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Mãe preta,
bonita, sorriso longo, completo.
Nem parece
que passou por tantas.
Deu um
duro danado entre a roça e os bordados.
Virou ao
avesso para não desbotar.
Dizia, não
com soberba: esfrego chão dessas Senhoras.
Essa
gente coloniza.
Se a
pessoa não tiver orgulho de ser assim Zulu
fica domesticada.
Sem opinião.
Se autodeprecia, adoece.
Guardados da memória — 2008
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Antologia de Poesia Afro-Brasileira
— 150 anos de consciência negra no Brasil, Organização de Zilá Bernd, Coorganização
de Emilene Corrêa Souza e Plínio Carlos Souza Corrêa Junior, 2011, Mazza Edições,
Belo Horizonte — MG; Ana Cruz, nascida em 1965, mineira de Visconde do Rio Branco,
é jornalista e poeta; estreou na literatura com a obra E... feito de luz (1997),
depois vieram Com o perdão da palavra (1999), Mulheres Q' Rezam (2001), e Guardados
da memória (2008); criou e coordenou o caderno literário Jornal mural de mina (edições
em 1998 e 2003), com textos de vários autores e também seus, além de críticas; lançou
o projeto Mulheres Bantas, Vozes de Minhas Antepassadas (2011), incluindo um seminário
sobre literatura afro-brasileira e leitura de seus poemas em DVD; atualmente reside
em Niterói — RJ.






