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[traduzido por Guilherme
Martins]
No horizonte a nuvem forma-se
No azul, branca, a se
esculpir;
Dir-se-ia corpo virgíneo
De ondas de um lago a emergir.
Na concha de madrepérola
Em pé no azul a vogar,
Como na Afrodita etérea
Feita de espuma do ar!
Vê-se ondular linha flácida
Do torso cor de jasmim;
Dá-lhe a aurora chuva rósea
Sobre a espádua de cetim.
Brancuras de neve e mármore
Com amor a se fundir;
Claro escuro de Corrégio
Na “Antíope a dormir”...
Mais alta, na luz expande-se
Do que o pio apeninal,
Reflete a beleza, a gêmea
Do feminino eternal!
A minh’alma sai do envólucro
Sobre as asas da paixão,
A nuvem buscando, evola-se
E a abraça como Ixião.
Diz a razão: Fumo tênue
A nuvem sonhos faz ver;
Sombra ao vento, incerta,
vária
Bolha de ar a morrer!
Diz o sentimento: Efêmera
Não é a beleza, enfim?
Espetro, já foi esplêndida
E nada mais é por fim!
Põe no peito o âmbito célico,
Abre tu’alma ao ideal!
Mulher ou nuvem diáfana
Ama. O amor é o essencial.
La Nue
À l’horizon monte une nue,
Sculptant sa forme dans l’azur:
On dirait une vierge nue
Émergeant d’un lac au flot pur.
Debout dans sa conque nacrée,
Elle vogue sur le bleu clair,
Comme une Aphrodite éthérée,
Faite de l’écume de l’air.
On voit onder en molles poses
Son torse au contour incertain,
Et l’aurore répand des roses
Sur son épaule de satin.
Ses blancheurs de marbre et de
neige
Se fondent amoureusement
Comme, au clair-obscur du Corrège,
Le corps d’Antiope dormant.
Elle plane dans la lumière
Plus haut que l’Alpe ou l’Apennin;
Reflet de la beauté première,
Sœur de «l’éternel féminin.»
À son corps, en vain retenue,
Sur l’aile de la passion
Mon âme vole à cette nue
Et l’embrasse comme Ixion.
La raison dit: «Vague fumée,
Où l’on croit voir ce qu’on rêva,
Ombre au gré du vent déformée,
Bulle qui crève et qui s’en va!»
Le sentiment répond:
«Qu’importe!
Qu’est-ce après tout que la beauté,
Spectre charmant qu’un souffle emporte,
Et qui n’est rien, ayant été!
«À l’Idéal ouvre ton âme;
Mets dans ton cœur beaucoup de ciel,
Aime une nue, aime une femme,
Mais aime! — C’est l’essentiel!»
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Antologia de Poetas Estrangeiros — Seleção e Notas de Afonso Telles Alves,
[diversos autores e tradutores], Antologia da Literatura Mundial, 7ª edição, 1965,
Livraria e Editora Logos Ltda., São Paulo — SP; Théophile Gautier (1811 —
1872), francês de Tarbes, foi escritor, jornalista, poeta, crítico literário e
de arte; defensor e propulsionador da “arte pela arte”, pelo culto à beleza da
forma poética, que veio desaguar no surgimento do parnasianismo, Gautier
transitou no romantismo, parnasianismo, simbolismo e decadentismo; colaborou
com os periódicos La Chronique de Paris, La Presse, entre vários outros jornais
da época; obras: La Cafetière (contos, 1831), Albertus ou L’Ame et le
pêché (poesias, 1833), Mademoiselle de Maupin (romance, 1835), Le Jeunes-France
(contos ou romances zombeteiros, 1833), La Comédie de la mort (poesias, 1838),
Une tear du diable, Le Tricorne Enchanté, Pierrot Posthume (teatro, todos em
1839), Les Grotesques (crítica, 1843), Le Voyage en Espagne (relatos de viagem,
1843), Émaux et camées (poesias, 1852), Constantinopla (relatos de viagem,
1853), Les Beaux-Arts en Europe (crítica, 1855), L’Art Moderne (crítica, 1856),
Honoré de Balzac (biografia, 1859), Le Capitaine Fracasse (romance, 1863),
Voyage en Russe (relatos de viagem, 1867) e outros títulos.

