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Mostrou-me a luz da crença-alva recém
Pálida virgem de luzentes tranças;
Dorme agora na campa das crianças,
Onde eu quisera repousar também.
A graça, as ilusões, o amor, a unção,
Doiradas catedrais do meu passado,
Tudo caiu desfeito, escalavrado,
Nos tremendos combates da razão.
Perdida a fé, esse imortal abrigo,
Fiquei sozinho, como herói antigo,
Batalhando sem elmo e sem escudo.
A implacável, a rígida ciência,
Deixou-me unicamente a Providência,
Mas, deixando-me Deus, deixou-me tudo!
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Inspirados Sonetos de Autores Brasileiros
e Portugueses, Organização e Seleção de Milton Xavier de Carvalho e Prefácio de
Morvan Acayaba de Rezende, 1996, FUMARC — Fundação Mariana Resende Costa, Contagem
— MG; Abílio Manuel Guerra Junqueiro (1850 — 1923), português de Ligares — Freixo
de Espada à Cinta, formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi alto funcionário
administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta; à sua época, bastante
popular, é considerado o mais típico representante da chamada Escola Nova e, com
sua poesia panfletária, contribuiu para formar o ambiente revolucionário que
acabou por provocar a implantação da República portuguesa; passando a residir em
Lisboa, a partir de 1875 colaborou em prosa e em verso com jornais políticos e artísticos,
A Lanterna Mágica, O António Maria, Diário de Notícias, Atlântida, Branco e Negro,
Brasil Portugal, A Crônica, A Illustração Portugueza, A Imprensa, A Leitura, A Mulher,
O Occidente, Renascença, O Pantheon, A República Portugueza, Ribaltas e Gambiarras,
Serões, Azulejos, Azeitonense, entre outros periódicos; suas obras: A Morte de D.
João (1874), Contos para a Infância (1875), A Musa em Férias (1879), A Velhice
do Padre Eterno (1885), Finis Patriae (1890), Os Simples (1892), Oração ao Pão (1902),
Gritos da Alma (1912), Poesias Dispersas (1920), ...