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[traduzido por Aleksandar
Jovanović *]
M. P.
Não te voltas, não! Pois, atrás de
ti imenso
mistério há. E alto gorjeia a
passarada,
bem acima, enquanto maturesce o intenso
dolor no fruto, e cai a chuva
envenenada.
Por astros tendo vagas em sonho.
Penso,
único és a não vê-la. Segue a tua
caminhada
ela fiel. Porém, quando cair seu
denso
brilho sobre ti, nem que esteja
ocultada,
acharás a entrada, com os dois cães
nefandos.
Dorme, o tempo é mau. Eterno
amaldiçoado,
Coração maldoso. E se os mortos em
bandos
existem, vivo hão chamar-te, os
vitandos.
É esse por detrás de quem o mundo
foi criado,
como jura eterna, movimento
inebriado.
Orfej u Podzemlju
M. P.
Ne osvrći se. Velika se tajna
iza tebe odigrava. Ptice gnjiju
visoko nad tvojom glavom dok beskrajna
patnja zri u plodu i otrovne kiše liju.
Zvezdama ranjen u snu lutaš. Sjajna
onda ide tvojim tragom, ald sviju
jedini je ne smeš videti. O sjaj
na tebe njen dok pada nek je i sakriju
ti ćeš naći
ulaz dva mutna psa gde stoje.
Spavaj, zlu je vreme. Zauvek si proklet.
Zlo je u srcu. Mrtvi ako postoje
proglasiće te živim. Eto to je
taj iza čijih leđa nasta svet
ko večina zavera e tužan zaokret.
* Nota do atrevidíssimo aprendiz de blogueiro deste Verso e Conversa: O organizador e tradutor Aleksandar Jovanović, no Prefácio deste Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia), nos relata o abaixo transcrito:
“O presente volume apresenta alguns dos poetas mais expressivos da Literatura Iugoslava contemporânea, escrita em servo-croata. Mas, para que a compreensão do leitor seja mais clara, é preciso ressaltar que se trata de poetas da Literatura da Sérvia. Portanto, este livro não é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava. Tampouco é uma visão integral da Modernidade na Literatura Iugoslava escrita em servo-croata. É uma parte dela.Para que uma antologia de Literatura Iugoslava fosse integral, seria preciso nela incluir não somente obras de escritores da Croácia, mas também da Bósnia-Herzegovina e do Montenegro (redigidos todos em servo-croata), e, ainda, obras de escritores da Eslovênia (escritos em esloveno) e da Literatura da Macedônia (escritos em macedônio). Não é, como sublinhamos, uma visão integral, mas é o primeiro esforço para que os leitores da língua portuguesa possam ter acesso a ela.”
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Poesia Iugoslava Contemporânea (Sérvia) — [36 poetas], edição bilíngue, texto A Poesia Contemporânea da Sérvia — suas raízes e seus significados, por Jovan Pejčić, Prefácio, Tradução e Notas de Aleksandar Jovanović, 1987, Editora Meca
São Paulo — SP; Branko Miljković (1933 — 1961), nascido em Nis, Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (depois, Reino da Iugoslávia,
hoje Sérvia), formado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia da Universidade
de Belgrado, foi poeta, ensaísta, resenhista e tradutor: ainda estudante,
participou de um grupo literário neo-simbolista; fez contatos e estabeleceu
relações de amizade com outros poetas (Vasko Popa entre os quais), recusou
adesão e associação partidária, o que acabou resultando na não publicação de
sua poesia; seus primeiros poemas denotavam a influência recebida dos
simbolistas franceses Paul Valéry e Stéphane Mallarmé, e também do pensamento
filosófico de Heráclito; por longos três anos seguidos ouviu nãos das redações
de muitas revistas, em 1955 teve seus primeiros poemas publicados na Delo,
“abrindo assim as portas de outras editoras e, a partir daí, ganhou as páginas de
inúmeras revistas”; em 1956 foi publicada sua primeira coletânea de canções,
Acordo-a em vão (Uzalud je budim), obra que obteve “sucesso de público e
crítica”; depois vieram as coletâneas de poemas Sangue contra a morte (Smrću protiv
smrti, com Blažom Šćepanovićem, 1959), Origem da esperança (Poreklo nade, 1960), O fogo e o nada (Vatra i ništa, 1960), Krv koja svetli (1961) ...; agraciado pela
crítica literária e alçado ao topo da poesia sérvia, Branko Miljković foi
laureado com o Prêmio Outubro, um dos mais prestigiados de sua época; sabe-se,
por sua biografia, que o poeta, “frequentemente visto nas tabernas de Belgrado,
onde levava uma vida boêmia e despreocupado, devido ao consumo constante de
álcool mostrava seu lado agressivo quando bêbado, se envolvia constantemente em
brigas que quase sempre perdia”, e cujo comportamento por várias vezes lhe
trazia problemas com o regime [a polícia] de Tito; seus muitos amigos sempre o
resgatavam de tais dificuldades; a tais amigos, o poeta chegou a jurar “que
nunca mais escreveria”; Branko deixou Belgrado “no outono de 1960”, mudou-se
para Zagreb, tornou-se editor do Literarne redakcije zagrebačkog radija (Editorial Literário Escritório da Rádio Zagreb),
“provavelmente insatisfeito com sua vida”, continuou se entregando ao álcool e,
“na noite entre 11 e 12 de fevereiro” [de 1961], numa floresta próxima à
cidade, “segundo a versão oficial, o poeta sérvio suicidou-se”; as razões que
levaram Branko a tomar tal atitude permanecem polêmicas, havendo quem, à época,
suspeitasse de que o poeta fora morto pela polícia ou apoiadores do regime
vigente.