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terça-feira, 18 de maio de 2021

Zeferino Brazil: Branca, entre lírios e camélias, morta . . . [soneto]

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Branca, entre lírios e camélias, morta
Vejo-a, serena flor esmaecida...
Aproxima-se o instante da partida,
E, ai! como esta certeza desconforta!

Vai para o céu, risonha, adormecida,
E para o céu o nosso amor transporta,
Porque a morte cruel, que a vida corta,
O amor não corta que nos doura a vida.

“Que formosa!” suspira o céu ao vê-la;
“Que testa de anjo e que cabelo louro!”
Soluçando, murmura cada estrela.

E querubins vão-na levando às francas
Paragens claras das esferas de ouro,
Morta, entre lírios e camélias brancas.

(Vovó Musa — 1903)

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História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Zeferino Antônio de Souza Brazil (1870 1942), gaúcho de Taquari, foi cronista, romancista, dramaturgo, crítico literário e sobretudo poeta parnasiano e simbolista, tendo recebido o epíteto de "príncipe dos poetas riograndenses"; colaborou com os periódicos Jornal do Comércio, Correio do Povo, Última Hora e Gazeta do Comércio entre outros veículos, nos quais fazia uso, além do seu nome verdadeiro, também de vários pseudônimos (Nilo Castanheira, João Simplício, Lúcifer, Til, Eça de Oliveira, Brás Patife Júnior, José dos Cantinhos, Tic, Tac, Diabo Coxo, Vasco de Montarroyos, Phoebus de Montalvão, Luiz Denis, etc.); escreveu e publicou: Alegros e Surdinas (versos dos 15 anos, 1891), Traços Cor de Rosa (versos, 1892), Comédia da Vida (1896), Juca, o Letrado (estudo da psicologia mórbida, 1900), Vovó Musa (1903), Visão do Ópio (1906), Na Torre de Marfim (1910), Comédia da Vida, versos alegres para gente triste — segunda série (1914) O Meio: psicofisiologia do alcoolismo (1922), Teias de Luar (1924), Boêmia de Pena (prosa velha, 1932), Alma Gaúcha (1935), entre outros títulos.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Zeferino Brazil: Eu não sou deste mundo. Eu venho de outra Vida, . . . [soneto]

 
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Eu não sou deste mundo. Eu venho de outra Vida,
De uma estranha região, deslumbrante e afastada,
E, saudoso, recordo a existência passada
Nessa Terra de Luz para sempre perdida.

Conservo na retina a paisagem dourada
Dessa pátria remota, harmoniosa e florida,
Que era, para minh’alma a Terra-Prometida
E de onde há muito tempo ela anda desterrada.

Ah! foi lá que eu vivi uma existência leda,
Sonhos de ouro a sonhar, quimeras perseguindo,
Sob céus de cristal, por montanhas de seda.

E não raro diviso, através de um risonho
Crepúsculo de névoa, esse mavioso e lindo,
Encantado país da Delícia e do Sonho.

(Teias de Luar 1924)

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História da Literatura Brasileira — Simbolismo: Massaud Moisés, 1988, 2ª edição, Editora Cultrix, São Paulo — SP; Zeferino Antônio de Souza Brazil (1870 1942), gaúcho de Taquari, foi cronista, romancista, dramaturgo, crítico literário e sobretudo poeta parnasiano e simbolista, tendo recebido o epíteto de "príncipe dos poetas riograndenses"; colaborou com os periódicos Jornal do Comércio, Correio do Povo, Última Hora e Gazeta do Comércio entre outros veículos, nos quais fazia uso, além do seu nome verdadeiro, também de vários pseudônimos (Nilo Castanheira, João Simplício, Lúcifer, Til, Eça de Oliveira, Brás Patife Júnior, José dos Cantinhos, Tic, Tac, Diabo Coxo, Vasco de Montarroyos, Phoebus de Montalvão, Luiz Denis, etc.); escreveu e publicou: Alegros e Surdinas (versos dos 15 anos, 1891), Traços Cor de Rosa (versos, 1892), Comédia da Vida (1896), Juca, o Letrado (estudo da psicologia mórbida, 1900), Vovó Musa (1903), Visão do Ópio (1906), Na Torre de Marfim (1910), Comédia da Vida, versos alegres para gente triste — segunda série (1914) O Meio: psicofisiologia do alcoolismo (1922), Teias de Luar (1924), Boêmia de Pena (prosa velha, 1932), Alma Gaúcha (1935), entre outros títulos.

sábado, 18 de junho de 2016

Zeferino Brazil: Saudade singular

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Há na minha velhice uma intensa saudade
Que, desde muito, vem me seguindo, sombria;
Ela é feita de sonho e amarga realidade,
De dor sempre presente e infinda nostalgia.

