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terça-feira, 13 de setembro de 2022

haroldo de campos: iole de freitas

 
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asas invasoras assaltam o museu
asas com tentáculos de arame cobre latão
asas que se transformam em velários
em chapas de escarlate
em redes para invisíveis borboletas
e avançam
seus tegumentos perfuram paredes
dardejam pontas iridescentes
atravessam janelas
farfalham ao redor da
fiação elétrica penduram-se
como cipós-ectoplasmas dos
postes de luz:
iole passou por aqui
com seu séquito de
retículas platinadas
e imprimiu em tudo
seu toque talismânico


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Entremilênios Haroldo de Campos, Organização e Nota de Carmen de P. Arruda Campos, 2009, 1ª edição e 1ª reimpressão, Editora Perspectiva, São Paulo SP; Haroldo Eurico Browne de Campos (1929 2003), paulista e paulistano, fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco) e com doutorado pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foi professor universitário, ensaísta, crítico literário, poeta e tradutor; ainda no Colégio São Bento, aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros (latim, inglês, espanhol e francês); em 1952 foi coinventor da revista literária Noigandres em parceria com seu irmão Haroldo de Campos e Décio Pignatari, e passou a ser reconhecido como um dos criadores do Concretismo e um dos representantes e difundidores do movimento internacional da Poesia Concreta; em 1972, no doutorado pela FFLCH USP e sob a orientação de Antonio Candido, apresentou a tese Para uma teoria da prosa modernista brasileira: morfologia do Macunaíma, transformada em livro no ano seguinte; como professor universitário, lecionou na PUC SP e na Universidade do Texas, em Austin USA; suas obras: Auto do Possesso (1950), O Âmago do Ômega (1956), Fome de Forma (1959), Re-Visão de Sousândrade (crítica literária, em conjunto com Augusto de Campos, 1962), Morfologia do Macunaíma (crítica literária, 1973), Xadrez de Estrelas: Percurso Textual, 19491974 (antologia, 1976), Signantia: Quase Coelum Signância: quase céu (1979), Galáxias (1986), Metalinguagem & outras metas (crítica literária, 1992), O Sequestro do Barroco na Formação da Literatura Brasileira: O Caso Gregório de Matos (crítica literária, 2000), etc. etc.; Haroldo de Campos também escreveu e publicou ensaios diversos e traduziu autores (Ezra Pound, Mallarmé, Homero, Dante, Poesia Russa Moderna, Eclesiastes [livro bíblico], Octavio Paz, Kaváfis, Maiakóvski), em voo solo ou em co-autoria com estudiosos da literatura, inclusos Augusto de Campos, Décio Pignatari e Boris Schnaiderman; o poeta e ensaísta teve obras premiadas, 5 Prêmios Jabuti inclusos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Carlos Drummond de Andrade: Ou isto ou aquilo

Estátua: Drummond, Copacabana, Rio de Janeiro - RJ

O dono da usina, entrevistado, explicou ao repórter que a situação é grave. Há excedente de leite no país, e o consumo não dá pra absorver a produção intensiva:

– Uma calamidade. Imagine o senhor que o jornal aqui do município reclama contra a poluição do rio, que está coberto por uma camada alvacenta. Não é nenhum corpo estranho não, é leite. Estão jogando leite no rio porque não têm mais onde jogar. Os bueiros estão entupidos. A população, como o senhor deve saber, é insuficiente para beber toda essa leitalhada ou comê-la em forma de queijo, requeijão, manteiga e coisinhas.

– Insuficiente? Parece que a produção de crianças ainda é maior que a produção de leite.

– Numericamente sim, mas não têm capacidade econômica para beber leite. Têm apenas boca, entende? Então nada feito. Se falta dinheiro aos pais dos garotos para adquirir o produto, ainda bem que se joga leite fora, em vez de jogar os garotos.
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Carlos Drummond de Andrade  Contos Plausíveis (com 150 ilustrações de Márcia e Irene), José Olympio Editora, 2ª edição, 1985, Rio de Janeiro  RJ; o poeta Drummond (1902 – 1987) deixou-nos como legado vastíssima obra em verso e prosa publicada em livros e em jornais; em Contos Plausíveis, o cronista nos informa que tais contos "(serão contos?) são plausíveis no sentido de que tudo neste mundo, e talvez em outros, é crível, provável, verossímil. Todos os dias a imaginação humana confere seus limites, e conclui que a realidade ainda é maior do que ela. Não posso dizer, verdadeiramente, que os escrevi. Escreveram-se no dia-a-dia do Jornal do Brasil, sem intermediação de forças misteriosas. Queriam existir como estórias, ocuparam papel e hoje formam livro."; quanto às 150 figuras que "quiseram viver com independência, e soltaram-se no volume, sem obediência aos contos a que se ligavam", Drummond nos propõe um "quebra-cabeça inocente": descobrir a qual conto cada ilustração se refere;  e o autor arremata: "Parece que na vida também é assim: as pessoas e coisas nem sempre andam de par constante.";

Eu, Genésio dos Santos, um ativista da palavra e atrevido aprendiz de blogueiro que possibilita ao leitor este texto drummondiano ainda não me ocupei com a tarefa de ligar às figuras as palavras contidas em Contos Plausíveis; no entanto, prometo, já, a mim mesmo, que um dia me ocuparei de  tão inocente quebra-cabeça.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Blaine Johnston: Estante triste

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Blaine Johnston vive e trabalha em Wayneville, Carolina do Norte, nos Estados Unidos; lida com mobiliário e, mais recentemente, também passou a fazer experiências com escultura e fotografia; tem o blog redfstudios.com; (*) a estante está triste porque todo mundo tem um iPad ou um Kindle, segundo o blogue makezine.com.