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quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Waly Sailormoon: Jardim de Alá & Livros de contos

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Jardim de Alá

EMBRIAGUEZ/ cesto de caju/ claro de luna/ odor de jasmim/ teto de estrelas.
Recostado nas almofadas, ouve leitura da ata de reunião da célula
Tupinambá guerreiro
Rei da Turquia
Pisa no chão devagar
Que a noite está
que é um dia

EDEN ARABIE

— o —

Livros de contos

Alma emputecida
Sombra esquisita
Se esquiva
Entre
Laços de Família

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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Waly Sailormoon, pseudônimo de Waly Dias Salomão (1943 2003), baiano de Jequié, formado em Direito pela Universidade da Bahia, onde também estudou na Escola de Teatro, cursou inglês na Columbia University in the City of New York, foi poeta, letrista de canções, produtor cultural e participante ativo do movimento tropicalista e da contracultura no Brasil; suas obras: Me segura que eu vou dar um troço (1971), Gigolô de bibelô (1983), Armarinho de miudezas (1993), Algaravias: câmara de ecos (1996), Hélio Oiticica: qual é o parangolé? (1996), Lábia (1998), Tarifa de embarque (2000), O Mel do Melhor (2001), Pescados vivos (publicação póstuma, 2004), Poesia total (publicação póstuma, 2014), ...; foi editor de Navilouca — revista de poesia e arte de vanguarda brasileira (junto com Torquato Neto, edição única, 1974) e parceiro musical de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco, Adriana Calcanhoto e Lulu Santos, e personagem principal do filme Gregório de Matos (2002), de Ana Carolina; recebeu premiações por sua obra (prêmios B. N. L. e Jabuti).

sábado, 30 de setembro de 2023

Waly Sailormoon: Pickwick Tea


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(cenas da vida teresopolitana, petropolitana,
friburguense, itaipavanse)
A mãe comenta o Inferno de Dante.
A moça quinze nos lê o roman La Charteuse de Parma. Fala de Balzac aussi como servindo para descrições de paisagens e ambientes de baile. Narra as aventuras pelo impossível de Candide et Zadig. Thomas Mann na estante. Michelet écolier.

Quand le maître parle j’écoute/ le sac qui pend a mon épaule dit que je suis un bon garçon.

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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Waly Sailormoon, pseudônimo de Waly Dias Salomão (1943 2003), baiano de Jequié, formado em Direito pela Universidade da Bahia, onde também estudou na Escola de Teatro, cursou inglês na Columbia University in the City of New York, foi poeta, letrista de canções, produtor cultural e participante ativo do movimento tropicalista e da contracultura no Brasil; suas obras: Me segura que eu vou dar um troço (1971), Gigolô de bibelô (1983), Armarinho de miudezas (1993), Algaravias: câmara de ecos (1996), Hélio Oiticica: qual é o parangolé? (1996), Lábia (1998), Tarifa de embarque (2000), O Mel do Melhor (2001), Pescados vivos (publicação póstuma, 2004), Poesia total (publicação póstuma, 2014), ...; foi editor de Navilouca — revista de poesia e arte de vanguarda brasileira (junto com Torquato Neto, edição única, 1974) e parceiro musical de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco, Adriana Calcanhoto e Lulu Santos, e personagem principal do filme Gregório de Matos (2002), de Ana Carolina; recebeu premiações por sua obra (prêmios B. N. L. e Jabuti).

sábado, 2 de setembro de 2023

Waly Sailormoon: Emílio ou Da Educação


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Garoto
Você é meu
Garoto
Você mora no meu coração
Garoto
Quando tiver condições
Quero morar com você
Garoto

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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Waly Sailormoon, pseudônimo de Waly Dias Salomão (1943 2003), baiano de Jequié, formado em Direito pela Universidade da Bahia, onde também estudou na Escola de Teatro, cursou inglês na Columbia University in the City of New York, foi poeta, letrista de canções, produtor cultural e participante ativo do movimento tropicalista e da contracultura no Brasil; suas obras: Me segura que eu vou dar um troço (1971), Gigolô de bibelô (1983), Armarinho de miudezas (1993), Algaravias: câmara de ecos (1996), Hélio Oiticica: qual é o parangolé? (1996), Lábia (1998), Tarifa de embarque (2000), O Mel do Melhor (2001), Pescados vivos (publicação póstuma, 2004), Poesia total (publicação póstuma, 2014), ...; foi editor de Navilouca — revista de poesia e arte de vanguarda brasileira (junto com Torquato Neto, edição única, 1974) e parceiro musical de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco, Adriana Calcanhoto e Lulu Santos, e personagem principal do filme Gregório de Matos (2002), de Ana Carolina; recebeu premiações por sua obra (prêmios B. N. L. e Jabuti).

