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[traduzido por Péricles Eugênio da Silva Ramos]
O rei estava no trono,
Os sátrapas no salão;
Mil lâmpadas, de clarão
Enchiam o festival.
Por mil vasos de Jeová,
Todos santos em Judá
— Taças de ouro sem igual —
Fluía o vinho pagão.
Na mesma hora e salão
Os dedos de estranha mão
Na parede se moveram,
Como em areia escreveram:
Eram dedos de varão,
Mas, isolada, essa mão
A parede percorreu:
Letras, qual vara, escreveu.
Viu o monarca, e tremeu,
Não mais mandou que festassem;
Pôs-se exangue o rosto seu,
Sua voz estremeceu.
“Os homens de mais saber
Que venham e expliquem logo
Essas palavras de fogo
Que estragam nosso prazer.”
Os caldeus são bons videntes,
Mas nisso foram inscientes;
E as letras, não traduzidas,
Seguiram desconhecidas.
E os anciãos da Babel,
Que são de extremo saber,
Já não tinham conhecer,
Viam, mas sem compreender.
Um cativo dessa gente,
Um jovem que era estrangeiro,
O mando ouviu, real e urgente,
E o escrito achou verdadeiro.
Das lâmpadas ao clarão,
Bem se via a predição.
Nessa noite ele a explicou,
O outro dia a comprovou:
“Já vai jazer, Baltasar.
Seu reino já está passado;
Ele é, em balança pesado,
Leve argila desvaliosa;
Lage, é seu dossel sem par,
Mortalha, a roupa faustosa.
Está às portas a hoste adversa;
No seu trono, vejo o persa!”
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| Lorde Byron |
The Vision of Belshazzar
The King was on his throne,
The Satraps thronged the hall:
A thousand bright lamps shone
O’er that high festival.
A thousand cups of gold,
In Judah deemed divine —
Jehovah’s vessels hold
The godless Heathen’s wine.
In that same hour and hall,
The fingers of a hand
Came forth against the wall,
And wrote as if on sand:
The fingers of a man; —
A solitary hand
Along the letters ran,
And traced them like a wand.
The monarch saw, and shook,
And bade no more rejoice;
All bloodless waxed his look,
And tremulous his voice.
‘Let the men of lore appear,
The wisest of the earth,
And expound the words of fear,
Which mar our royal mirth.’
Chaldea’s seers are good,
But here they have no skill;
And the unknown letters stood
Untold and awful still.
And Babel’s men of age
Are wise and deep in lore;
But now they were not sage,
They saw — but knew no more.
A captive in the land,
A stranger and a youth,
He heard the king’s command,
He saw that writing’s truth.
The lamps around were bright,
The prophecy in view;
He read it on that night, —
The morrow proved it true.
'Belshazzar’s grave is made,
His kingdom passed away,
He, in the balance weighed,
Is light and worthless clay;
The shroud his robe of state,
His canopy the stone;
The Mede is at his gate!
The Persian on his throne!'
* Nota de Péricles Eugênio da Silva Ramos: Este poema, que faz
parte das Melodias Hebraicas (1815), foi traduzido por Costa Meireles (1869) e
Oliveira Silva (1875). O tema sugestionou os nossos românticos, como demonstram
a “Babilônia”, de Cardoso de Meneses e Souza Júnior e “O Festim de Baltasar", de
Elzeário da Lapa Pinto.
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Poesias de Lorde Byron —
Introdução, Tradução e Notas de Péricles Eugênio da Silva Ramos — edição
bilíngue — Coleção Toda Poesia 8, 1989, Art Editora, São Paulo — SP; George Gordon, George Gordon Byron ou Lord Byron
(1788 — 1824), inglês e londrino, barão, foi poeta e
revolucionário; levou uma vida radical, em termos de aventuras e escândalos, tornando-se assim o mais famoso dos românticos ingleses; o seu satanismo foi
precursor do de Baudelaire; Byron, junto com Shelley e Leigh Hunt, foi um dos
fundadores do jornal O Liberal, em Pisa — Itália; escreveu e
publicou Hours of Idleness (Horas de Ócio, 1807), vieram depois
os poemas longos e suas subdivisões em cantos, Childe Harold, Don Juan (1819—1824), Marino Faliero, Doge de Veneza (peça), além de The Corsair (O Corsário, 1814), Lara, Beppo, The
Prisioner of Chillon (O Prisioneiro de Chillon, 1816), e tantos
outros textos; também participou lutando com os gregos na guerra contra os
turcos, ocasião em que morreu.