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(traduzido por Fernando Torquato Oliveira)
De que maneira eu te amo? Impossível dizer.
Eu te amo em dimensões de abismo e de altitude,
onde a alma ainda alcança o azul da plenitude,
no limite do ideal, além do próprio ser.
Eu te amo dia a dia, em nímia beatitude,
desde a luz da manhã à luz do anoitecer;
eu te amo livremente, ou sem leis nem poder;
eu te amo com orgulho, e com terna atitude.
Eu te amo com o raro amor dos desencantos,
com a fé infantil, que permanece forte,
com o estranho calor dos crentes e dos santos.
Eu te amo com paixão, com lágrimas, transporte.
E se Deus o quiser, implorando em meus prantos,
amar-te-ei, também, depois da própria morte!
Sonnet
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How
do I love thee?
How do I love thee? Let me
count the ways.
I love thee to the depth and
breadth and height
My soul can reach, when
feeling out of sight
For the ends of being and
ideal grace.
I love thee to the level of
every day’s
Most quiet need, by sun and
candle-light.
I love thee freely, as men
strive for right;
I love thee purely, as they
turn from praise.
I love thee with the passion
put to use
In my old griefs, and with my
childhood’s faith.
I love thee with a love I
seemed to lose
With my lost saints. I love
thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life;
and, if God choose,
I shall but love thee better
after death.
(Sonnets from the Portuguese — 1847)
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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima [inúmeros sonetistas
e tradutores], Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio
de Janeiro — RJ; Elizabeth Barrett Browning (1806 — 1861), inglesa de Coxhoe Hall,
Durham, foi poetisa do Romantismo e da época vitoriana; autodidata, exceto por
ter recebido “algumas instruções de grego e latim de um tutor que vivia com a
família e ajudava seu irmão Edward”, ainda aos dez anos de idade, já havia lido
várias peças de Shakespeare, traduções homéricas, de Pope, histórias da
Inglaterra, Grécia e Roma e, logo após, peças de Racine e Molière, o Inferno,
de Dante; todo o Antigo Testamento, em hebraico, Tom Paine, Voltaire, Rousseau
e Mary Wollstonecraft; aos 15 anos de idade, tornou-se praticamente inválida por
problemas de coluna e, depois, teve sua saúde agravada por complicações pulmonares;
em 1846, casando-se com o também poeta Robert Browning, mudou-se para Florença —
Itália, ali vivendo pelo resto da vida; Elizabeth escreveu seu primeiro poema aos
12 anos, The Battle of Marathon (A Batalha de Maratona), em 4 tomos, que seu pai
mandou imprimir; suas obras: An Essay on Mind and Other Poems (Um Ensaio sobre a
Mente e Outros Poemas, 1826), Prometheus e Outros Poemas (1833), The Seraphim and
Other Poems (Serafim e Outros Poemas, 1838), Sonnets from the Portuguese (Sonetos
da Portuguesa, 1847), Casa Guidi Windows (Janelas da Casa Guidi, 1851), Aurora Leigh
(1856), Poems Before Congress (Poemas Perante o Congresso, 1860) e outros, além
de textos em prosa; traduziu a peça Prometeu Acorrentado (Prometheus Bound) atribuída
a Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga.