Quem disse que ser trans me
torna passiva?
Que roteiro diz que a
feminilidade me torna submissa?
Hierarquia sexo social, que
capitaliza até meu jeito de foder.
Indústria do pornô que diz que
meu sexo é pra vender.
A única forma permitida de
desviar é se for pra gerar lucro,
e me comercializar?
Essa indústria também é
responsável
por endeusarem macho
e iconizar.
Aaaaaah, se manca.
Seu sistema é frágil e não vai
me dominar.
Nem pense em impor desejo para
o seu comércio.
As bixa não vai deixar passar.
A sua ideia de ser homem não é
suficiente
para todos os corpos com os
quais eu vou transar.
E como vou transar?
Pega seu sexo baunilha, de
papai e mamãe e afasta pra lá.
A minha foda não é para
reprodução.
É para emancipação.
Adeus, colonização.
Conhecer os corpos,
experimentar, compartilhar.
E viado, nem venha demonizar
nossa vagina.
Ele pode ser homem de xoxota e
consegue, sim, me realizar.
Afasta de mim esse falo.
Não me diga o que é ser macho.
Invisibilizar transhomem, só
revela
o quanto seu desejo é manipulado.
Para o corpo como objeto do
simulacro,
desejo de consumo do patriarcado.
Na base do teu sexo social,
o corpo do viado feminino,
se torna invisível e
solitário.
O macho branco forte rico e
musculoso tá no topo.
E quando ela é bixa, trans,
preta, gorda e pobre:
“joga pra margem, pro esgoto”.
Estamos na base dessa cadeia,
mas não é por isso que eu
abaixo a cabeça.
E nem me peça pra foder.
Sou desejada,
mas só quando ninguém vê.
Hahaha
sei que não somos opção,
só nos escolhe quando somos
resto.
Pensa que vou foder só pra te
satisfazer?
O meu prazer não importa
quando
a sua pica goza
no escuro do banheiro já quer
me esconder,
só pra defender que bixa é
depósito de porra,
que não é de merecer andar ao
teu lado,
nem de reconhecer.
Somos transbixa e temos poder.
E você, gay, não é obrigado a
“enviadecer”.
Até porque, ninguém quer
perder
O PRIVILÉGIO
de parecer
e nem quer ser atacado por
outros machos
que não aceitam um corpo de
pau feminino.
Agora me diga, macho:
— Quando você foi proibido de ser homem?
— Quando te condenaram por homem cis?
— Quantas vezes te forçaram a ser homem?
— Quantas vezes ouviu que não pode?
É.
Bem diferente de ser transviado.
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Antologia Trans — 30 poetas trans,
travestis e não binários, Apresentação do espaço Aquilo que a nós veio, gerado do
Cursinho Popular Transformação e do TRANSarau, texto-introdução de Linn da quebrada
e Prefácio de Amara Moira, 2017, Editora Invisíveis Produções, São Paulo — SP; sobre
Lucifer Ekant, assim como sobre todos os demais autor(e)s dos demais textos desta
Antologia Trans, nenhum traço biobliográfico foi registrado pela edição; em pesquisa
‘googleana’, o atrevido aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa também nada
encontrou; a visitant(e)s e leitor(e)s deste blogue, fica a dica: quem encontrar
alguma notícia referente a autor(e)s aqui editados, e quiser/puder compartilhar,
o blogueiro-piloto desta página agradece.