Mostrando postagens com marcador Luiz Ruffato. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Ruffato. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Francisco Inácio Peixoto: Exercício erótico & Noturno

 
____________________
Exercício erótico

Triângulo isósceles que se inscrevesse no ventre
coxim de pelos ruivos
ou negros ou fulvos
ora seda desfiada ora cerda ou lã
ou espessa crina crespa em campo escuro
que ansiosa mão afaga procurando
a oculta amêndoa
 vértice de dura bissetriz que irá feri-la
dividindo em dois o deleitável monte.

Noturno

Nada vem da rua,
só a névoa da lua
frouxa luz de acetileno
(seu único recato).
Dormes
e o sono deixa em mármore
o corpo nu.
Dormes.
No púbis
agora quieta
tarântula

(Erótica, poemas, com desenhos
de Aldary Toledo — 1981)

____________________
Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Francisco Inácio Peixoto: Ciúme

____________________
Um inglês cor de ocre
De olhos cor de bílis
De calças tipo esporte
Na hora em que avistamos
O Rio de Janeiro
Arregalou muito os olhos
Parou bestificado
Tirou uma bolsa preta
Uma codaque autográfica
E codacou com ela
Pra desculpar a sua admiração
A baía da Guanabara todinha
Sem faltar nem o Pão de Açúcar.

Eu sabia que quando ele voltasse pra Inglaterra
Havia de mostrar pros ingleses amigos dele
THE MOST BEAUTIFUL BAY IN THE WORLD...
Mas eu não queria isso não
E se eu fosse mais forte
Metia era o braço nele
E azulava com a codaque
PRO FUNDO DO MAR!

(Meia-Pataca — 1928)

____________________
Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias de Portugal e da Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Francisco Inácio Peixoto: Hans Staden

 
____________________
Nem nunca Hans Staden
Entenderei a sua maldade!
A sua alma era boa
Os seus olhos bem limpos,
Nem nunca Hans Staden
Acreditarei que você pudesse
Fazer o que fez!...
Eu sei que outros fizeram a mesma coisa também
Mas você devia ter se resignado...

Você viu eu juro que viu! com que alegria
As indiazinhas inocentes
De dentes tão brancos
De seios de bronze
De encantos tão frágeis
Olhavam alegres
Pro seu corpo azulado
De veias azuis...
E você não se resignou
Nem soube se calar
Se deixando ficar
Por amor dessas virgens tão lindas
Não tirando tão pura alegria
Dessas virgens de encantos tão frágeis...

É bem verdade Hans
Que você era de terras estranhas
E jamais poderia compreender certas coisas
Mas não posso
Nem nunca entenderei a sua maldade!

(Meia-Pataca, poemas, 1928)

____________________
Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias em Portugal e na Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

terça-feira, 3 de junho de 2025

Francisco Inácio Peixoto: Último exercício ou poema de amor

 
____________________
Vou me lembrar:
Nair de coxas de seda
Odete de quem entrevi um dia
a negra belbutina
a sábia Zulmira e Celmira Gláucia Carmem
a loura Abigail que era AEbigueial mas não concedia
Maria
para todos Mariinha
Olinda Guiomar
a devassa Conceição
Alcina e também Marília Filhinha...
Tantas assim?
Nem tanto nem tanto...
Havia ainda Leonora
que eu chamava Lenora
extinta como a outra como as outras.
Todas se sumiram
todas se fundiram
Numa só.

O nome?
Este, não digo

(Erótica, poemas, com desenhos
de Aldary Toledo, 1981)

____________________
Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador também responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias em Portugal e na Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

domingo, 18 de maio de 2025

Francisco Inácio Peixoto: Viagem


____________________
Trenzinho de ferro
Não anda depressa!
Me mostra me mostra
Bem direitinho
Esta manhã vem gostosa
Que pula sapeca
Assanhada dengosa
Na frente em cima
De banda de lado
Dos caminhos compridos
Tão compridos tão largos
Que até dão preguiça
Da gente andar neles
Ao vê-los assim
Tão compridos tão largos
Vermelhos estendidos
Na terra suada...

Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!

E o trenzinho vai passando
Saltando bufando

Sem respeito e sem medo
De terríveis rochedos
Que se erguem medonhos
E acuados se escondem
Se empinando mais longe...

Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!

Que gosto se ver
Manhã tão bonita
O ventinho brincando
Com as sombras que caem
Das árvores molhadas
Nos rios temíveis...
E as matas que escondem
Mil bichos ferozes?
E as negras pançudas
Que no alto dos morros
Apanham café?