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Waly Sailormoon: Confeitaria Marseillaise – Doces e Rocamboles


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Caçadas
Experimentados no manejo de armas de fogo 3 filhotes infantes da burguesia empunham arma/ 1 empunha revólver/ 2 empunham espingardas. O aéreo esmaga folhas de eucalipto de encontro ao nariz enquanto de noite sonhei com um batalhão policial me exigindo identificação/ revistaram a maloca do fundo do meu bolso/ mostrei babilaques/ me entreguei descontento pero calmamente/ nada foi encontrado que incriminasse o detido no boletim de averiguações depois de
batido, telex pra todas as delegacias.
Vadiagem.

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26 Poetas Hoje — Antologia: Organização, Introdução e Posfácio de Heloísa Buarque de Hollanda, 2001, 5ª edição, Editora Aeroplano, Rio de Janeiro — RJ; Waly Sailormoon, pseudônimo de Waly Dias Salomão (1943 2003), baiano de Jequié, formado em Direito pela Universidade da Bahia, onde também estudou na Escola de Teatro, cursou inglês na Columbia University in the City of New York, foi poeta, letrista de canções, produtor cultural e participante ativo do movimento tropicalista e da contracultura no Brasil; suas obras: Me segura que eu vou dar um troço (1971), Gigolô de bibelô (1983), Armarinho de miudezas (1993), Algaravias: câmara de ecos (1996), Hélio Oiticica: qual é o parangolé? (1996), Lábia (1998), Tarifa de embarque (2000), O Mel do Melhor (2001), Pescados vivos (publicação póstuma, 2004), Poesia total (publicação póstuma, 2014), ...; foi editor de Navilouca — revista de poesia e arte de vanguarda brasileira (junto com Torquato Neto, edição única, 1974) e parceiro musical de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco, Adriana Calcanhoto e Lulu Santos, e personagem principal do filme Gregório de Matos (2002), de Ana Carolina; recebeu premiações por sua obra (prêmios B. N. L. e Jabuti).

sábado, 19 de agosto de 2023

Walt Whitman: Uma vez atravessei uma cidade populosa


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[traduzido por Waly Sailormoon*]

Uma vez atravessei uma cidade populosa imprimindo no meu cérebro,
para uso futuro, seus espetáculos, sua arquitetura, trajes e tradições.
Mas agora de tudo daquela cidade me recordo só de um homem que
por ali vagabundeou comigo e que me amou.
Dia após dia, noite após noite, permanecemos juntos.
Tudo o mais já foi esquecido por mim  me recordo só de um homem
rude e ignorante que, quando parti, segurou minha mão muito tempo,
boca não disse palavra, triste e trêmulo.

[suplemento dominical de cultura] Folhetim**, 03.02.85

Walt Whitman

Once I passed through a populous city

Once I passed through a populous city, imprinting on my brain, for
future use, its shows, architecture, customs and traditions
But now of all that city I remember only the man who wandered with me
there, for love of me.
Day by day, and night by night, we were together.
All else has long been forgotten by me — I remember, I say, only one
rude and' ignorant man who, when I departed, long and long held me by the hand, with silent lips, sad and tremulous.

[Leaves of Grass  an electronic classics series publication]

Notas do blogue Verso e Conversa:
* Waly Sailormoon (1943 — 2003), marujeiro da lua, é pseudônimo de Waly Salomão;
** o atrevidíssimo aprendiz de blogueiro desta página registra que Folhetim foi um suplemento dominical de cultura do jornal Folha de São Paulo; criado e dirigido por Tarso de Castro (1941 — 1991), trazia como objetivo inicial ser um “caderno de leitura e humor” e, com linha editorial e estrutura modificada através do tempo, circulou entre 1977 e 1989; o jornalista Tarso de Castro também foi um dos fundadores do semanário Pasquim, periódico de origem carioca.
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Folhetim: Poemas traduzidos [vários poetas e tradutores], Organização de Matinas Susuki Jr. e Nelson Ascher e Apresentação de Matinas Susuki Jr., 1987, Edições Folha de São Paulo, São Paulo — SP; Walt Whitman (1819 1892), nascido em Huntington USA, foi poeta, jornalista e ensaísta; desde os onze anos trabalhou com serviços de tipografia e edição de jornais e atuou na imprensa da época; escreveu e publicou Franklin Evans (1842), Leaves of Grass (Folhas de Relva, primeira edição em 1855 e, depois, mais uma dezena de edições com modificações e acréscimo de outros poemas), Drum-Taps (1865), Democratic Vistas (1871) e outros títulos; Whitman é considerado por muitos estudiosos como o "pai do verso livre".

