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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Filinto de Almeida: Credo

Resultado de imagem para Inspirados Sonetos de autores brasileiros e portugueses
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“Homem sem fé (dizeis), homem perdido,
Abandonou-te a crença derradeira:”
Mas, como assim pensei a vida inteira,
Nisto ao menos não fui desiludido.

Não é exato, porém, pois tenho crido
Em muita coisa ignota e verdadeira
Quando a crença se imponha de maneira
Que o seu objeto seja compreendido.

Creio em ti, meu amor, profundamente;
Para sempre minh’alma está cativa,
Santa piedade, deusa onipotente!

Creio em que todo bem de ti deriva,
E nego que em seus deuses algum crente
Tenha crença mais funda e fé mais viva.

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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros e Portugueses, Seleção e Organização de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem — MG; Francisco Filinto de Almeida (1857 1945), português nascido no Porto e naturalizado brasileiro, frequentou o Colégio Primário, ainda em Portugal, sem no entanto concluir seus estudos; com a idade de 10 anos, veio para o Brasil e não cursou qualquer estabelecimento de ensino; destacando-se no jornalismo, nas letras e na dramaturgia, foi redator d’O Estado de São Paulo, colaborando, ainda, em A América, O Besouro, O Combate, Folha Nova, A Estação, A Semana, O Mequetrefe, todos do Rio de Janeiro, e no Diário de Santos e na Comédia, em São Paulo; escreveu e publicou Um idioma (entreato cômico, 1876), Os Mosquitos (monólogo em verso, 1887), Lírica (1887), O Defunto (comédia em 1 ato, 1894), O Beijo (comédia em 1 ato, em verso, 1907), Cantos e cantigas (poesia, 1915), Camoniana (sonetos, 1945), Colunas da noite (crônicas, 1945) etc.; em colaboração com Júlia Lopes de Almeida, escritora e esposa, escreveu o romance A Casa Verde (publicado em folhetins do Jornal do Commercio, de dezembro de 1898 a março de 1899); foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Filinto de Almeida: Último apelo

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Não mais a minha Musa me obedece
como sempre, contente, obedecia;
de tudo que eu suplico ela se esquece,
como jamais outrora se esquecia.

E eu, que lhe peço? Apenas que não cesse
de me florir os campos da Poesia,
de me acender a chama que me aquece
para os estos da minha Fantasia.

Faço-lhe agora um último pedido:
é que me assista, quando o fim chegar
deste seu velho Poeta combalido;

que, quando a Morte me vier buscar,
com voz me encontre, plácido, estendido,
sobre um leito de nuvens 
 a cantar!

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O Mundo Maravilhoso do Soneto, de Vasco de Castro Lima, Prefácio de Rangel Coelho, 1987, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro  RJ; Francisco Filinto de Almeida (1857  1945), português nascido no Porto e naturalizado brasileiro, frequentou o Colégio Primário, ainda em Portugal, sem no entanto concluir seus estudos; com a idade de 10 anos, veio para o Brasil e não cursou qualquer estabelecimento de ensino; destacando-se no jornalismo, na dramaturgia e nas letras, foi redator d’O Estado de São Paulo, colaborando, ainda, em A América, O Besouro, O Combate, Folha Nova, A Estação, A Semana, O Mequetrefe, todos do Rio de Janeiro, no Diário de Santos e na Comédia, em São Paulo; escreveu e publicou Um idioma (entreato cômico, 1876), Os Mosquitos (monólogo em verso (1887), Lírica (1887), O Defunto (comédia em 1 ato, 1894), O Beijo (comédia em 1 ato, em verso, 1907), Cantos e cantigas (poesia, 1915), Camoniana (sonetos, 1945), Colunas da noite (crônicas, 1945) etc.; em colaboração com Júlia Lopes de Almeida, escritora e esposa, escreveu o romance A Casa Verde (publicado em folhetins do Jornal do Commercio, de dezembro de 1898 a março de 1899); foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.  

domingo, 10 de julho de 2011

Filinto de Almeida: Cansaço

(A Raul Machado)


A velhice é cansaço… E esse cansaço
Não nos vem de trabalho ou movimento...
O que ora faço é demorado e lento
E acho mal feito o pouco que ainda faço.

Tudo me cansa:  até o pensamento!

Já pouquíssimo ando e arrasto o passo...
Quase sempre dormindo ou sonolento,
Vivo uma triste vida de madraço.

Nunca fui mandrião nem calaceiro,

Nem também muito ativo, é bom que o diga,
Mas domei sempre a inércia, sobranceiro.

Agora, a própria inércia me castiga.

Pois se acaso repouso um dia inteiro
Esse mesmo repouso me fatiga!
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Os Cem Melhores Sonetos Brasileiros (segunda série, 1ª edição), selecionados por Edgard Rezende, Livraria Freitas Bastos S/A, Rio de Janeiro — RJ, 1950; Francisco Filinto de Almeida (1857 1945), português nascido no Porto e naturalizado brasileiro, frequentou o Colégio Primário, ainda em Portugal, sem no entanto concluir seus estudos; com a idade de 10 anos, veio para o Brasil e não cursou qualquer estabelecimento de ensino; destacando-se no jornalismo, na dramaturgia e nas letras, foi redator d’O Estado de São Paulo, colaborando, ainda, em A América, O Besouro, O Combate, Folha Nova, A Estação, A Semana, O Mequetrefe, todos do Rio de Janeiro, no Diário de Santos e na Comédia, em São Paulo; escreveu e publicou Um idioma (entreato cômico, 1876), Os Mosquitos (monólogo em verso, 1887), Lírica (1887), O Defunto (comédia em 1 ato, 1894), O Beijo (comédia em 1 ato, em verso, 1907), Cantos e cantigas (poesia, 1915), Camoniana (sonetos, 1945), Colunas da noite (crônicas, 1945) etc.; em colaboração com Júlia Lopes de Almeida, escritora e esposa, escreveu o romance A Casa Verde (publicado em folhetins do Jornal do Commercio, de dezembro de 1898 a março de 1899); foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.