Mostrando postagens com marcador Francisco Pati. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Francisco Pati. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Francisco Pati: Você talvez conheça a história: um poeta. . . [soneto]


____________________
Você talvez conheça a história: um poeta
Amava uma mulher comprometida;
Era grande a afeição, mas não discreta
Que aos pés dela passou despercebida.

Chamava-se ele Arvers. A França inquieta
Não guarda o nome da mulher querida.
Esse nome hoje é símbolo e projeta
Uma estranha poesia sobre a vida.

Evangelho de amor inconfessado,
O “Soneto de Arvers”, certo, resume
O tédio dos amores sem pecado;

Tédio, sim, porque o bem que se presume
Não sendo obtido, nem talvez gozado,
É inútil como flores sem perfume.
____________________
Soneto de Arvers — Mello Nóbrega — 1957, 2ª edição, Livraria São José, Rio de Janeiro — RJ; Francisco Pati (1898  1970), paulista de Amparo, formado pela Escola Normal da Praça da República, São Paulo, e pela Faculdade de Direito da Universidade de São  Paulo, foi jornalista, advogado, escritor e poeta; fundou a revista Novíssima, foi redator de A Platéia, do Correio Paulistano, tendo também trabalhado por vários anos na Folha da Manhã e Folha da Noite, periódicos paulistanos; bibliografia: Fausto e D. Juan (poemas, 1920), Mãos vazias (sonetos, 1923), Maria Leocadia (romance, 1926),  Revolução e Democracia (ensaio, 1931), O Dicionário de Machado de Assis, A Cidade sem  Portas (memórias, 1956), Com Dante no Inferno (crítica literária, 1965) e outros títulos;  traduziu Pirandello (Novelas Escolhidas) e Giovani Papini (História de Cristo).