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[traduzido
por Gomes Júnior]
Claustros
silenciosos, abóbodas monásticas,
Só vós, túmulos
frios, só vós sabeis amar!
São vossas
naves frias, vossas lousas fantásticas,
Que nunca
lábio em fogo beijou sem desmaiar!
Oh! vinde, vinde abrir vossas
entranhas frias
Á estes entes lindos, que invejam
vossa sorte,
Sobre um macio leito, cercado de
magias,
Que é bom unicamente para o sono ou
para a morte!
Tocar, por piedade, nos vossos
sacrifícios,
Seos corações mimosos, que morrem
de langor,
E nas sangrentas dores de bárbaros
cilícios
Mostrai-lhes o mistério do vosso
puro amor.
Banhai-lhes, pois, as frontes nas águas
batismais,
Dizei-lhes quantos anos, com que
constância, a sós,
Devem ajoelhar-se nas pedras sepulcrais
Antes de suspeitarem que amàm como
vós!
Cloîtres silencieux, voûtes des monastères, . . .
[Rolla IV, fragment]
[ . . . ]
Cloîtres silencieux, voûtes des
monastères,
C’est vous, sombres caveaux, vous
qui savez aimer!
Ce sont vos froides nefs, vos pavés
et vos pierres,
Que jamais lèvre en feu n’a baisés
sans pâmer.
Oh! venez donc rouvrir vos
profondes entrailles
À ces deux enfants-là qui cherchent
le plaisir
Sur un lit qui n’est bon qu’à
dormir ou mourir;
Frappez-leur donc le cœur sur vos
saintes murailles,
Que la haire sanglante y fasse
entrer ses clous.
Trempez-leur donc le front dans les
eaux baptismales,
Dites-leur donc un peu ce qu’avec
leurs genoux
Il leur faudrait user de pierres
sépulcrales
Avant de soupçonner qu’on aime
comme vous!
[ . . . ]
(Rolla: I,
II, III, IV and V — 1833)
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Antologia
de Poetas Franceses do séc. XV ao séc. XX — O Livro de Ouro da Poesia da França
[111 autorias e vários tradutores], Organização, Seleção e Prefácio por R. Magalhães
Jr., e Texto à Guisa de Introdução por Michel Simon, Clássicos de bolso Ediouro
nº 12126, sem data, [1985?], Editora Tecnoprint S. A., Rio de Janeiro — RJ; Alfred
Louis Charles de Musset (1810 — 1857), francês e parisiense, antes de completar
9 anos de idade foi matriculado no Lycée Henri IV, concluiu o ensino médio, depois
aventurou-se nos estudos de medicina, direito, pintura, música, logo os abandonou,
e passou a se dedicar com determinação e interesse à literatura, foi poeta, novelista,
romancista, crítico e dramaturgo, e tido como "l'enfant terrible" do período
romantista em Paris; “desde os 14 anos já fazia seus versos": A ma mére (1824),
À Mademoiselle Zoé le Douairin (1826), Un rêve et L’anglais mangeur d’opium (1828)...;
escreveu e publicou Premières poésies (1829), Une nuit vénitienne (teatro, 1830),
Contes d'Espagne et d'Itale (coletânea de poemas, Contos da Espanha e da Itália,
1830), Secrètes pensées de Raphael (Pensamentos secretos de Raphael, 1830), Voeux
stériles (Voos estéreis, 1830), Namouna (poema narrativo, 1831), La coupe et les
lèvres (teatro, 1832), Rolla: I, II, III, IV and V (longo poema narrativo, 1833), On ne badine pas avec
l'amour (Com o amor não se brinca, teatro comédia, 1834), Lorenzaccio (drama
romântico, 1834), Fantasio (teatro comédia, 1834), Le Chandelier (comédia em
três atos, 1835), La confession d'un enfant du siècle (A confissão de um filho do
século, novela autobiográfica, 1836), Les Nuits: La Nuit de Mai [1835], La Nuit
de Décembre [1835], La Nuit d'Août [1836], La Nuit d'Octobre [1837], La Nuit
d’Avril [1838] (ciclo As Noites, 1835-1838), Lettres du Dupuis et Cotonet (crítica,
Cartas de Dupuis e Cotonet, 1837), Souvenir (Recordação, 1841), Il faut qu'une porte
soit ouverte ou fermé (É preciso que uma porta esteja aberta ou fechada, comédia,
1845), Carmosine (comédia em Um Ato, 1850), Bettine (comédia, 1851) e outros
textos em verso e prosa e para teatro; teve poemas musicados por Hector Berlioz
[poème Le Lever, 1839], Charles Gounod [avec piano, Venise, 1849], Édouard Lalo
[trois mélodies: À une fleur, Chanson de Barberine et La Zuecca, 1870], Claude
Debussy [Madrid, 1879], [Rondeau, 1881] e [Chanson espagnole, 1883] etc.;
pertenceu à Académie Française; o poeta, desde 1824, foi um dos frequentadores
do “Cénacle”, salão literário de Charles Nodier — bibliotecário da Bibliotéque
de l’Arsenal, e tendo como companhia Victor Hugo e outros; passou a viver como
um “dândi devasso”, teve várias amantes, uma das quais a escritora George Sand
[pseudônimo de Amantine Aurore Lucile Dupin, baronesa de Dudevant]; em 1845, Musset foi condecorado
com a Legião de Honra em reconhecimento à sua influência na literatura francesa;
com a “saúde frágil, mas sobretudo atormentado pelo
alcoolismo, pela ociosidade e pela devassidão, morreu de tuberculose em 2 de
maio de 1857”, aos 46 anos.