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Gregório de Matos: O bem que não chegou a ser possuído . . . [soneto]

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Defende-se o bem que faltou nas ânsias do esperado, pelos mesmos consoantes

O bem que não chegou ser possuído
perdido causa tanto sentimento,
que faltando-lhe a causa do tormento
faz ser maior tormento o padecido.
 
Sentir o bem logrado, e já perdido
mágoa será do próprio entendimento:
porém o bem, que perde um pensamento
não o deixa outro bem restituído.
 
Se o logro satisfaz a mesma vida
e depois de logrado fica engano
a falta, que o bem faz em qualquer sorte
 
infalível será ser homicida:
o bem, que sem ser mal motiva o dano,
o mal, que sem ser bem, apressa a morte.

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Poesia Barroca, Antologia  Introdução, Seleção e Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Gregório de Matos Guerra (1636? 1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo — volume 1, 1923), Lírica (Lyrical — volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa — volume 3, 1930), Satírica (Satirical — volumes 4 e 5, 1930) e Última (Última — volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Gregório de Matos: A instabilidade das cousas do mundo

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Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, 
depois da Luz, se segue a noite escura,
em tristes sombras morre a formosura,
em contínuas tristezas a alegria.
 
Porém, se acaba o Sol, por que nascia? *
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falta a firmeza,
na formosura não se dê constância,
e na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
e tem qualquer dos bens por natureza
a firmeza somente na inconstância.



Nota da ediçãoNascia, por nasce, é mera imposição da rima. Spina cita os Lusíadas, I, 90, “Já blasfema da guerra e maldizia / O velho inerte e a mãe que o filho cria”.
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Poesia Barroca, Antologia  Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; Gregório de Matos Guerra (1636?  1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra  Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo  volume 1, 1923), Lírica (Lyrical  volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa volume 3, 1930), Satírica (Satirical  volumes 4 e 5, 1930) Última (Última  volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Gregório de Matos: Pequei Senhor, mas não porque hei pecado . . . [soneto]

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(A N. Senhor Jesus Cristo com atos de arrependido e suspiros de amor)

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa piedade me despido,
Porque quanto mais tenho delinqüido,
Vos tenho a perdoar mais empenhado.

Se basta a vos irar tanto um pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido,
Que a mesma culpa, que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.

Se uma ovelha perdida, e já cobrada
Glória tal, e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na Sacra História:

Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada
Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,Da vossa piedade me despido,Porque quanto mais tenho delinqüido,Vos tenho a perdoar mais empenhado.  Se basta a vos irar tanto um pecado,A abrandar-nos sobeja um só gemido,Que a mesma culpa, que vos há ofendido,Vos tem para o perdão lisonjeado.  Se uma ovelha perdida, e já cobradaGlória tal, e prazer tão repentinovos deu, como afirmais na Sacra História:  Eu sou, Senhor, a ovelha desgarradaCobrai-a, e não queirais, Pastor divino,Perder na vossa ovelha a vossa glória.
- Gregório de Matos (1636 - 1695)
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Cinco Séculos de Poesia — Antologia da Poesia Clássica Brasileira, Seleção, Introdução e Organização de Frederico Barbosa, 2000, Landy Editora, São Paulo — SP; Gregório de Matos Guerra (1636?  1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo volume 1, 1923), Lírica (Lyrical volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa volume 3, 1930), Satírica (Satirical volumes 4 e 5, 1930) e Última (Última volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.

domingo, 21 de setembro de 2014

Gregório de Matos: Aos Caramurus da Bahia

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Um calção de pindoba, a meia zorra,
camisa de urucu, mantéu de arara,
em lugar de cotó, arco, e taquara,
penacho de guarás, em vez de gorra.

Furado o beiço, sem temer que morra
o pai, que lho envasou cuma titara,
porém a mãe a pedra lhe aplicara
por reprimir-lhe o sangue que não corra.

Alarve sem razão, bruto sem fé,
sem mais leis, que as do gosto, quando erra,
de Paiaiá tornou-se em abaité.

Não sei onde acabou, ou em que guerra:
só sei que deste Adão de Massapé,
procedem os fidalgos desta terra.

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Grandes Sonetos da Nossa Língua — Seleção, Organização e breve Prefácio, de José Lino Grünewald, 1987, Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro — RJ; Gregório de Matos Guerra (1636? 1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo — volume 1, 1923), Lírica (Lyrical — volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa — volume 3, 1930), Satírica (Satirical — volumes 4 e 5, 1930) e Última (Última — volume 6, 1933);vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Gregório de Matos: Soneto (Senhor Doutor, muito bem-vindo seja)

Livro: Lirica do Direito Antologia de Versos Juridicos - Miguel ...
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Ao desembargador Belchior da Cunha Brochado,
 chegando do Rio de Janeiro à cidade da  Bahia,
 recorre o poeta, satirizando um julgador,
que o prendeu por acusar o furto de uma negra,
 a tempo que soltou o ladrão dela.

