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[traduzido por Renato Xavier]
Passou no trêmulo vidro
um riso de beladona florida,
dentre os ramos as nuvens
apressadas
à vista reassomavam
do fundo em flocos embaçados.
Um de nós atirou um seixo
que desfez essa tona luzidia:
as frouxas aparências se
romperam.
Contudo eis que algo se
arrasta
à flor do espelho que se alisa
e refaz:
de irromper não é capaz,
quer viver e não sabe como;
nasceu e morreu, e não teve
nome.
| Eugenio Montale |
Tanque
Passò sul tremulo vetro
un riso di belladonna fiorita,
di tra le rame urgevano le nuvole,
dal fondo ne riassommava
la vista fioccosa e sbiadita.
Alcuno di noi tirò un ciottolo
che ruppe la tesa lucente:
le molli parvenze s’infransero.
Ma ecco, c’è altro che
striscia
A fior della spera rifatta lisca:
di erompere non ha virtù,
vuol vivere e non sa come;
se lo guardi si stacca, torna in giù:
è nato e morto, e non ha avuto un nome.
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Ossos de Sépia — Eugenio Montale, Tradução, Prefácio e Notas
de Renato Xavier e Apresentação de Dora Ferreira da Silva, edição bilíngue,
2002, Companhia das Letras, São Paulo — SP;
Eugenio Montale (1896 — 1981), italiano genovês, interrompeu seus
estudos em 1915 para servir na Primeira Guerra Mundial, foi poeta, escritor,
jornalista e tradutor; colaborou na seção literária do Corriere della Sera;
verteu para o italiano obras de Shakespeare, T. S. Eliot, Eugene O’Neil, Herman
Melville e outros; bibliografia: Ossi di seppia (Ossos de Sépia, coletânea de
poemas, 1925), Poesie (1938), Le occasioni (As Ocasiões, 1939), Finisterre — versi del 1940—42 (1943), Farfalla di Dinard (1956), Satura
1962—1970 (1971) e outros títulos; o escritor afastou-se das atividades
públicas após ter-se recusado a aderir ao Partido Fascista; recebeu o Prêmio
Nobel de Literatura em 1975.


