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[traduzido por Aleksandar
Jovanović *]
Que seja a noite novamente assim
como desejais
Eu nada sei mais
Nada compreendo mais
À noite pegajosa e agroamarga só se
aconchega
A noite e a noite e a noite.
Em vez do ouro e do mal e do bem e
da parede de desespero
Que não tem mais fim e onde com a
cabeça bato a cada instante
Um encantamento sem forma um
entendimento sem grito
Pela longa noite que se aproxima
Um olhar e uma visão risível e
turvieterna
Além do sangue que corre entre
todas as dores e todas as dores
Não há altura que possa medir-lhes
a profundidade.
Esquece tuas lembranças esquece teu
esquecimento
Como o viajante esquece distraído o
lenço na estação desconhecida
a ponte chagosa das chagas do mundo
estende-se por sobre esses
precipícios
Por sobre esse horror e barro
Em que se despedaça o hábito de luz
em lágrimas irresgatáveis
Eis aí na clareira deste tremor sem
fundo que eu vele e durma
Quebradiço e tristonho e só
Em nada me auxilia a audácia.
Pred buru
Neka noć bude opet onakva kakvu vi
hoćete
Ja više ništa ne znam
Ništa ne razumem
Do samo noć kako opora i smolasta
nadolazi
Noć i noć i noć.
Mesto zlata i zla i dobra i zida
očaja
Koji se ne svršava o koji udarim
glavom svaki čas
Jedan zanos bez lika jedan razum
bez krika
Za dugu noć koja nailazi
Pogled i vidik smešni i smešani
zanavek.
Sem krvi koja teče izmedju bola
svakog i bola svakog
Nema tog viska koji će da im meri
dubinu.
Zaboravi svoje pamćenje zaboravi
svoj zaborav
Ko putnik rasejani bošču na nepoznatoj
stanici
Most ranjav od rana sveta pruža se
preko tih urvina
Preko tog užasa i blata
Gde se lomi navika svetlosti u suzi
neotkupljenoj.
Eto na proplanku te jeze bez dna da
bdim i spavam
Lomljiv i tavan i sam
Drskost mi ništa ne pomaže.
* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
“O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.”
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia)
— [36 poetas], texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados,
por Jovan Pejčić, edição bilíngue, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović,
1987, Editora Meca São Paulo — SP; Dušan Matić (1898 — 1979[?] [1980]), iugoslavo nascido em Tchúpria, matriculou-se em Filosofia na Sorbonne — Paris em 1917, motivado por
doença interrompeu o curso e, de volta a Belgrado, completou o curso em 1922,
formando-se pela Faculdade de Filosofia da Universidade de Belgrado, foi poeta do
surrealismo, crítico, ensaísta, professor e tradutor; viajou pela França, Alemanha,
Áustria, Bélgica, Holanda e Dinamarca; foi participante do grupo surrealista de
Belgrado e de seu almanaque surrealista Nemoguće (O Impossível); colaborou com os periódicos de vanguarda
modernistas surrealistas e suas dissenções: revistas Zenit [Zenith], Putevi (Estradas),
Svedočanstva (Testemunhos), da qual o poeta foi um iniciador, Naša stvarnost (Nossa Realidade) e
50 u Evropi [50 na Europa], todas de Belgrado, nas quais publicou poemas, ensaios
e outros escritos; ainda em 1922, já em Dresden-Alemanha, estudou filosofia romântica
alemã; antes, aos 16 anos e sob o pseudônimo de Uroš Jovanović, publicara sua primeira
poesia no Radničke novine (Jornal dos Trabalhadores) do Partido Social-Democrata
Sérvio; em duas épocas, foi professor de ensino médio e lecionou línguas sérvia
e francesa; suas obras: Položaj nadrealizma u društvenom procesu (em colaboração
com Oskar Davičo e Đorđe
Kostić, A Posição do Surrealismo
no Processo Social, 1932), Gluho
doba (Os Tempos Surdos, romance, 1940), Bagdala (poemas [cancioneiro emotivo], 1954),
Buđenje materije (O Despertar da Matéria, ensaio, 1959), Proplanak i um (coleção
de ensaios, artigos e entrevistas, O Prado e a Mente, 1969), Bitka oko zida (seleção
de ensaios, Uma luta sobre o muro, 1971), André Breton oblique (1976) Tajni plamen
(Chama Secreta, 1976) ...; traduziu Émile Zola (Germinal e Son Excellence Eugène Rougon) e Ivan Pavlov (obra sobre reflexos
condicionados), foi cotradutor de Roger Martin du Gard (do multivolume Les Thibault:
Le Cahier gris [O Caderno Cinzento]); Dušan Matić, que sofreu prisões por
suas atividades e teve que se aposentar de dar aulas, sem condenação, foi um dos principais
membros da Associação de Cientistas,
Escritores e Artistas da Sérvia.