sem plumas (1950), O rio (1954), Quaderna (1960), A educação pela pedra (1966), Morte e vida Severina e outros poemas em voz alta (1966), Museu de tudo (1975), A escola das facas (1980), Auto do frade (1986), Crime na Calle Relator (1987), Sevilla andando (1989) etc; em prosa, publicou O Brasil no arquivo das Índias de Sevilha, uma pesquisa histórico-documental, editado pelo Ministério das Relações Exteriores, Considerações sobre o poeta dormindo (1941) e Juan Miró (1952); por diversas vezes recebeu prêmios literários no Brasil e no exterior.

sábado, 19 de outubro de 2019

Adélia Prado: Canícula *

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Ao meio dia, deságua o amor,
os sonhos mais frescos e intrigantes;
estou onde estão as torrentes.
Ao redor da casa grande espaça um quintal sem cercas,
tomado de bananeiras, só bananeiras,
altas como coqueiros.
Chego e é na beira do mar encrespado de correntezas,
sorvedouros azuis.
Há um perigo sobre faixa exígua
que é de areia e é branca.
Quero braceletes
e a companhia do macho que escolhi.


Adélia Prado

Canicule

À midi débouche l’ amour
les rêves les plus frais et les plus intrigants;
je suis où sont les torrents.
Autour de la maison du maître s’élargit un verger sans enclos,
pris par les bananiers, seulement des bananiers,
hauts comme des cocotiers.
J’ arrive et c’est au bord de la mer crépue de courants,
des gouffres bleus.
Il y a un danger sur la bande exiguë
qui est de sable et qui est blanche.
Je veux des bracelets
et la compagnie du mâle que j’ai choisi.


* Nota da edição: Poema compilado por Henrique Alves/Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilingue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — FrançaAdélia Luzia Prado de Freitas, nascida em 1935, mineira de Divinópolis, formada em Filosofia, poeta e professora, teve Carlos Drummond de Andrade como seu padrinho poético ao publicar seu primeiro livro de poemas, Bagagem (Imago, Rio de Janeiro, 1976); depois, publicou O coração disparado (agraciado com o Prêmio Jabuti, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1978), Terra de Santa Cruz (Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1981), O pelicano (Guanabara, Rio de Janeiro, 1987), A faca no peito (Rocco, Rio de Janeiro, 1988), Poesia reunida (Siciliano, São Paulo, 1991), Oráculos de maio (Siciliano, São Paulo, 1999), A Duração do Dia (2010), entre outros títulos; teve obras vertidas para os idiomas espanhol, inglês, italiano e francês.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Geir Campos: Urgência *

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A que não veio e viria
seria acaso Maria,
a de cabelos de noite
e pensamentos de dia
abrindo ao mais triste escuro
o seu clarão de alegria. 

Seria talvez Maria
a que viria e não veio
com seu samburá vazio
e o seu espírito cheio
de cores para ajudar
a fazer bonito o feio.

A dos cabelos de noite
e pensamentos de dia
talvez sentisse que o mundo
assim não a entenderia:
urgente mudar o mundo
para que venha Maria!

GEIR CAMPOS

Urgence

[versão para o francês: Olga Savary]

Celle que n’ est pas venue et que viendrait
serait par hasard Marie,
celle des cheveux de nuit
et pensées de jour
ouvrant au plus triste obscur
sa lueur de joie.

Ce serait peut-être Marie
celle qui viendrait et qui n’est pas venue
avec son panier vide
et son esprit plein
de couleurs pour aider
à rendre beau ce qui est le laid.

Celle des cheveux de nuit
et de pensées de jour
peut-être qu’ elle sentirait que le monde
ne le comprendrait pas ainsi:
c’ est urgent de changer le monde
pour que vienne Marie!


Nota da edição:
* Poema compilado por Henrique Alves/Poème compilé par Henrique Alves
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Chemins Scabreux — revue littéraire bilingue 13, septembre 1997, Paris: Poésie du Brésil, Sélection et Presentacion de Lourdes Sarmento, Texto-prefácio de Olga Savary, edição bilíngue, tradutores: Lucilo Varejão Neto, Maria Nilda Pessoa e outros, 1997, Editions Vericuetos, Paris — França;  Geir Nuffer Campos (1924 — 1999), nascido em São José do Calçado — ES, formado em Direção Teatral (FEFIERJMEC, Rio de Janeiro), mestre e doutor em Comunicação Social (UFRJ), foi piloto da marinha mercante, professor universitário, poeta, jornalista, tradutor e ativista cultural; deixou-nos extensa obra e de grande valor; escreveu e publicou Rosa dos rumos (poesia, 1950), Arquipélago (poesia, 1952), Coroa de sonetos (1953), Da Profissão do Poeta (1956), Canto Claro e poemas anteriores (1957), Operário do Canto (1959), O Gato Ladrão (teatro infantil, 1959), O Sonho de Calabar (teatro, 1959), A verdadeira história da Cigarra e da Formiga (teatro infantil, 1960), Carta aos Livreiros do Brasil (ensaio, 1960), Cantigas de acordar mulher (1964), Rúben Dário, Poeta Participante (ensaio, 1967), Édipo-Rei, de Sófocles (teatro, 1967), Castro Alves ou o Canto da Esperança (teatro, 1972), Diz que sim & Diz que não, de Brecht (teatro, 1977), Canto de Peixe e Outros Cantos (1977), O Vestíbulo (conto, 1979), Tradução e Ruído na Comunicação Teatral (ensaio, 1981), Conto & Vírgula (1982), Pequeno Dicionário de Arte Poética (dicionário, 1960 e diversas outras edições), O que é Tradução (1986), etc etc etc, além de participação em muitas antologias poético-literárias; traduziu textos de Rilke, Kafka, Daniel Defoe, Brecht, Walt Whitman e outros autores.