Trenzinho de ferro
Não anda depressa!
Que gosto se ver
Manhã tão bonita...

Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo maquinista
Pra chegar na caixa d’água!
Bota fogo! Bota fogo!

(Meia-Pataca, poemas, 1928)

____________________
Francisco Inácio Peixoto em prosa e poesia, Coleção Os Ases de Cataguases, Apresentação, Organização e Notas de Luiz Ruffato e Prefácio [orelhas do livro] por Maria Zilda Ferreira Cury, 2008, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Francisco Inácio Peixoto (1909 1986), mineiro e cataguasense, fez os estudos iniciais no antigo Ginásio de Cataguases, tendo ingressado na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, transferiu-se para o Rio de Janeiro e se formou na Faculdade Nacional de Direito (atual Faculdade de Direito — UFRJ), foi industrial, fazendeiro, contista, cronista, romancista e poeta; financiador e incentivador de importantes manifestações culturais de Cataguases, foi um dos integrantes do Grupo Verde, com participação na criação da modernista revista Verde; por alguns anos, exerceu a profissão de advogado no Rio; depois, de retorno a Cataguases, Francisco Inácio Peixoto tornou-se o responsável direto pelo surgimento de obras arquitetônicas modernistas na cidade, entre as quais a do Colégio Cataguases, em projeto de Oscar Niemeyer, construção iniciada após a aquisição do antigo ginásio onde Francisco Inácio estudara; a partir daí, outras experiências modernistas inundaram a cidade: a construção da própria residência do poeta, também projetada por Niemeyer, a construção de jardins projetados pelo paisagista Burle Marx, esculturas de Jan Zach, azulejos de Anísio Medeiros e de Djanira surgiram no centro da cidade, painéis e quadros de Portinari, móveis desenhados por Joaquim Tenreiro; Francisco Inácio também foi o criador responsável pela formação de dois museus no prédio do novo Colégio: o Museu de Belas Artes e o Museu de Arte Popular, o primeiro do gênero no Brasil; o escritor e poeta teve contos traduzidos para o espanhol e participou de antologias literárias em Portugal e na Argentina; suas obras: Meia-Pataca (poemas, em conjunto com Guilhermino César, 1928), Dona Flor (contos, 1940), Passaporte proibido (crônica de viagem à URSS e Tchecoslováquia, 1960), A janela (contos, 1967), Erótica (poemas, com desenhos de Aldary Toledo, 1981), Chamada geral (reunião de contos e inéditos, 1982), deixando-nos, inéditos, “um livro de poemas, Sucata, e uma coleção de documentos (cartas, principalmente) que contam uma parte importante da história do Modernismo brasileiro”, além da revista Verde; traduziu Oblomov (romance do escritor russo Ivan [Alexándrovitch] Gontcharov, 1966) ...

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Ascânio Lopes: Ruína

____________________
Homens amigos puseram um pano preto no retrato de papai.
Mamãe ficou rezando e chorando para S. Sebastião,
amarrado na árvore com o corpo crivado de setas.
Depois me abraçou soluçando:
“Amanhã vamos embora... que será de nós, meu filho?...”
Eu fiquei triste
porque não gostaria que mamãe chorasse.
Pareceu-me que a gente não tinha mais nada
e que iam tomar nossa casa.
Nessa tarde
ninguém brincou de pique-será no terreno.

____________________
Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam  (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

terça-feira, 2 de julho de 2024

Ascânio Lopes: Barroca


____________________
No cocuruto do morro está a favela mineira
de mulatas gostosas e soldados do doze regimento.
Não há ruas.
Cerca de arame em volta das casas de tábuas, tijolos, taipa cobertas
de latas.
Quando chove há um barulho de metralhadoras.
Morenas passam sacudindo os seios bamboleando o corpo roliço.
As pretas balançam ferros de engomar nas portas das casas exibindo
nádegas gordas.
Cheiro gostoso de carne assada sai das chaminés fumarentas.
As mulatas param com as mãos nas cadeiras.
As boas param olhando e cantigas imorais animam a gente.
Mas é perigoso insistir porque paisano não vale nada...
e a polícia não vai lá e as brigas acabam em facadas.

