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sábado, 22 de novembro de 2014

Anastácio Bomsucesso: Os ossos

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Os ossos de um nobre se encontraram
Com os ossos de um peão. Estando a sós,
Nas tristes solidões de um cemitério,
Pergunta o nobre ao outro: "Os teus avós?...

Por entre essas ossadas que embranquecem
Da lua ao clarão, mostrai-me os vossos”.
Responde-lhe o plebeu: “Não os distingo;
São do nobre e plebeu iguais os ossos”.

Nas pedras sepulcrais ainda brilham
Dos homens a vaidade e a impostura!
Levantai-as, leitor, lede nos ossos...
Somos todos iguais na sepultura
!
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Antologia de Humorismo e Sátira (de Gregório de Matos a Vão Gôgo)  por R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro  RJ; Anastácio Luís do Bomsucesso (1836  1899), médico e professor, foi também escritor e autor da coletânea Fábulas (1860, e edição completa em 1895); com grande popularidade na segunda metade do século XIX, o autor teve suas criações e adaptações publicadas em jornais, revistas e almanaques da época.