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Vinha sentado gravemente, mudo,
D'olhos baixos, obeso e venerando,
Mãos cruzadas no ventre, ruminando
Velhas rezas ou santo e duro estudo.
Ergue tímido o olhar, triste; contudo,
É paternal e bom; de quando em quando
Ao céu o volve, ao céu que vai passando
Pelas vidraças, empoeirado. Tudo
Nele respira a fé e cheira a igreja.
Por todos os seus poros Deus poreja.
Do seu breviário agora passa as folhas.
Pio varão! para este já começa
O reino do Senhor!... mas sai à pressa
E cai-lhe da batina — um saca-rolhas!
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Antologia de Humorismo e Sátira (de
Gregório de Matos a Vão Gôgo) — Organização, Prefácio e Notas Bibliográficas de
R. Magalhães Júnior, 1957, Editora Civilização Brasileira S.A., Rio de Janeiro —
RJ; Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça (1854 —
1909), fluminense de Piraí, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo — atual
USP do Largo de São Francisco —, foi advogado, magistrado, jornalista, contista
e poeta; colaborou em diversos periódicos da época, entre os quais O Ipiranga e
A Província, de São Paulo, A República, do Rio de Janeiro e Colombo, de Campanha
— MG; escreveu e publicou Névoas Matutinas (1872), Alvoradas (1875), O Marido da
Adúltera (1882), Visões do Abismo (1888), Esboços e Perfis (1889), Vergastas (poesia,
1889), Canções de Outono (1896), Horas do bom tempo (1901), Murmúrios e Clamores
— poesias completas (1902), Páginas Jurídicas (1903), A Caminho (1903); Lúcio de
Mendonça foi o “pai” da idéia de criação de uma academia de letras, levando-a a
efeito; como um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, coube-lhe a cadeira
nº 11, cujo patrono é o poeta Fagundes Varela; consta em sua biografia que o
poeta era republicano, anticlerical e de tendência socialista.









