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Ouço uma estranha voz, lá fora... Engano,
certo,
Quem, numa noite assim, andará
pela rua?
Cada vez mais estranha escuto-a...
Já mais perto,
Nítida agora, na minha alma se
insinua.
Houve alguém que, ao morrer, me
deixou num deserto.
Falar-me-á esse alguém? Essa voz
será sua?
Tu, que o meu coração deixaste em
chaga aberto,
Vem de ti essa voz que sobre mim
atua?
E a voz que escuto, a voz
permanece calada;
Abro a porta a pensar como Poe: — Talvez seja
Alguém... Fria e cortante, entra o
quarto a rajada.
Lembro-me ainda outra vez. Fora o
silêncio adeja,
E lá fora, até lá, na larga noite,
ansiada,
Esta grande saudade intérmina
boceja.
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Coletânea de Poetas Paulistas — Seleção, Organização e Introdução de Enéas de Moura, 1951, Editora Minerva, Rio de Janeiro — RJ;
Orlando Martins Teixeira (1874 — 1902), paulista de São João da
Boa Vista, foi jornalista, dramaturgo e poeta; viveu sobretudo no Rio de
Janeiro, onde se relacionou nos meios literários; colaborou em jornais
de São Paulo, no Rio foi secretário da Gazeta da Tarde; para o teatro, escreveu Pão-pão, queijo-queijo (comédia-revista), O serralho do Nabor (opereta bufa),
Contra as crianças (monólogo); na literatura, escreveu e publicou uma única
obra, Magnificat (1901), dedicada “à que nunca será minha”, sua
musa Violeta “Bebê” Lima Castro, cantora lírica e declamadora de grande fama em
sua época.