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Trabalho é
glória. Quem trabalha
Vive feliz,
sereno e são.
No ferro
em brasa o homem que malha
Busca a
beleza e a perfeição.
Da boca
ardente da fornalha
Ergue-se
o hino à criação.
Frontes
de heróis, que o suor orvalha,
Os vossos
louros aí estão.
Quem planta
o trigo a vida espalha
Bendito seja
quem faz pão!
É ouro em
pó cada migalha,
Vale um
tesouro em cada grão.
Pedra por pedra a alta muralha
Ergue-se aos poucos do ermo chão.
Louvado seja quem de palha
Cobriu a tosca habitação.
Quem fez o pano que agasalha,
Trançando o fio de algodão.
Quem fez a alvíssima toalha;
Quem vive negro de carvão.
Quem corta o tronco e nele talha
A mesa a que outros comerão.
Quem cose os pontos da mortalha.
Quem serra as tábuas do caixão.
A vida é áspera batalha
Em que a arma é a rude mão.
Bendito seja quem trabalha
Pela grandeza e a perfeição.
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Poesia Brasileira para a Infância (diversas autorias), Seleção,
Organização e Texto/Apresentação de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção
Henriqueta 1, 3ª edição revista, 1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ana Amélia
de Queiroz Carneiro de Mendonça (1896 — 1971), nascida no Rio de Janeiro — RJ, educada
por preceptoras brasileiras, inglesas e alemãs, foi poetisa, tradutora, conferencista,
jornalista e feminista carioca; teve poemas e crônicas publicados pelos mais importantes
jornais do país, ajudou a fundar a Casa do Estudante do Brasil e a Associação Brasileira
de Estudantes, e foi a primeira mulher membro de um tribunal eleitoral do país; obras: Esperanças (1911), Alma (1922), Ansiedade (1926), Harmonia dos Seres
e das Coisas (1936) Mal de Amor (1939), Poemas (1951), 50 Poemas de Ana Amélia (poemas
escolhidos, 1957).