Senhor Doutor, muito bem-vinda seja
A esta mofina e mísera cidade,
Sua justiça agora, e eqüidade,
E letras com que a todos causa inveja.

Seja muito bem-vindo, porque veja
O maior disparate e iniqüidade,
Que se tem feito em uma e outra idade
Desde que há tribunais, e quem os reja.

Que me há de suceder nestas montanhas
Com um ministro em leis tão pouco visto,
Como previsto em trampas e maranhas?
*

É ministro de império, mero e misto, **
Tão Pilatos no corpo e nas entranhas,
Que solta a um Barrabás, e prende a um Cristo
.

Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,Da vossa piedade me despido,Porque quanto mais tenho delinqüido,Vos tenho a perdoar mais empenhado.  Se basta a vos irar tanto um pecado,A abrandar-nos sobeja um só gemido,Que a mesma culpa, que vos há ofendido,Vos tem para o perdão lisonjeado.  Se uma ovelha perdida, e já cobradaGlória tal, e prazer tão repentinovos deu, como afirmais na Sacra História:  Eu sou, Senhor, a ovelha desgarradaCobrai-a, e não queirais, Pastor divino,Perder na vossa ovelha a vossa glória.
- Gregório de Matos (1636 - 1695)

Trampas e maranhas  anota o Professor José Miguel Wisnik que o desembargador desconhece as leis na mesma proporção em que conhece trampas e maranhas, i.é., enganos e intrigas.
** Império mero e misto  jurisdição que o soberano dá aos magistrados para julgar as controvérsias, e impor pena de morte, confisco de bens, etc.
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Lírica do Direito — Antologia de Versos Jurídicos — Conexão Migalhas — Organizador: Miguel Matos, Ano 2, n.2 (diversos poetas e tradutores), sem data, Millenium Editora Ltda., Campinas SP; Gregório de Matos Guerra (1636 ? 1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do séc. XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo  volume 1, 1923), Lírica (Lyrical volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa  volume 3, 1930), Satírica (Satirical volumes 4 e 5, 1930) e Última (Última  volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.

domingo, 28 de julho de 2013

Gregório de Matos: Carregado de mim ando no mundo, ...

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Segue neste soneto a máxima de bem viver que é envolver-se na confusão dos néscios para passar melhor a vida

Carregado de mim ando no mundo,
E o grande peso embarga-me as passadas,
Que como ando por vias desusadas,
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo.

O remédio será seguir o imundo
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas,
Que as bestas andam juntas mais ousadas,*
Do que anda só o engenho mais profundo.

Não é fácil viver entre os insanos,
Erra, quem presumir que sabe tudo,
Se o atalho não soube dos seus danos.

O prudente varão há de ser mudo,
Que é melhor neste mundo, mar de enganos,
Ser louco c'os demais que só, sisudo.


* ousadas: James Amado registra ornadas.
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Gregório de Matos — Poemas Escolhidos (Introdução e Notas de José Miguel Wisnik), Círculo do Livro S/A, década de 80 do século 20, São Paulo — SP; Gregório de Matos Guerra (1636? 1695?), baiano de Salvador, formado em Direito pela Universidade de Coimbra Portugal, construiu uma obra literária na qual expõe as mazelas dos poderosos da Bahia de outrora, os quais passam a combatê-lo e fazem com que a vida do poeta vire um verdadeiro inferno, daí resultando a origem do seu apelido: Boca do Inferno; sua obra só foi registrada em livro postumamente, e, entre os anos 20 e 30 do século XX, a Academia Brasileira de Letras publicou uma coleção de sua poesia em seis volumes: Sacra (Santo — volume 1, 1923), Lírica (Lyrical — volume 2, 1923), Graciosa (Graciosa — volume 3, 1930), Satírica (Satirical — volumes 4 e 5, 1930) e Última (Última — volume 6, 1933); vale a pena ver o filme Gregório de Matos, direção de Ana Carolina, lançado em 2002, e que traz no elenco Waly Salomão (Gregório de Matos), Marília Gabriela, Ruth Escobar e Guida Viana (Abadessas), Rodolfo Bottino (Capitão), Virginia Rodrigues (Cantora) e Xuxa Lopes e Elisa Lucinda (Mulheres de rua); no filme, os personagens se revezam em recital de poemas do autor, sendo intercalados pela personagem de Marília Gabriela que apresenta relatos biográficos do poeta.