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[traduzido por Alexei Bueno]
Ó Vasco, que em tua ousada nau valente,
Em direção ao sol, que traz o dia,
Velas soltaste, e após tanta porfia
Tornaste enfim às bandas do Poente,
Não te ultrapassa, pelo mar fremente,
O que ao Ciclope ultraja e desafia,
Nem o que na ilha perturbou a Harpia
Deixou mais belo assunto a pena ciente.
Mas a do bom e culto Luís tão alto
Estende além seu voo glorioso
Que mais que as tuas naus o longe rende.
Do Polo austral ao nosso, seu radioso
Eco, onde chega num sonoro salto,
O curso de tua fama alarga e estende.
Tasso a Camoens
Cinco séculos de poesia (diversos autores) — poemas traduzidos, Tradução e Prefácio de Alexei Bueno, edição bilíngue, 2013, Editora Record, São Paulo — SP; Torquato Tasso (1544 — 1595), italiano de Sorrento, foi um poeta clássico renascentista; adquiriu formação humanística estudando direito, filosofia e retórica em Nápoles, Roma, Veneza, Bolonha e Pádua; o poeta teve uma vida agitada e conturbada, alternou períodos de lucidez, alucinações e delírios, e sofreu internações em mosteiros, cárceres e manicômios; bibliografia: Rinaldo (poema), Aminta (comédia pastoril), Gerusalemme Liberata (Jerusalém libertada) etc.; Torquato Tasso é considerado um dos expoentes da Renascença na Europa.
[traduzido por Alexei Bueno]
Ó Vasco, que em tua ousada nau valente,
Em direção ao sol, que traz o dia,
Velas soltaste, e após tanta porfia
Tornaste enfim às bandas do Poente,
Não te ultrapassa, pelo mar fremente,
O que ao Ciclope ultraja e desafia,
Nem o que na ilha perturbou a Harpia
Deixou mais belo assunto a pena ciente.
Mas a do bom e culto Luís tão alto
Estende além seu voo glorioso
Que mais que as tuas naus o longe rende.
Do Polo austral ao nosso, seu radioso
Eco, onde chega num sonoro salto,
O curso de tua fama alarga e estende.
| Torquato Tasso |
Tasso a Camoens
Vasco, le cui felici, ardite
antenne
Incontro al sol che ne riporta
il giorno
Spiegar le vele e fer colà retorno
Ov’egli par che di cadere
accenne,
Non più di te per aspro mar
sostenne
Quel che fece al Ciclope
oltraggio e scorno,
Né chi turbò l’Arpie nel suo
soggiorno
Né diè più bel subietto a
colte penne.
Ed or quella del colto e buon
Luigi
Tant’oltre stende il glorïoso
volo,
Ch’i tuoi spalmati legni andar
men lunge:
Ond’a quelli a cui s’alza il
nostro Polo
Ed a chi ferma incontra i suoi
vestigi
Per lui del corso tuo la fama
aggiunge.
____________________Cinco séculos de poesia (diversos autores) — poemas traduzidos, Tradução e Prefácio de Alexei Bueno, edição bilíngue, 2013, Editora Record, São Paulo — SP; Torquato Tasso (1544 — 1595), italiano de Sorrento, foi um poeta clássico renascentista; adquiriu formação humanística estudando direito, filosofia e retórica em Nápoles, Roma, Veneza, Bolonha e Pádua; o poeta teve uma vida agitada e conturbada, alternou períodos de lucidez, alucinações e delírios, e sofreu internações em mosteiros, cárceres e manicômios; bibliografia: Rinaldo (poema), Aminta (comédia pastoril), Gerusalemme Liberata (Jerusalém libertada) etc.; Torquato Tasso é considerado um dos expoentes da Renascença na Europa.