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Mais um desejo, amigo!
É preciso soltar,
Pelas florestas frias e
adormecidas,
Todos os nossos desejos
tímidos,
Procurando mesmo assombrá-los,
Para que fujam, para que
corram
E se desviem por todos os
lados...
Mais um desejo!
É preciso que a pálida vida,
Nos seus longos passeios
desoladores,
Encontre sempre um desejo
perdido
Que ela saiba salvar...
[revista KLAXON — nº 6,
[revista KLAXON — nº 6,
15 de outubro de 1922, São Paulo (pág. 6)]

* No Prefácio da 1ª.
edição desta Antologia, o poeta Vinícius de Moraes escreveu a propósito dos
bissextos: “... poetas que nós, seus íntimos, chamamos cordialmente de
bissextos — poetas sem livros de versos — bissextos pela escassez de
sua produção, cuja excelência sem embargo os coloca ao lado dos mais citados”.
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Antologia dos Poetas Brasileiros — Bissextos Contemporâneos,
Organização de Manuel Bandeira, 1996, Editora Nova Fronteira, Rio de
Janeiro — RJ; Carlos Tácito Alberto de Almeida Araújo
(1889 — 1940), paulista de Campinas, formado pela Faculdade de
Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), foi jurista,
jornalista, escritor e poeta bissexto; contribuiu na fundação da Escola de Sociologia e
Política de São Paulo, onde lecionou Ciências Políticas; participou da Semana
de Arte Moderna de 1922 e colaborou com a Klaxon, revista modernista, onde
assinou seus textos com o pseudônimo de Carlos Alberto de Araújo, e cuja
redação ficava em seu escritório; em 1923, deixou a produção poética e iniciou
a produção de textos jurídicos e políticos; em 1926, porém, escreveu um conto,
‘Um homem bondoso’, publicado no primeiro número da revista
modernista Terra roxa e outras terras; escreveu Túnel (poesias,
1922).