Nostalgia de um sítio enluarado onde, um dia
Em pleno florescer de uma rústica herdade,
Eu quando para a vida os meus olhos abria,
Via em redor de mim soturna escuridade.

E através de uma névoa incerta eu vislumbrava,
Longe, numa longínqua, edênica paragem,
Uma região ridente e linda que encantava.

Dessa estranha região um pássaro risonho,
É, no êxtase estelar de uma rósea miragem,
A saudade que eu tenho  a saudade do Sonho.

(Teias de Luar, pág. 170.)

Zeferino Brasil
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Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro — Volume 1, por Andrade Muricy, (Coleção de Literatura Brasileira 12), 1973, Ministério de Educação e Cultura — Instituto Nacional do Livro, Brasília — DF; Zeferino Antônio de Souza Brazil (1870 1942), gaúcho de Taquari, foi cronista, romancista, dramaturgo, crítico literário e sobretudo poeta parnasiano e simbolista, tendo recebido o epíteto de "príncipe dos poetas riograndenses"; colaborou com os periódicos Jornal do Comércio, Correio do Povo, Última Hora e Gazeta do Comércio entre outros veículos, nos quais fazia uso, além do seu nome verdadeiro, também de vários pseudônimos (Nilo Castanheira, João Simplício, Lúcifer, Til, Eça de Oliveira, Brás Patife Júnior, José dos Cantinhos, Tic, Tac, Diabo Coxo, Vasco de Montarroyos, Phoebus de Montalvão, Luiz Denis, etc.); escreveu e publicou: Alegros e Surdinas (versos dos 15 anos, 1891), Traços Cor de Rosa (versos, 1892), Comédia da Vida (1896), Juca, o Letrado (estudo da psicologia mórbida, 1900), Vovó Musa (1903), Visão do Ópio (1906), Na Torre de Marfim (1910), Comédia da Vida, versos alegres para gente triste segunda série (1914) O Meio: psicofisiologia do alcoolismo (1922), Teias de Luar (1924), Boêmia de Pena (prosa velha, 1932), Alma Gaúcha (1935), entre outros títulos.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Zeferino Brazil: Aspiração


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Ser pedra! não sofrer nem amar, ó que ventura!
Excelsa aspiração que merece um poema!
Ser pedra e ter da pedra a consistência dura
Que resiste do tempo à corrupção extrema.

Alma! sopro de luz que me anima e depura,
Antes tu fosses pedra: um diamante, uma gema
Não te seria a vida esta insana loucura
Do eterno aspirar à perfeição suprema!

Homem, não mudarás! És homem, serás homem;
Lama vil animada, onde vive e onde medra
A venenosa flor das mágoas que consomem.

Homem sempre serás, imperfeito e corrupto...
E melhor é ser pedra e viver como pedra
Que ser homem assim e viver como um bruto!...

Zeferino Brasil
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Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros (segunda série, 1ª  edição), selecionados por Edgard Rezende, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ, 1950; Zeferino Antônio de Souza Brazil (1870  1942), gaúcho de Taquari, foi cronista, romancista, dramaturgo, crítico literário e sobretudo poeta parnasiano e simbolista, tendo recebido o epíteto de "príncipe dos poetas riograndenses"; colaborou com os periódicos Jornal do Comércio, Correio do Povo, Última Hora e Gazeta do Comércio entre outros veículos, nos quais fazia uso, além do seu nome verdadeiro, também de vários pseudônimos (Nilo Castanheira, João Simplício, Lúcifer, Til, Eça de Oliveira, Brás Patife Júnior, José dos Cantinhos, Tic, Tac, Diabo Coxo, Vasco de Montarroyos, Phoebus de Montalvão, Luiz Denis, etc.); escreveu e publicou: Alegros e Surdinas (versos dos 15 anos, 1891) Traços Cor de Rosa (versos, 1892), Comédia da Vida (1896), Juca, o Letrado (estudo da psicologia mórbida, 1900), Vovó Musa (1903), Visão do Ópio (1906), Na Torre de Marfim (1910), Comédia da Vida (versos alegres para gente triste, segunda série, 1914) O Meio: psicofisiologia do alcoolismo (1922), Teias de Luar (1924), Boêmia de Pena (prosa velha, 1932), Alma Gaúcha (1935), entre outros títulos.