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pela orelha ou pelo bico
pelo bico ou pela orelha
será o bico dum pato?
será orelha dum coelho?
é bom prestar atenção
melhor não confiar no espelho
talvez seja um coelhato
quem sabe só um patelho
alguém disse ornitorrinco?!
por que não? quem sabe, sim!
se o pegarmos pelas patas
e o bicho botar um ovo...
mas se for ovo de páscoa
não poderia ser coelho
nem mesmo um coelhato
jamais seria patelho
quadrinhas feitas nas patas
— tal qual se moldavam telhas!? —
talvez surja um poemato
quem sabe um poemetelho
e o poeta estupefato
procurando pelo em ovo
percebe que tudo empata
declama a trova de novo:
— pela orelha ou pelo bico
pelo bico ou pela orelha
será o bico dum pato?
será orelha dum coelho?
[2020]
são paulo — sp
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Genésio dos Santos,
nascido em 1952, paulista de Itapetininga, caipira e filho de ferroviário,
quase ex-telegrafista da Estrada de Ferro Sorocabana, escreve desde os treze
anos de idade; num dia foi bóia-fria, noutro foi ajudante de açougueiro,
faturista de comércio de atacado e, ainda noutro, labutou em escritórios de
contabilidade; até quase agorinha mesmo foi bancário, hoje está aposentado;
poeta e cronista não tão ativo, escreveu e publicou Número Um (poesias, 1978) e
Cinco Poeminhas (cartaz poético, 1981); como militante sindical, escreveu
crônicas para o jornal O Espelho — SP, Folha Bancária, participou do jornal
Brinque (do coletivo cultural do Seeb-SP, 1983 — 1985) e pilotou o
devezenquandário Na Moita (1991 — 1997), editados sob a responsabilidade do
Sindicato dos Bancários de São Paulo; é aprendiz de blogueiro.

