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Você talvez conheça a história: um poeta
Amava uma mulher comprometida;
Era grande a afeição, mas não discreta
Que aos pés dela passou despercebida.
Chamava-se ele Arvers. A França inquieta
Não guarda o nome da mulher querida.
Esse nome hoje é símbolo e projeta
Uma estranha poesia sobre a vida.
Evangelho de amor inconfessado,
O “Soneto de Arvers”, certo, resume
O tédio dos amores sem pecado;
Tédio, sim, porque o bem que se presume
Não sendo obtido, nem talvez gozado,
É inútil como flores sem perfume.
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Soneto
de Arvers — Mello Nóbrega — 1957, 2ª edição, Livraria São José, Rio de
Janeiro — RJ; Francisco Pati (1898 — 1970), paulista de Amparo, formado pela
Escola Normal da Praça da República, São Paulo, e pela Faculdade de Direito da
Universidade de São Paulo, foi jornalista, advogado, escritor e poeta; fundou a
revista Novíssima, foi redator de A Platéia, do Correio Paulistano, tendo
também trabalhado por vários anos na Folha da Manhã e Folha da Noite, periódicos
paulistanos; bibliografia: Fausto e D. Juan (poemas, 1920), Mãos vazias
(sonetos, 1923), Maria Leocadia (romance, 1926), Revolução e Democracia
(ensaio, 1931), O Dicionário de Machado de Assis, A Cidade sem Portas (memórias,
1956), Com Dante no Inferno (crítica literária, 1965) e outros títulos; traduziu Pirandello (Novelas Escolhidas) e Giovani Papini (História de Cristo).