____________________
Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (na parceria de Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam  (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ascânio Lopes: O revoltado

____________________
A sirena apitou longamente
fazendo parar os teares e as máquinas.
Ele vestiu o paletó e saiu para o bairro pobre
onde mora, numa casa pobre.
As suas mãos estão calejadas.
O corpo dolorido anseia um descanso infinito desconhecido.
Olha só para frente, sem se importar com quem passa.
Parou pensando uma coisa
e brilhou no seu olhar o ódio contido
faiscou rápido o desejo insatisfeito.
Pôs-se a andar
Os grandes olhos abertos, mas sem lágrimas.

____________________
Os Ases de Cataguases (Uma história dos primórdios do Modernismo): Luiz Ruffato, 1ª edição, 2002, Instituto Francisco de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Ascânio Lopes: A fazenda não dá mais café


____________________
Cromos de folhinhas velhas enfeitam as paredes
quadros piedosos de santos, retratos desacordados de homens
barbudos
de mulheres com roupas estranhas.
Mobília antiga e pesada, cadeiras mancas
com a palhinha furada.
Teias de aranha, pó nas paredes
cheias de figuras e datas a carvão e a lápis.
Um cachorro dorme um sono tranquilo na sala de jantar.
Parece que há alguém muito doente
dentro da velha casa desanimada.
Crianças sujas brincam sem alegria
no terreiro cheio de mato.
Ar pesado.
Entretanto a fazenda já foi alegre e catita
mas começou a ficar assim desde que a terra cansou
e os cafeeiros envelheceram.

____________________
Os Ases de Cataguases (Uma história dos primórdios do Modernismo): Luiz Ruffato, 1ª edição, 2002, Instituto Francisco de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Ascânio Lopes: Cena de uma rua afastada

 
____________________
Para Martins de Almeida*

A solteirona fechou as janelas com estrépito.
Uma mocinha da escola normal passou firme, sem olhar.
Um senhor gordo disse que era uma pouca vergonha
e que nossa polícia não vigiava os costumes.
Mas, indiferentes aos gritos dos carroceiros,
às pedradas dos garotos,
a lulu de D. Mariquinhas e o fox-terriê (meio sangue) do sr.
Fagundes
continuaram impudicos no meio da rua.


* Nota de Luiz Ruffato: [Francisco] Martins de Almeida [1903 — 1983] — poeta mineiro, fundador, com Carlos Drummond de Andrade, Gregoriano Canedo e Emílio Moura, de A Revista, órgão modernista de 1925, do qual saíram três números. Morou na mesma pensão que Ascânio, em Belo Horizonte.
____________________
Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

sábado, 11 de dezembro de 2021

Ascânio Lopes: Proximidade da morte & Certeza da morte

 
____________________
Proximidade da morte

O doutor sabia que eu era forte
e resolveu dizer-me tudo.

E depois de tão longo sofrimento
brilhou dentro em mim a esperança, a certeza
do descanso infinito desconhecido.

Certeza da morte

Eu sei... Eu sei...
Mas não choro.
Não choro, nem clamo.
O pranto é amargo e inútil
e meu clamor não alcançaria o céu.
Nem desespero:
de nada vale o desespero ante as coisas irremediáveis.

