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terça-feira, 20 de março de 2012

Úrsula Garcia: Uma lembrança

Eu quis levá-la ao cemitério, um dia,
Mas em casa disseram: "Tão criança!"
"É tão longe!... É tão triste!..." Eu insistia:
 Não sabe o que é tristeza, ela, e nem cansa!

A manhã é tão linda! O sol radia,
O ar é tão puro, a brisa é fresca e mansa...
É um passeio ao campo. Não faria
mal algum visitar quem lá descansa...


E eu pensava:  É melhor ir caminhando
com seus pezinhos, rindo, conversando,
Voltar da cor das rosas que levou...

Não foi comigo... Mas lá foi levada
Numa manhã de sol...  muda, gelada,
Lívida, inerte... E nunca mais voltou.
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Os Mais Belos Sonetos Brasileiros Seleção e Notas de Edgard Rezende, da Academia Fluminense de Letras Prefácio de Oliveira e Silva, 2ª edição, 1947, Casa Editora Vecchi Ltda., Rio de Janeiro RJ; Ùrsula Barros de Amorim Garcia (1865 1905), nascida em Aracati CE, poetisa, cronista e ensaísta, fez seus estudos no Rio Grande do Norte, aonde rumara acompanhando seu pai, magistrado; foi membro da Liga Feminina do Ceará e, em 1902, juntamente com Amélia Bevilacqua, fundou a Revista Feminina Lírio, de prosas e versos; primeira mulher nordestina a fazer jornalismo político, colaborou com diversas publicações do Nordeste; escreveu Livro de Bela (1901).