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Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis,
Alegria nervosa de bandeirinhas
trêmulas!
Bandeirinhas de papel bulindo no
vento!…
Foguetes do ar…
— "De ordem do Rei dos
Cavaleiros,
a cavalhada vai começar!"
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis…
— Lá vem Papa-Légua em toda
carreira
e vem com os arreios luzindo no
sol!
— Danou-se! Vai tirar a argolinha!
— Pra quem será?
— Lá vem Pé-de-Vento!
— Lá vem Tira-Teima!
— Lá vem Fura-Mundo!
— Lá vem Sarará!
— Passou lambendo!
— Se tivesse cabelo tirava!…
— Andou beirando!…
— Tirou!!!
— Música, seu mestre!
— Foguetes, moleque!
— Palmas, negrada!
— Tiraram a argolinha!
— Foi Sarará!
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Fitas e fitas…
Roxas,
verdes,
brancas,
azuis…
— Viva a cavalhada!
— Vivoôôô!!!
— “De ordem do Rei dos Cavaleiros,
a cavalhada vai terminar!”
* Nota da edição — Vocabulário:
Cavalhada — Desfile a cavalo, corrida de cavaleiros, jogo de canas, jogo de argolinhas ou de manilha (**). O autor assistiu em Bebedouro, arredores de Maceió, Alagoas, janeiro de 1952, a uma cavalhada. “Os cavaleiros, sempre em número par, vestem branco, e os prêmios simbólicos são faixas de fazendas vistosas, na maioria azuis e encarnadas, cores que dividem as duas alas. Cada ala tem o seu maquinador, reminiscência do “mantenedor” clássico. O maquinador da direita é do cordão encarnado, e denomina-se Roldão obrigatoriamente, e o da esquerda, do azul, Oliveiros. Depois da corrida de argolinhas, os cavaleiros em ordem foram render graças diante da Capela, etc.”.(**) Do “Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo.
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Poesia Brasileira
para a Infância (diversas autorias), Seleção, Organização e Texto/Apresentação de
Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, Coleção Henriqueta 1, 3ª edição revista,
1968, Edição Saraiva, São Paulo — SP; Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira
(1895 — 1965), pernambucano de Palmares, Zona da Mata, foi funcionário público,
poeta, letrista-compositor, declamador e cantador dos próprios versos; em 1911,
publicou seu primeiro poema ‘Flor fenecida’ no jornal A Notícia, de Palmares e,
depois, colaborou com o Diário de Pernambuco e outros jornais; participou do Movimento
Modernista de Pernambuco; suas obras: Catimbó (1927), Cana Caiana (1939),
Xenhenhém (1951), Poemas 1922 — 1951 (1951), O Maracatu (publicação póstuma, 1986)
...; como letrista, teve poemas musicados por Heitor Villa Lobos (O Trem de Alagoas),
Alceu Valença (Vou danado pra Catende, refrão de ‘O trem de Alagoas’), Hekel Tavares
(Chove chuva!), Capiba (Onde o sol descamba) e outros compositores.