____________________
Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

Ascânio Lopes: Cataguases

____________________
Para Carlos Drummond de Andrade1

Nem Belo Horizonte, colcha de retalhos iguais,
cidade européia de ruas retas, árvores certas,
casas simétricas,
crepúsculos bonitos, sempre bonitos;
nem Juiz de Fora: ruído. Rumor.
Apitos. Klaxons.
Cidade inglesa de céu enfumaçado, cheio de chaminés negras;
nem Ouro Preto, cidade morta,
Bruges sem Rodenbach2,
onde estudantes passadistas continuam a tradição das coisas que já
esquecemos;
nem Sabará, cidade relíquia,
onde não se pode tocar, para não desmanchar o passado arrumadinho;
nem Estrela do Sul, a sonhar com tesouros,
tesouros nos cascalhos extintos de seu rio barrento;
nem Uberaba, nem, nem, cidades arrivistas de gente que pretende
ficar.
Não! Cataguases... Há coisa mais bela e serena oculta nos teus
flancos,
Nas tuas ruas brinca a inconsciência das cidades
que nunca foram, que não cuidam de ser.
Não sabes, não sei, ninguém compreenderá, jamais o que desejas, o
que serás,
Não és do futuro, não és do passado; não tens idade.
Só sei que és
a mais mineira cidade de Minas Gerais.
Nem geometria, nem estilo europeu, nem invasão americana de
platibandas, nem bangalôs dernier-cri.
Tuas casas são largas casas mineiras feitas na previsão de muitos
hóspedes.
Não há em ti o terror das cidades plantadas na mata virgem
nem o ramerrão dos bondes atrasados, cheios de gente apressada.
Nem os dísticos de “aqui esteve”, “ aqui aconteceu”.
Nem o tintim áspero dos padeiros.
Nem a buzina incômoda dos tintureiros.
Teus leiteiros ainda levam o leite em burricos.
Os padeiros deixam o pão ás janelas (cidade mineira).
Teu amanhecer é suave.
Que alegria de só ter gente conhecida, faz teu habitante voltar-se para
cumprimentar todos que passam.
Delícia de não encontrar estrangeiros de olhar agudo, esperto, mau, a
suspeitar riquezas nas terras.
Alegria dos fordes brincando (são dois) na praça.
(Depois vão dormir juntinhos numa só garagem).
Jacaré!
João Arara!
João Gostoso!
teus tipos populares.
A criançada atira-lhes pedras e eles se voltam imprecando.
Rondas alegres de meninas nas ruas, as tardes, sem perigo de
veículos.
Papagaios que se embaraçam nos fios de luz, balões que sobem,
foguetes obrigatórios nas festas de chegada do chefe político.
Jardins onde meninas ariscas passeiam meia hora só antes do cinema.
Ar momo e sensual de voluptuosidade gostosa que vibra nas tuas
tardes chuvosas, quando as goteiras pingam nos passantes
e batem isócronas nos passeios furados.
Há em ti a delícia da vida que passa porque vale a pena passar,
que passa sem dar por isso, sem supor que se vai transformando.
Em ti se dorme tranquilo sem guardas-noturnos.
Mas com o cricri dos grilos,
o ram-ram dos sapos.
O sono é tranquilo como o de uma criança de colo,
Vale a pena viver em ti.
Nem inquietude.
Nem peso inútil de recordações,
mas a confiança que nasce das coisas que não mudam bruscas,
nem ficam eternas.


Notas de Luiz Ruffato:
* Publicado originalmente no jornal Diário de Minas — Belo Horizonte, 06-03-1927 e reproduzido no jornal Cataguases, de 20-03-1927;
1. Carlos Drummond de Andrade (1902 — 1987), — um dos maiores poetas brasileiros, conheceu Ascânio em Belo Horizonte e relatou esse encontro na crônica “Lembrando Ascânio Lopes” [Verde — Ano 1 — nº 1 — Segunda fase — Maio de 1929 — pág. 4];
2. George Rodenbach (1855 — 1898), escritor simbolista belga, que tinha na cidade de Bruges, “a morta”, uma personagem essencial para sua obra.
____________________
Ascânio Lopes — todos os possíveis caminhos, Organização, Prefácio e Notas de Luiz Ruffato, 2005, Instituto Francisca de Souza Peixoto, Cataguases — MG; Ascânio Lopes Quatorzevoltas (1906 1929), mineiro de Ubá e cataguasense desde os cinco meses de idade, fez seus estudos iniciais no Ginásio de Cataguases, depois estudou no Colégio Mineiro e ingressou na Faculdade de Direito, ambos em Belo Horizonte, foi jornalista, escritor e poeta verdejante; ainda ginasiano, publicou o jornalzinho O Eco e, depois, foi um dos criadores do Manifesto do Grupo Verde que deu início à cataguasense revista Verde, porta-voz dos modernistas mineiros; obras: além de poemas e outros textos registrados em jornais e revistas, publicou Poemas Cronológicos (em conjunto com Enrique de Resende e Rosário Fusco, 1928); ainda em 1928, o poeta deixou Belo Horizonte e a Faculdade de Direito e retornou a Cataguases, onde se internou para tratar de tuberculose ora contraída e da qual veio a morrer em 10 de janeiro de 1929; além de Ascânio, também assinaram o Manifesto do Grupo Verde e criaram a Verde, os jovens literatos [H]Enrique de Resende, Rosário Fusco, Guilhermino Cesar, Christophoro Fonte-Bôa, Martins Mendes, Oswaldo Abritta, Camillo Soares e Francisco I. Peixoto; a Verde, com 6 números de duração, teve sua última edição, in memoriam (Verde .1 — 2ª fase, maio de 1929), inteiramente dedicada ao poeta verdejante recém-falecido; este último número contou com textos referentes à vida literária do poeta que se fora, poemas e alguns inéditos do próprio; em seus números, a Verde contou com a colaboração de próceres do modernismo, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Drummond e Emílio Moura, entre outros.