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sexta-feira, 6 de junho de 2025

William Carlos Williams: A parábola dos cegos

 
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[traduzido por José Paulo Paes]

IX

Esta horrível mas soberba tela
a parábola dos cegos
sem vermelho algum

na composição mostra um bando
de mendigos um a
guiar o outro atravessando

diagonalmente o quadro
desde um lado
para tropeçar enfim num charco

onde a pintura
e a composição terminam atrás
do qual nenhum homem vidente

é representado os rostos
sem barbear dos in-
digentes com seus poucos

e miseráveis pertences vê-se
uma bacia de lavar numa casinha
campônia e a ponta de uma torre de igreja

as faces estão erguidas
como que para a luz
não há nenhum detalhe estranho

à composição cada um
segue os outros bordão
na mão triunfante até o desastre

(Quadros de Brueghel e outros poemas — 1962)

William Carlos Williams

The parable of the blind

IX

This horrible but superb painting
the parable of the blind
without a red

in the composition shows a group
of beggars leading
each other diagonally downward

across the canvas
from one side
to stumble finally into a bog

where the picture
and the composition ends back
of which no seeing man

is represented the unshaven
features of the des-
titute with their few

pitiful possessions a basin
to wash in a peasant
cottage is seen and a church spire

the faces are raised
as toward the light
there is no detail extraneous

to the composition one
follows the others stick in
hand triumphant to disaster

(Pictures from Brueghel and other poems — 1962)

De Parabel van der Blinden – 1568 [Bíblia: Mateus 15:14]
Pieter Bruegel de Oudere [1525-1530 – 1569]
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Poemas: William Carlos Williams — [edição bilíngue], Seleção, Tradução, Estudo crítico e Notas de José Paulo Paes, 1987, Companhia das Letras, São Paulo — SP; William Carlos Williams (1883 1963), estadunidense de Rutherford, New Jersey, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, foi médico pediatra e clínico geral, romancista, ensaísta e poeta do modernismo e do imagismo estadunidense; Williams, antes mesmo de aprender o inglês, aprendeu o espanhol, visto que sua mãe, de origem basca, nascera em Porto Rico, Caribe, e em casa seus pais conversavam neste idioma; suas obras: Poems (1909), Kora in hell: improvisations (poema-prosa, 1920), The great american novel (novela, 1923), Spring and all (Primavera e o mais, 1923), Novelette and other prose (1932), Collected poems — 1921-1931 (Poemas reunidos, 1934), An early martyr and other poems (Um mártir precoce e outros poemas, 1935), White mule (novela, 1937), Life along the Passaic River (contos, 1938), The complete collected poems of William Carlos Williams 1906—1938 (Poemas reunidos completos, 1938), The wedge (A cunha, poesias, 1944), Paterson — books I, II, III, IV and V (1946 1958), Autobiography (1951), The desert music and other poems (A música do deserto e outros poemas, 1954), Selected essays (1954), Pictures from Brueghel and other poems (Quadros de Brueghel e outros poemas, 1962), Many loves and other plays: the collected plays of William Carlos Williams (drama, 1962) e outros textos em verso e prosa; William Carlos Williams recebeu premiações por sua obra, entre as quais o National Book Award for Poetry, o Prêmio Bollingen e, postumamente, o Pulitzer de Poesia, por Pictures from Brueghel and other poems.