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Vagas constelações de pirilampos
penteiam de oiro a densa noite escura.
Há um trágico silêncio na espessura
dos matagais e na amplidão dos campos.
O batuque dos negros apavora.
Anda o saci nas moitas, vagabundo,
e almas penadas, almas do outro mundo,
passam gemendo pela noite em fora.
Só, no ranchinho de sapé coberto,
encosto o ouvido à taipa esburacada,
e ouço um curiango que soluça, perto...
Lambe a fogueira os últimos gravetos,
e pela noite rola, magoada,
a cantiga nostálgica dos pretos.
(Ipês — pág. 25)

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Antologia da Poesia
Paulista II — Prefácio, Organização, Seleção e Notas Bibliográficas
por Domingos Carvalho da Silva, Oliveira Ribeiro Neto e Péricles Eugênio da
Silva Ramos, 1960, Imprensa Oficial do Estado, São
Paulo — SP; Ricardo Mendes Gonçalves (1883 — 1916), paulista e paulistano, formado em Direito
pela Faculdade de Direito de São Paulo (atual USP — Largo São
Francisco), foi poeta, tradutor, jornalista, orador e político (vereador em São
Paulo); fez parte do grupo do 'Minarete' juntamente com Monteiro Lobato e
outros; trabalhou para os jornais Comércio de São Paulo, Estadinho,
foi repórter do jornal O Correio Paulistano e colaborou no Amigo
do Povo, etc.; com suas idéias socialistas e libertárias, participou
ativamente dos movimentos operários de seu tempo — teve envolvimento
em congresso de estudantes, pregando o socialismo e, depois, em uma greve
ferroviária na qual foi ferido no braço à bala; é considerado o apresentante
dos ideais da filosofia anarquista a Edgard Leuenroth que é hoje célebre nome
desta filosofia; Ricardo Gonçalves deixou-nos uma única obra, Ipês (poesias,
1921), publicada postumamente; suicidou-se em 11 de outubro de 1916.

