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[traduzido por Heitor Práguer Fróis]
A jarra em que este ramo de
verbenas
Fenece por um leque foi rachada:
O choque foi na superfície apenas,
E não se ouviu ruído de pancadas...
Mas aquela fratura desprezível,
Incisando o cristal, tanto cresceu
Que, em progressão fatal, imprevisível,
Fez toda a volta, e a jarra se
fendeu.
A fresca linfa aos poucos foi-se
embora;
As flores estão já quase sem vida,
E ninguém o notou até agora...
Ai! não a toques, que ela está
fendida!
Da mão querida quanta vez um gesto
O coração magoa e o faz sofrer...
E, em breve, sem queixume e sem
protesto,
As flores desse amor vão fenecer!
Intacto sempre, no parecer do
mundo,
O coração também guarda escondido
O seu sofrer, o seu penar
profundo...
Ai! não o toques, que ele está
ferido!
(Meus Poemas... dos Outros [Heitor
Práguer Fróis], Bahia,
1952.)
Le vase brisé
Le vase où meurt cette verveine
D’un coup d’éventail fut fêlé;
Le coup dut effleurer à peine.
Aucun bruit ne l’a révélé.
Mais la légère meurtrissure,
Mordant le cristal chaque jour,
D’une marche invisible et sûre
En a fait lentement le tour.
Son eau fraîche a fui goutte à
goutte,
Le suc des fleurs s’est épuisé;
Personne encore ne s’en doute,
N’y touchez pas, il est brisé.
Souvent aussi la main qu’on aime,
Effleurant le coeur, le meurtrit;
Puis le coeur se fend de lui-même,
La fleur de son amour périt;
Toujours intact aux yeux du monde,
Il sent croître et pleurer tout bas
Sa blessure fine et profonde:
Il est brisé, n’y touchez pas.
[Stances et poèmes — 1865]
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Diário Íntimo e Pensamentos: Sully Prudhomme [+ ‘Poemas de
Sully Prudhomme em Traduções Brasileiras’], Apresentação ‘Prefácio’ de Anders
Österling, Tradução e Notas de Mello Nóbrega, Estudo Introdutivo de Gabriel
D’Aubarède, Ilustrações de André Hambourg e Pequena História da atribuição do
Prêmio Nobel a Sully Prudhomme, por Gunnar Ahlström — Biblioteca dos Prêmios
Nobel de Literatura, 1973, Editora Ópera Mundi, Rio de Janeiro — RJ; Sully-Prudhomme
ou René Armand François Prudhomme (1839 — 1907), francês e parisiense,
ingressou no Liceu Bonaparte, pretendia ser engenheiro, desistiu, trabalhou como
escriturário em fábrica, estudou Direito, foi pensador, ensaísta e poeta; pertenceu
ao grupo de poetas parnasianos que foram responsáveis pela publicação de Parnasse
Contemporain; elegeu-se para a Academia Francesa (1881) e foi o primeiro autor
literato a receber o recém-criado Prêmio Nobel de Literatura (1901); obras poéticas:
Stances et Poèmes (1865), Les Épreuves (1866), Les Solitudes (1869),
Impressions de la guerre (1870), Les Destins (1872), La France (1874), Les Vaines
tendresses (1875), La Justice (1878), Le Prisme, poésies diverses (1886), Le Bonheur
(1888)..., em prosa, escreveu Réflexions sur l’art des vers (prosa, 1892) e outros
escritos (diário e pensamentos); Sully Prudhomme deixou publicado ensaios
filosóficos e prosa variada na Bibliothèque de philosophie contemporaine e nos
periódicos Revue de deux Mondes, Revue scientifique, La Nature, Revue de Métaphysique
et de Morale e Nouvelle Revue Internationale Européenne; de sua biografia,
consta que o poeta, “de saúde precária” desde a infância, a partir de 1870,
sofreu mais complicações, teve paralisia em “toda parte inferior do corpo” e
após a qual “nunca mais recobraria integralmente sua capacidade [motora]; teve
poemas musicados, recebeu honrarias e premiações por sua obra, entre as quais o
já citado 1º Prêmio Nobel de Literatura (1901).