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Coitado! que em um tempo choro e rio;
Espero e temo, e quero e aborreço;
Juntamente me alegro e entristeço;
De uma cousa confio e desconfio.
Voo sem asas; estou cego e guio;
E no que valho mais menos mereço;
Calando, dou vozes; falo e emudeço;
Nada me contradiz, e eu aporfio.
Queria, se ser pudesse, o impossível;
Queria poder mudar-me, e estar quedo;
Usar de liberdade, e estar cativo;
Queria que visto fosse, e invisível;
Queira desenredar-me, e mais me enredo:
Tais os extremos em que triste vivo!
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Antologia Escolar de Poesia Portuguesa — De Camões a Pessoa,
Organização de Douglas Tufano, 1993, Impressão em 2000, Editora Moderna, São Paulo
— SP; Luís Vaz de Camões (1524 — 1580), português, teria nascido em Lisboa ou em
Coimbra, foi poeta e é considerado um dos maiores vultos da literatura em língua
portuguesa da Renascença e um dos grandes poetas do mundo ocidental; foi através
de sua obra poética que a língua portuguesa passou a expressar sentimentos, sensações,
fatos e idéias de uma forma até então jamais alcançada por ninguém; retratou o humanismo
e a expansão ultramarina, dois elementos que caracterizaram o Renascimento Português;
celebrizou-se não tão somente por ter escrito Os Lusíadas, longo poema épico que
expõe a história e a cultura portuguesa até à época vigentes, mas também pelo desenvolvimento
de uma obra lírica na qual se encontram, entre os poemas mais famosos, os sonetos;
foi só após a sua morte que teve reunida, na coletânea Rimas, sua obra lírica.




