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Antes de mergulhar no silêncio da
morte,
ou da idade sentir a fraqueza e o
torpor,
eu quisera lançar, num supremo
transporte,
meu grito de revolta e meu grito
de horror.
Mas sei que por mais forte e por
mais estridente
que ela corra através do infinito,
até vós,
ó céus, que além brilhais numa paz
inclemente,
nem qual brando rumor chegará
minha voz!
Mas sei que não há dor que a
natureza vença,
e que nunca a fará de leve
estremecer
na sua eternidade e sua
indiferença
o lamento que vem dum transitório
ser.
Mas sei que sobre a face execrável
da terra,
onde cada alma sente, em torno, a
solidão,
esse grito, que a dor duma
existência encerra,
não irá ressoar em nenhum coração.
Contudo, num clamor de suprema
energia,
eu quisera lançar minha voz! Mas a
quem
enviar esse brado imenso de
agonia,
se para o compreender não existe
ninguém?! *
(Vibrações — 1905)
* Nota do Organizador:
Já Górgias, na filosofia grega, afirmava que não era possível a compreensão de um homem por outro.
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Poesia Parnasiana — Antologia (vários autores), Introdução, Seleção e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1967, Edições Melhoramentos, São Paulo — SP; da vida da poetisa e cronista Júlia Cortines Laxe (1868 — 1948), nascida em Rio Bonito — RJ, apesar de sua longevidade, pouco ou nada se sabe, supondo-se que tenha sido professora; no início do século XX, no meio literário brasileiro, chegou a ser considerada uma das "três Júlias" mais famosas da época (as outras foram Francisca Júlia, também poetisa, e Júlia Lopes de Almeida, romancista); deixou-nos como legado Versos (1894) e Vibrações (1905).