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quinta-feira, 31 de março de 2016

Mário Cockrane de Alencar: Não chegarei talvez ao termo do caminho . . . [soneto]

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Não chegarei talvez ao termo do caminho
O desânimo atarda o meu trêmulo passo,
Outros foram além; venceram pedra e espinho;
E eu só fiquei atrás vencido de cansaço.

Já não me guia o céu; quero voltar, refaço
As jornadas, e em toda a parte é o descaminho.
Assim a ave que errou longe, longe no espaço,
Não sabe mais voltar à terra do seu ninho.

Bate as asas, retorna, avança, volta, aflita,
E aspira o ar buscando os perfumes da terra,
E não sentindo mais, na amplidão infinita,

Nada que a leve ao ninho, exausta, desvairada,
Descai o vôo ao mar e sobre as ondas erra
Das ondas ao vaivém, sem esperar mais nada.

MÁRIO DE ALENCAR
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Poetas Cariocas em 400 Anos — Frederico Trotta, 1966, Casa Editora Vecchi, Rio de Janeiro — RJ; Mário Cochrane de Alencar (1872 1925), nascido no Rio de Janeiro, formado em Ciências e Letras no Colégio Pedro II (Rio) e em Direito (São Paulo, atual USP Largo São Francisco), foi advogado, poeta, jornalista, contista e romancista; colaborou na imprensa do Rio Almanaque Brasileiro Garnier, Brasilea, Correio do Povo, Gazeta de Notícias, O Imparcial, A Imprensa, Jornal do Commercio, O Mundo Literário, Renascença, Revista Brasileira, Revista da ABL, Revista da Língua Portuguesa e em periódicos paulistas; escreveu e publicou Lágrimas (poesia, 1888), Versos (1902), Ode cívica ao Brasil (poesia, 1903), Dicionário de Rimas (1906), Alguns escritos (ensaio, 1910), O que tinha de ser (romance, 1912), Se eu fosse político (1913), Catulo da Paixão Cearense: Sertão em flor (1919) e outros títulos, além de textos esparsos por diversos jornais e revistas; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Mário de Alencar: O Africano

Costuma estar ao sol, de pé, junto à porteira
Da fazenda, onde, escravo, arrastou toda a vida,
De um dos olhos é cego, e já do outro a cegueira
Lhe vai grudando à face a pálpebra caída.

Do corpo seminu, sob a pele entanguida
Se esboça a secular ossada quase inteira.
E a aparência ele tem, esguia e denegrida,
De um tronco solitário em queimada clareira.

Dizem que ensandeceu de dor no mesmo dia
Em que morreu seu dono; outros, de nostalgia;
Outros, que é feiticeiro e simula mudez,

Porque, às vezes, lhe vem súbita vida estranha,
E ele pula e descanta e risos arreganha,
E ágil ginga no jogo ao batuque dos pés.

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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros — Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras — Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro — RJ; Mário Cochrane de Alencar (1872 1925), nascido no Rio de Janeiro, formado em Ciências e Letras no Colégio Pedro II (Rio) e em Direito (São Paulo, atual USP Largo São Francisco), foi advogado, poeta, jornalista, contista e romancista; colaborou na imprensa do Rio Almanaque Brasileiro Garnier, Brasilea, Correio do Povo, Gazeta de Notícias, O Imparcial, A Imprensa, Jornal do Commercio, O Mundo Literário, Renascença, Revista Brasileira, Revista da ABL, Revista da Língua Portuguesa e em periódicos paulistas; escreveu e publicou Lágrimas (poesia, 1888), Versos (1902), Ode cívica ao Brasil (poesia, 1903), Dicionário de Rimas (1906), Alguns escritos (ensaio, 1910), O que tinha de ser (romance, 1912), Se eu fosse político (1913), Catulo da Paixão Cearense: Sertão em flor (1919) e outros títulos, além de textos esparsos por diversos jornais e revistas; pertenceu à Academia Brasileira de Letras.