Mostrando postagens com marcador Idelma Ribeiro de Faria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Idelma Ribeiro de Faria. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de fevereiro de 2026

T. S. Eliot: Morte pela água

 
____________________
[traduzido por Idelma Ribeiro de Faria]

[IV]

Flebas, o fenício, há quinze dias morto,
Esqueceu o grito da gaivota, o inflar do mar profundo
E os lucros e perdas.

                                              Uma corrente submarina murmurando
Seus ossos recolheu. Imergindo e aflorando
Flebas ultrapassou velhice e mocidade
E na voragem se perdeu.

                                             Gentio ou judeu
Ó tu que a roda giras e a barlavento olhas
Pensa em Flebas
Um dia teu igual em estatura e linhagem.

A Terra Gasta — IV. 1921-1922.
(Eliot et alii, 1992, p. 47).

T. S. Eliot

IV. Death By Water

Phlebas the Phoenician, a fortnight dead,
Forgot the cry of gulls, and the deep sea swell
And the profit and loss.

                                            A current under sea
Picked his bones in whispers. As he rose and fell
He passed the stages of his age and youth
Entering the whirlpool.

                                           Gentile or Jew
O you who turn the wheel and look to windward,
Consider Phlebas, who was once handsome and tall as you.

The West Land — IV
1921 — 1922
____________________
Seleção: T. S. Eliot, Emily Dickinson e René Depestre — edição bilíngue, Tradução, Organização e Ensaios de Idelma Ribeiro de Faria, 1992, Editora Hucitec, São Paulo — SP; T. S. Eliot ou Thomas Stearns Eliot (1888 1965), estadunidense de St. Louis, Missouri, naturalizado inglês em 1927, formou-se em Letras Clássicas e doutorou-se em Filosofia pela Universidade de Harvard, em Boston, estudou Língua e Literatura francesa na Sorbonne, Paris França, foi poeta, professor universitário, dramaturgo, crítico literário, jornalista, conferencista e editor; seus primeiros estudos se deram na Academia Smith, ainda em St. Louis, e na Academia Milton, em Massachusetts; Eliot também esteve na Alemanha por dois anos, em um período de pesquisas, e fez estágio em Oxford Inglaterra; enquanto estudante em Harvard, alguns de seus poemas e outros textos foram publicados na revista universitária Harvard Advocate na qual o poeta fez parte do quadro de editores; após formado, mudando-se para Londres, se empregou no Loyd Banks, tornou-se editor assistente do jornal londrino The Egoist, além de ter colaborado assiduamente com outros periódicos literários, entre os quais a revista The Athenaeum, criou a The Criterion — revista trimestral de literatura e filosofia, a ela se dedicando por 17 anos, e, ao mesmo tempo, compôs a diretoria da Faber & Faber, empresa editorial; suas obras: Prufrock and Other Observations (poems, 1917), Poems (1920), The West Land (poem [5 partes], 1922), Selected Essays: 1917—1932 (crítica literária, 1932), The Rock: a Pageant Play (teatro, 1934), Collected Poems: 1909—1935 (1936), Murder in the Cathedral (drama, 1935), Old Possum’s Book of practical Cats (Os Gatos, 1939), Four Quartets (poesias, 1943); The Cocktail Party (comédia, 1950), The Elder Statesman (comédia, 19581959) e tantos outros textos em verso e prosa e para dramaturgia; recebeu premiações por sua obra, uma delas o Prêmio Nobel de Literatura em 1948.